Vendas brasileiras ao bloco europeu cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, enquanto novas autorizações comerciais ampliaram o acesso de produtos agropecuários a 99 destinos internacionais
O Brasil alcançou a marca de 700 novos mercados internacionais abertos para produtos agropecuários desde janeiro de 2023. O resultado foi anunciado pelo governo federal na terça-feira (13), durante cerimônia realizada no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília. As autorizações comerciais abrangem 99 destinos, entre países e blocos econômicos, e representam uma ampliação das oportunidades para os exportadores brasileiros.
O anúncio ocorreu em um momento de crescimento das vendas externas do país, especialmente nas relações comerciais com a União Europeia. Entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras para o bloco europeu aumentaram 30,7% em comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho foi apresentado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que destacou a contribuição do setor produtivo e a ampliação das relações comerciais brasileiras.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia alcançaram US$ 44,17 bilhões, resultado 20% superior ao registrado nos nove primeiros meses do ano passado.
A expansão ocorre após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, em 1º de maio de 2026, depois de quase 27 anos de negociações.
Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona comércio exterior
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi apontado pelo governo federal como um dos fatores que contribuíram para o crescimento das exportações brasileiras em 2026.
Segundo os dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as vendas brasileiras destinadas ao bloco europeu cresceram 30,7% nos cinco primeiros meses de vigência provisória do tratado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o comércio bilateral entre os países do Mercosul e da União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e o início da aplicação do acordo.
“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, declarou.
A entrada em vigor provisória do tratado representa uma mudança importante nas relações comerciais entre os dois blocos, ao estabelecer condições para a ampliação do intercâmbio de produtos e serviços.
Os resultados apresentados pelo governo indicam crescimento das exportações brasileiras no período posterior à implementação do acordo. Entretanto, o avanço também deve ser considerado dentro do contexto mais amplo do comércio internacional, influenciado pela demanda externa, pelas condições econômicas e pela competitividade dos produtos nacionais.
Exportações brasileiras avançam em cenário internacional desafiador
Além dos resultados com a União Europeia, o ministro Márcio Elias Rosa destacou o desempenho geral do comércio exterior brasileiro.
Segundo ele, as exportações do país cresceram, em média, 10,5%, apesar das tensões geopolíticas e da ampliação de barreiras comerciais em diferentes mercados.
O ministro atribuiu parte desse desempenho à capacidade das empresas brasileiras de ampliar sua presença internacional e às iniciativas de promoção comercial.
Ao abordar a participação do agronegócio nesse processo, Elias Rosa ressaltou a importância da agroindústria para a estratégia de desenvolvimento econômico e industrial do Brasil.
“A missão número um da nova industrialização do Brasil envolve justamente a agroindústria”, afirmou.
A integração entre produção rural, processamento industrial e exportação é considerada estratégica para ampliar o valor agregado dos produtos brasileiros e diversificar as oportunidades de comercialização no exterior.
Durante o evento, o ministro também comentou as relações comerciais com os Estados Unidos, classificando o momento como delicado.
Apesar das dificuldades, defendeu a continuidade das negociações diplomáticas entre os dois países.
“Mas não sairemos do diálogo da negociação”, declarou.
Novos mercados foram abertos em 99 destinos internacionais
A marca de 700 aberturas comerciais desde 2023 representa o resultado de negociações sanitárias e comerciais que permitiram a entrada de produtos agropecuários brasileiros em novos mercados.
As autorizações foram concedidas por 99 destinos, incluindo países e blocos econômicos.
A abertura de mercado não significa necessariamente o ingresso em um país pela primeira vez. Em muitos casos, corresponde à autorização para exportar determinado produto a um destino que já mantém relações comerciais com o Brasil.
Esses processos dependem do cumprimento de requisitos sanitários, técnicos e regulatórios estabelecidos pelos países importadores.
Durante a cerimônia, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, comparou o desempenho atual ao registrado no governo anterior.
“Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”, afirmou.
A ampliação das autorizações cria oportunidades para diferentes segmentos do agronegócio, permitindo que produtos brasileiros alcancem novos compradores e mercados consumidores.
A efetivação das vendas, entretanto, depende das condições comerciais, da demanda internacional e da capacidade de atendimento às exigências dos importadores.
Novos destinos já movimentaram US$ 5,8 bilhões
De acordo com estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as exportações brasileiras destinadas aos mercados abertos desde 2023 já somaram US$ 5,8 bilhões.
A agência projeta que as vendas para esses destinos poderão alcançar US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.
A previsão representa uma expectativa de expansão comercial e não um resultado garantido, uma vez que o desempenho das exportações depende de fatores econômicos, comerciais e produtivos.
O acesso a novos mercados pode contribuir para diversificar os destinos das vendas brasileiras e reduzir a concentração das exportações em determinados países.
Para o setor agropecuário, a diversificação também representa uma oportunidade de ampliar a comercialização de produtos e fortalecer a inserção internacional das cadeias produtivas.
Brasil pretende se tornar o maior exportador mundial de alimentos
Durante a apresentação dos resultados, André de Paula afirmou que o governo trabalha com a expectativa de o Brasil encerrar 2026 na liderança mundial das exportações de alimentos.
Segundo os números citados pelo ministro, o país havia acumulado US$ 169 bilhões em exportações, ficando aproximadamente US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos no indicador utilizado pela pasta.
“Exportamos US$ 169 bilhões no acumulado do ano, US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, mas terminaremos o ano como maior exportador de alimentos”, declarou.
A afirmação representa uma projeção do governo federal, que ainda dependerá dos resultados comerciais dos próximos meses.
O ministro também apresentou estimativas para a produção agropecuária brasileira, destacando a expectativa de uma safra de 366 milhões de toneladas no ciclo 2026/2027.
Além disso, mencionou a perspectiva de participação de 29% do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB), conforme o indicador considerado pelo governo.
As projeções refletem a expectativa de expansão da produção e da atividade econômica ligada ao campo, mas estão sujeitas às condições climáticas, ao desempenho dos mercados e a outros fatores que influenciam o setor.
Plano Safra e financiamento rural recebem destaque
O financiamento da produção agropecuária também foi abordado durante a cerimônia realizada em Brasília.
Segundo André de Paula, o governo federal destinou mais de R$ 610 bilhões ao Plano Safra atual, considerando os recursos anunciados para a agricultura empresarial e familiar.
O ministro afirmou ainda que os valores destinados ao financiamento rural durante os quatro anos do governo Lula ultrapassam R$ 1 trilhão.
O Plano Safra reúne linhas de crédito e instrumentos de apoio destinados ao custeio, ao investimento e à comercialização da produção agropecuária.
Os recursos podem ser utilizados para diferentes finalidades, conforme as regras de cada modalidade de financiamento, incluindo aquisição de equipamentos, melhorias na infraestrutura produtiva e despesas relacionadas às atividades agrícolas e pecuárias.
Os valores anunciados correspondem à disponibilidade prevista nas linhas de financiamento, e não necessariamente ao montante já contratado pelos produtores.
A política de crédito rural é considerada um dos instrumentos utilizados para apoiar o planejamento das safras e os investimentos nas propriedades.
China autoriza importação de miúdos suínos brasileiros
Entre os avanços recentes nas negociações sanitárias, o ministro da Agricultura destacou a autorização concedida pela China para a importação de miúdos suínos do Brasil.
A medida amplia as possibilidades de comercialização de produtos da cadeia suinícola brasileira no mercado chinês, um dos principais destinos das exportações agropecuárias nacionais.
As negociações para abertura de mercados dependem do reconhecimento de requisitos sanitários e da definição de condições específicas para a comercialização dos produtos.
No caso dos produtos de origem animal, as exigências incluem procedimentos de inspeção, certificação sanitária e atendimento aos padrões estabelecidos pelas autoridades dos países compradores.
André de Paula manifestou expectativa de novas autorizações comerciais para produtos brasileiros, como parte da estratégia de ampliação da presença do agronegócio no comércio internacional.
Confira os principais números do comércio exterior brasileiro
Novos mercados agropecuários abertos desde 2023: 700
Destinos alcançados: 99 países e blocos econômicos
Aberturas de mercados informadas para o governo anterior: 241
Crescimento das exportações para a União Europeia entre maio e setembro de 2026: 30,7%
Exportações para a União Europeia de janeiro a setembro de 2026: US$ 44,17 bilhões
Crescimento acumulado das vendas à União Europeia no período: 20%
Aumento informado no comércio entre Mercosul e União Europeia: mais de US$ 6 bilhões
Exportações para mercados abertos desde 2023: US$ 5,8 bilhões
Projeção da ApexBrasil para os próximos quatro anos: US$ 80 bilhões
Estimativa anunciada para a safra 2026/2027: 366 milhões de toneladas
Recursos anunciados para o Plano Safra atual: mais de R$ 610 bilhões
Expansão comercial amplia oportunidades para o agronegócio
A abertura de novos mercados internacionais representa uma oportunidade de crescimento para diferentes segmentos da produção agropecuária brasileira.
Ao conquistar autorizações para comercializar produtos em novos destinos, o país amplia as possibilidades de exportação e fortalece sua presença nas cadeias internacionais de abastecimento.
O processo também exige investimentos em qualidade, rastreabilidade, sanidade e atendimento às exigências estabelecidas pelos países importadores.
Para produtores, cooperativas, agroindústrias e empresas exportadoras, a diversificação dos mercados pode representar novas oportunidades de negócios, embora os resultados dependam das condições de competitividade e da demanda externa.
Os números divulgados pelo governo federal indicam expansão das relações comerciais brasileiras em 2026, com destaque para a União Europeia e para os novos destinos abertos ao agronegócio desde 2023.
A continuidade desse crescimento dependerá do comportamento da economia internacional, da produção nacional e do avanço das negociações comerciais e sanitárias nos próximos anos.
Fonte: Agência Brasil, com informações dos ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, das Relações Exteriores e da ApexBrasil.