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Agricultura e pecuária acumulam R$ 7,3 bilhões em prejuízos causados por desastres em três meses

Levantamento da CNM aponta perdas superiores a R$ 12,6 bilhões no Brasil entre julho e setembro de 2026, com a agricultura entre os setores mais afetados pela seca e por outros eventos climáticos extremos

Vitória News 14/10/2026 06:52
Agricultura e pecuária acumulam R$ 7,3 bilhões em prejuízos causados por desastres em três meses
Foto: Marquezan Araujo/Br61

A agricultura e a pecuária brasileiras acumularam R$ 7,3 bilhões em prejuízos provocados por desastres entre julho e setembro de 2026. Os dados constam do Boletim El Niño 2026/2027, divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que estima perdas superiores a R$ 12,6 bilhões no país durante o período analisado.

Do total registrado nas atividades agropecuárias, R$ 5,6 bilhões correspondem à agricultura e R$ 1,7 bilhão à pecuária. Os números colocam a produção agrícola entre os segmentos econômicos mais prejudicados pelos desastres registrados nos municípios brasileiros.

O levantamento considera informações de cidades que decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública entre 1º de julho e 30 de setembro deste ano.

Entre os eventos analisados estão seca, estiagem, incêndios e excesso de chuvas, cujos efeitos variam conforme as características climáticas e econômicas de cada região.

Além de afetar a produção rural, os desastres provocaram prejuízos ao comércio, à indústria, aos serviços, à infraestrutura pública e às unidades habitacionais.

Agricultura concentra maior volume de perdas econômicas

Com prejuízos estimados em R$ 5,6 bilhões, a agricultura foi a atividade econômica com maior volume de perdas identificado no levantamento da CNM.

Os danos ao setor estão relacionados aos efeitos dos eventos climáticos sobre as atividades produtivas, especialmente em regiões atingidas por períodos prolongados de seca e estiagem.

A falta de chuvas pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, reduzir a disponibilidade de água no solo e prejudicar o rendimento das culturas, com consequências para a renda dos produtores e a economia dos municípios dependentes da atividade agrícola.

No Nordeste, os prejuízos à agricultura chegaram a R$ 3,4 bilhões, em um cenário marcado por seca e estiagem.

A região concentrou, portanto, uma parcela expressiva das perdas agrícolas identificadas no estudo, evidenciando a vulnerabilidade das atividades rurais diante da escassez hídrica.

Os valores correspondem às estimativas reunidas pela CNM a partir das informações municipais e não representam necessariamente perdas financeiras já consolidadas em todos os setores atingidos.

Pecuária registra R$ 1,7 bilhão em prejuízos

A pecuária também foi afetada pelos desastres registrados no terceiro trimestre de 2026, acumulando perdas estimadas em R$ 1,7 bilhão.

Entre os riscos associados aos períodos de seca e estiagem estão a redução da disponibilidade de pastagens, a escassez de água para os rebanhos e as dificuldades para manutenção das atividades produtivas.

A redução da oferta de forragem pode exigir medidas adicionais de alimentação e manejo dos animais, ampliando os desafios enfrentados pelos pecuaristas.

Eventos como incêndios e excesso de chuvas também podem comprometer áreas utilizadas na criação de animais, instalações rurais e condições de acesso às propriedades.

O boletim reúne os valores declarados pelos municípios atingidos, sem detalhar, nas informações divulgadas, a distribuição dos prejuízos da pecuária por tipo de criação.

Comércio, serviços e indústria também registram perdas

Os impactos dos desastres não ficaram restritos às atividades rurais. Setores urbanos também apresentaram prejuízos expressivos no período.

O comércio registrou perdas estimadas em R$ 895,8 milhões, enquanto o setor de serviços acumulou R$ 383 milhões.

Na indústria, os prejuízos chegaram a R$ 123,8 milhões.

Somados, esses três segmentos tiveram aproximadamente R$ 1,4 bilhão em perdas entre julho e setembro.

Os danos associados aos desastres podem atingir estabelecimentos comerciais, equipamentos, estoques, estruturas produtivas e a continuidade das atividades econômicas, dependendo da natureza e da intensidade de cada ocorrência.

A interrupção de serviços, as dificuldades de deslocamento e os danos à infraestrutura também podem ampliar as consequências econômicas para empresas e trabalhadores.

No conjunto das atividades privadas, a CNM contabilizou prejuízos estimados em R$ 8,8 bilhões.

Prejuízos públicos chegam a R$ 3,6 bilhões

Além das perdas enfrentadas pelas atividades econômicas, os desastres provocaram danos às estruturas e aos serviços sob responsabilidade do poder público.

Segundo o boletim, os prejuízos públicos foram estimados em R$ 3,6 bilhões durante os três meses analisados.

Esses valores representam uma pressão adicional sobre as administrações municipais, que precisam atender às necessidades emergenciais da população e organizar medidas de recuperação das áreas atingidas.

O levantamento também identificou R$ 283,4 milhões em danos a unidades habitacionais.

Os números evidenciam que os efeitos dos desastres ultrapassam as perdas diretamente relacionadas à produção e atingem diferentes aspectos da vida econômica e social dos municípios.

Para as prefeituras, a ocorrência de eventos extremos pode exigir a mobilização de recursos financeiros, equipes técnicas e estruturas de atendimento, além da revisão de prioridades administrativas.

El Niño exige atenção ao planejamento municipal

O Boletim El Niño 2026/2027 integra o acompanhamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios sobre os impactos dos desastres e os riscos associados às condições climáticas no território brasileiro.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que pode provocar alterações nos padrões de circulação atmosférica e influenciar a distribuição das chuvas em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, seus efeitos não ocorrem de maneira uniforme. Dependendo da região e do período do ano, podem ser observadas mudanças na frequência e na intensidade das precipitações, além de alterações nas temperaturas.

É importante destacar que o levantamento da CNM reúne prejuízos causados por diferentes tipos de desastres no período pesquisado. Os valores não significam que todas as ocorrências tenham sido provocadas diretamente pelo El Niño.

O acompanhamento dos riscos climáticos é considerado fundamental para que os municípios possam antecipar medidas de prevenção e reduzir os danos à população e às atividades econômicas.

CNM recomenda atualização dos planos de contingência

Diante dos prejuízos registrados, a Confederação Nacional de Municípios reforça a necessidade de ampliar o planejamento preventivo das administrações locais.

Entre as principais recomendações estão a atualização dos planos municipais de contingência e dos mapeamentos de áreas de risco.

Os planos de contingência estabelecem procedimentos para orientar a atuação do poder público diante de situações emergenciais, incluindo a mobilização de equipes, a organização dos serviços e as medidas de proteção à população.

Já o mapeamento de áreas de risco permite identificar localidades mais vulneráveis a eventos como inundações, deslizamentos, estiagens e outros fenômenos capazes de provocar danos.

A CNM também disponibiliza a Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026, com orientações para apoiar os gestores municipais na preparação para os riscos climáticos.

A proposta é fortalecer a capacidade de prevenção, resposta e recuperação dos municípios, reduzindo a exposição de pessoas, atividades produtivas e estruturas públicas aos efeitos dos desastres.

Confira os prejuízos registrados entre julho e setembro de 2026

Agricultura: R$ 5,6 bilhões

Pecuária: R$ 1,7 bilhão

Comércio: R$ 895,8 milhões

Serviços: R$ 383 milhões

Indústria: R$ 123,8 milhões

Total de prejuízos privados: R$ 8,8 bilhões

Prejuízos públicos: R$ 3,6 bilhões

Danos a unidades habitacionais: R$ 283,4 milhões

Total estimado de perdas no Brasil: mais de R$ 12,6 bilhões

Nordeste concentra perdas expressivas na agricultura

Um dos principais destaques do levantamento é a situação do Nordeste, onde os prejuízos agrícolas alcançaram R$ 3,4 bilhões.

A região enfrenta desafios recorrentes relacionados à irregularidade das chuvas, especialmente em áreas nas quais a atividade agrícola depende diretamente das precipitações.

Em períodos de estiagem prolongada, as condições de produção podem se deteriorar, afetando o desenvolvimento das culturas e a capacidade de recuperação das propriedades rurais.

Os impactos também podem alcançar o abastecimento de água e a criação de animais, ampliando as dificuldades econômicas de comunidades que dependem das atividades agropecuárias.

Os dados apresentados pela CNM reforçam a importância de políticas de adaptação climática, planejamento hídrico e mecanismos de proteção às atividades produtivas.

Prevenção pode reduzir impactos de novos desastres

O levantamento da CNM mostra a dimensão econômica dos prejuízos associados aos desastres naturais e evidencia a necessidade de preparação dos municípios para ocorrências futuras.

A atualização dos instrumentos de planejamento, o monitoramento das condições meteorológicas e a identificação antecipada de áreas vulneráveis são medidas que podem contribuir para reduzir os riscos.

No setor agropecuário, a adoção de práticas de conservação do solo e da água, o planejamento das atividades produtivas e o acompanhamento das previsões climáticas também podem auxiliar os produtores na preparação para condições adversas.

Para as administrações municipais, o desafio envolve conciliar as ações emergenciais com investimentos permanentes em prevenção e capacidade de resposta.

Os dados do período de julho a setembro de 2026 demonstram que os prejuízos provocados pelos desastres alcançam tanto o campo quanto as cidades, comprometendo atividades econômicas, patrimônio e estruturas públicas.

Fonte: Confederação Nacional de Municípios (CNM) — Boletim El Niño 2026/2027, com informações do Br61.

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