Maior rodada já realizada pela agência inclui 13 áreas do pré-sal e 313 blocos de concessão, com oportunidades também em bacias do Sudeste
Dois leilões de exploração e produção de petróleo e gás natural colocam 326 blocos em disputa nesta quarta-feira (7). Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), trata-se da maior oferta já realizada pelo órgão.
A rodada é dividida em dois modelos. O primeiro reúne 13 blocos do pré-sal pelo regime de partilha de produção. O segundo oferece 313 áreas pelo regime de concessão, incluindo blocos terrestres e marítimos.
No pré-sal, cinco áreas estão localizadas na Bacia de Campos — Magnetita, Turmalina, Hematita, Larimar e Azurita — e oito na Bacia de Santos: Jade, Aragonita, Cruzeiro do Sul, Opala, Granada, Cerussita, Rubi e Rodocrosita.
A região concentra atualmente a maior parte da produção nacional de petróleo e gás. Em setembro, o pré-sal respondeu por 82,6% da produção brasileira.
Dezenove empresas foram habilitadas para participar dessa etapa, entre elas Petrobras, BP, Chevron, Equinor, Shell, Sinopec e TotalEnergies. A habilitação, entretanto, não significa necessariamente que todas apresentarão ofertas.
Pelo regime de partilha, vence a disputa a empresa ou consórcio que oferecer à União a maior parcela do petróleo excedente produzido. A Petrobras possui direito de preferência e pode decidir se deseja atuar como operadora de determinada área, com participação mínima de 30% no consórcio vencedor.
313 blocos entram no modelo de concessão
A segunda etapa reúne 313 blocos distribuídos em 22 setores. As áreas incluem exploração em terra e no mar, entre elas regiões de pós-sal na costa do Sudeste.
Dois setores pertencem à Bacia do Ceará, na Margem Equatorial, considerada uma das novas fronteiras de exploração de petróleo do país.
O interesse sobre a região aumentou após descobertas relevantes na Guiana e no Suriname e novas ocorrências de petróleo identificadas no lado brasileiro da Margem Equatorial.
Embora essa faixa se estenda pelas costas das regiões Norte e Nordeste, apenas áreas da Bacia do Ceará fazem parte do leilão desta quarta-feira.
O ciclo de concessão também inclui cinco blocos classificados como áreas de acumulação marginal, localizados nos setores Potiguar e Tucano Sul. São campos com produção inativa ou anteriormente devolvidos à agência por falta de interesse econômico.
Ao todo, 46 empresas estão habilitadas para participar da rodada de concessão.
Espírito Santo está entre áreas vistas com potencial
Entre as regiões analisadas pelo setor estão áreas marítimas de pós-sal das bacias do Espírito Santo, Campos e Santos.
A avaliação é de que essas bacias, embora consideradas maduras, ainda podem despertar interesse de grandes petroleiras e de empresas independentes devido à infraestrutura já instalada para exploração e produção.
Especialistas do setor apontam que a oferta de novos blocos também é considerada importante para repor reservas, já que os projetos de petróleo exigem anos entre a descoberta de uma jazida e o início efetivo da produção.
Blocos foram retirados da disputa
Cinco blocos da Bacia do Parnaíba foram retirados da rodada antes da realização do leilão. Segundo a ANP, a medida ocorreu após a identificação de erro na aplicação de critérios socioambientais utilizados para delimitar as áreas.
Organizações ambientalistas também questionam parte das ofertas e apontam possíveis impactos sobre territórios indígenas e quilombolas, assentamentos da reforma agrária, unidades de conservação e áreas utilizadas pela pesca artesanal.
Enquanto representantes da indústria defendem as rodadas como instrumento para atrair investimentos e renovar as reservas brasileiras, entidades socioambientais pedem maior cautela na abertura de novas áreas de exploração.
Nos leilões anteriores, a rodada de partilha realizada em 2025 terminou com cinco dos sete blocos ofertados arrematados. Já o ciclo de concessão do mesmo ano resultou na assinatura de 34 contratos e previsão de investimentos mínimos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão na fase exploratória.