Erva asiática divulgada para aliviar sintomas da perimenopausa não está autorizada no Brasil; agência cita caso grave de intoxicação no exterior
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre os riscos do consumo de ashwagandha, erva de origem asiática que ganhou popularidade nas redes sociais, especialmente no TikTok, por supostos benefícios relacionados ao relaxamento e ao alívio dos sintomas da perimenopausa.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (21), a agência reforçou que a substância não está autorizada para uso em suplementos alimentares no Brasil. Por esse motivo, produtos comercializados nessa categoria contendo ashwagandha não podem ser fabricados, vendidos, distribuídos ou utilizados no país.
O alerta ganhou destaque após a divulgação do caso de uma mulher britânica que apresentou falência do fígado, paradas cardíacas e graves danos cerebrais associados ao consumo do suplemento.
Segundo a Anvisa, a substância não integra a lista de ingredientes autorizados para suplementos alimentares e não possui comprovação de qualidade, eficácia e segurança aceita para essa finalidade no território nacional.
O que é ashwagandha e por que ficou popular?
A ashwagandha, conhecida cientificamente como Withania somnifera, é uma planta utilizada tradicionalmente em práticas medicinais asiáticas.
Nos últimos anos, suplementos produzidos com extratos da planta passaram a ser divulgados nas redes sociais com promessas de redução do estresse, melhora do sono e alívio de desconfortos associados às alterações hormonais.
No TikTok, a substância ganhou visibilidade principalmente em conteúdos voltados às mulheres que atravessam a perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa e pode provocar mudanças no ciclo menstrual, alterações do sono e outros sintomas.
Entretanto, a popularidade de um produto nas redes sociais não comprova sua segurança ou eficácia.
A Anvisa ressalta que a utilização de substâncias em suplementos alimentares depende do cumprimento de exigências sanitárias, incluindo a avaliação dos ingredientes permitidos.
Caso de mulher britânica motivou alerta
O comunicado da agência menciona um caso registrado no Reino Unido envolvendo uma mulher que sofreu complicações graves após utilizar ashwagandha.
De acordo com as informações divulgadas, a paciente apresentou falência hepática, paradas cardíacas e danos cerebrais.
A Anvisa utilizou o episódio para reforçar a preocupação com produtos que circulam nas redes sociais acompanhados de promessas de benefícios à saúde.
Embora a ocorrência tenha motivado o alerta, um caso individual não permite concluir que todas as pessoas que utilizarem a substância apresentarão as mesmas complicações.
O ponto central da orientação sanitária é que o produto não está autorizado como suplemento alimentar no Brasil e não deve ser consumido nessa condição.
Por que a ashwagandha é proibida no Brasil?
A regulamentação brasileira estabelece que suplementos alimentares somente podem conter ingredientes autorizados pela Anvisa.
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243/2018 define requisitos sanitários para esses produtos, incluindo composição e condições de utilização.
Segundo a agência, a ashwagandha não integra a relação de substâncias permitidas para uso em suplementos alimentares.
Isso significa que a comercialização de produtos nessa categoria contendo o ingrediente é irregular no país.
A restrição não deve ser confundida com uma proibição genérica de toda utilização de plantas medicinais. A classificação e a autorização de produtos dependem da finalidade, da composição e das normas sanitárias específicas aplicáveis a cada categoria.
Suplementos não podem prometer tratamento de doenças
Outro ponto destacado pela Anvisa diz respeito à publicidade dos suplementos alimentares.
A agência esclarece que esses produtos são destinados a complementar a alimentação de pessoas saudáveis, fornecendo nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos, conforme as condições autorizadas.
Eles não devem ser anunciados como medicamentos nem apresentados como soluções para curar, prevenir ou tratar doenças.
Por isso, promessas de resultados terapêuticos divulgadas em redes sociais precisam ser avaliadas com cautela.
A Anvisa reforça que nem todas as pessoas necessitam de suplementação e que a decisão sobre o uso desses produtos deve considerar as condições individuais de saúde.
Até suplementos regularizados podem oferecer riscos
A agência também chama atenção para o fato de que os problemas relacionados aos suplementos não se limitam aos produtos clandestinos.
Mesmo itens devidamente regularizados podem causar efeitos indesejados quando utilizados de forma inadequada, em doses incompatíveis com as orientações de uso ou por pessoas que apresentam restrições específicas.
Entre os riscos dos produtos irregulares estão a presença de ingredientes não avaliados pelas autoridades sanitárias e possíveis falhas nos processos de fabricação.
A orientação é verificar a procedência, a composição e a situação sanitária antes de consumir qualquer suplemento.
Também é necessário respeitar as advertências e as restrições informadas nas embalagens.
Como saber se um suplemento é autorizado pela Anvisa?
A população pode consultar a situação de produtos regularizados nos sistemas oficiais da agência.
Suplementos sujeitos a registro devem apresentar o número correspondente na embalagem. Para aqueles submetidos à notificação, o rótulo deve conter a identificação do processo aplicável.
A consulta permite verificar se o produto consta como regularizado, mas a presença de informações na embalagem, isoladamente, não garante sua autenticidade.
A recomendação é desconfiar de anúncios que prometam benefícios extraordinários, resultados imediatos ou tratamento de doenças sem comprovação.
Também é importante evitar a compra de suplementos de origem desconhecida, especialmente quando divulgados exclusivamente por perfis de redes sociais.
Mulheres na perimenopausa devem procurar orientação profissional
A perimenopausa pode provocar alterações físicas e emocionais que interferem na qualidade de vida, mas o acompanhamento deve considerar as características e necessidades de cada mulher.
Diante de sintomas persistentes, a orientação é procurar atendimento médico para avaliar as possibilidades de cuidado e tratamento.
O uso de suplementos sem indicação profissional pode expor a consumidora a riscos desnecessários, inclusive quando o produto é apresentado como natural.
Com o novo alerta, a Anvisa reforça que a ashwagandha não está autorizada como ingrediente de suplementos alimentares no Brasil e que a divulgação de supostos benefícios nas redes sociais não substitui a avaliação de segurança exigida pelas autoridades sanitárias.
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