Temperatura muito baixa, aparelho mal dimensionado e filtro sujo estão entre os fatores que aumentam o consumo de energia nos dias mais quentes
Com o aumento das temperaturas, o ar-condicionado ganha espaço nas residências e também pode pesar consideravelmente na conta de energia. Dependendo do tempo de funcionamento e da eficiência do equipamento, o aparelho pode representar entre 20% e 60% do consumo de eletricidade de uma casa durante o verão.
O impacto cresce quando o equipamento é utilizado de maneira inadequada. Entre os erros mais comuns estão programar temperaturas excessivamente baixas, escolher uma potência incompatível com o tamanho do ambiente, utilizar aparelhos pouco eficientes, manter portas e janelas abertas e deixar a manutenção dos filtros de lado.
Um dos equívocos mais frequentes é colocar o aparelho em 16°C imaginando que o cômodo ficará gelado mais rapidamente. Na prática, a temperatura selecionada não aumenta a velocidade inicial de resfriamento e pode fazer o compressor permanecer trabalhando em alta potência por mais tempo.
Estimativas técnicas apontam que cada grau ajustado abaixo de 23°C pode elevar o consumo de energia em até 8%. Por isso, temperaturas próximas de 23°C ou 24°C tendem a oferecer conforto com menor gasto energético.
Outro hábito que interfere diretamente no desempenho é utilizar o ar-condicionado com portas ou janelas abertas. Nesse cenário, o equipamento precisa compensar continuamente a entrada de ar quente, aumentando o esforço para manter a temperatura programada.
Também não existe uma regra absoluta de que desligar e ligar repetidamente o aparelho seja sempre a opção mais econômica. Em ambientes bem vedados, manter uma temperatura estável pode ser mais eficiente, especialmente porque o compressor demanda maior potência em determinados momentos de retomada do resfriamento.
A eficiência do modelo escolhido é outro fator decisivo. Equipamentos classificados nas categorias mais eficientes podem consumir significativamente menos energia para oferecer a mesma capacidade de climatização.
Nos aparelhos com tecnologia inverter, a velocidade do compressor é ajustada conforme a necessidade do ambiente, reduzindo os ciclos de liga e desliga. Dependendo das condições de utilização, a economia em relação aos modelos convencionais pode variar de 30% a 60%.
Essa vantagem, porém, depende de fatores como dimensionamento adequado, tempo de funcionamento e vedação do ambiente. Comprar um aparelho inverter, por si só, não garante a redução esperada na conta de luz.
A quantidade de BTUs também exige atenção. Um equipamento mais potente não significa necessariamente maior economia.
Quando o aparelho é superdimensionado para o ambiente, ele pode resfriar rapidamente o espaço e interromper o ciclo antes da desumidificação adequada, provocando funcionamento menos eficiente. Um equipamento de capacidade insuficiente também pode permanecer operando continuamente para tentar alcançar a temperatura desejada.
Uma referência utilizada para estimar a capacidade necessária parte de aproximadamente 600 BTUs por metro quadrado. Em ambientes com incidência direta de sol, a referência pode subir para cerca de 800 BTUs por metro quadrado.
Também devem entrar no cálculo a quantidade de pessoas que utilizam o cômodo regularmente e a presença de equipamentos eletrônicos que geram calor, como televisores e computadores.
A diferença de potência aparece diretamente no consumo. Em uma simulação com equipamentos da mesma marca e nível de eficiência utilizados durante nove horas por dia por 30 dias, aparelhos de 7 mil e 12 mil BTUs apresentam gastos significativamente diferentes.
Outro fator que muitas vezes passa despercebido é a limpeza do filtro. O acúmulo de poeira restringe a passagem do ar e força o equipamento a trabalhar por períodos maiores para atingir a temperatura programada.
Dependendo das condições, um aparelho com filtros sujos pode consumir entre 20% e 50% mais energia para oferecer uma refrigeração semelhante à de um equipamento corretamente higienizado.
Em períodos de utilização intensa, a recomendação é verificar e limpar os filtros com frequência, além de realizar manutenção periódica no equipamento.
O peso do ar-condicionado no consumo residencial ajuda a dimensionar a importância desses cuidados. Um aparelho split entre 10.001 e 15.000 BTU/h funcionando oito horas por dia pode consumir, em média, cerca de 194 kWh por mês.
Para comparação, o consumo mensal atribuído ao chuveiro elétrico pode variar aproximadamente entre 54 kWh e 165 kWh, dependendo da quantidade de moradores e do tempo dos banhos. Em geladeiras, o consumo pode ficar entre 25 kWh e 57 kWh, conforme o modelo.
O desperdício se torna ainda mais relevante quando estão em vigor bandeiras tarifárias mais caras. Na bandeira vermelha patamar 2, por exemplo, há cobrança adicional de R$ 7,87 para cada 100 kWh consumidos.
Assim, o impacto do ar-condicionado na conta não depende apenas de quantas horas ele permanece ligado. Escolher a capacidade correta, utilizar temperaturas moderadas, manter o ambiente fechado, priorizar equipamentos eficientes e realizar a manutenção adequada podem fazer diferença relevante no consumo ao longo dos meses de maior calor.