Triagens serão realizadas nas escolas e alunos com alterações visuais terão atendimento oftalmológico e óculos gratuitos
Viana implantou o primeiro Observatório Municipal de Saúde Ocular do país com triagem ativa nas escolas públicas. A iniciativa deverá avaliar aproximadamente 15 mil estudantes da rede municipal ao longo dos próximos nove meses.
O projeto reúne a Prefeitura de Viana, o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Cepedi) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A ação também conta com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Gilson Daniel.
As avaliações serão feitas diretamente nas unidades de ensino, por meio de uma metodologia que combina tecnologia, atendimento médico e análise de dados. O objetivo é identificar precocemente dificuldades visuais que possam prejudicar o aprendizado e a permanência dos estudantes na escola.
O Observatório incorpora o projeto social “Em Um Piscar de Olhos” a uma plataforma de pesquisa e ciência de dados. As informações obtidas nas triagens deverão formar uma base científica para orientar estudos e políticas públicas nas áreas de saúde e educação.
Segundo o prefeito Wanderson Bueno, a iniciativa amplia o trabalho já desenvolvido pelo município na inclusão e no acompanhamento dos estudantes.
“Viana servirá de exemplo para todos os outros municípios do país”, afirmou.
O coordenador do projeto “Em Um Piscar de Olhos”, Pedro Soares, explicou que a iniciativa já atua há cinco anos na identificação de alterações visuais em alunos da rede pública. Em Viana, os resultados também passarão a ser sistematizados para apoiar pesquisas.
“Quando a gente olhar para esse projeto no futuro, vai lembrar que ele nasceu em Viana”, declarou.
Dos atendimentos previstos, cerca de cinco mil serão destinados a estudantes com deficiência, incluindo alunos com transtorno do espectro autista, deficiência auditiva ou limitações motoras. O procedimento foi adaptado para atender às necessidades específicas desse público.
A triagem não exige contato físico nem a dilatação da pupila. O estudante apenas direciona o olhar para um aparelho portátil, que utiliza estímulos visuais e realiza em poucos segundos a medição da refração ocular.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, o equipamento tem índice de precisão superior a 90%.
Os alunos que apresentarem alterações serão encaminhados para um mutirão de saúde ocular, com consultas realizadas por médicos oftalmologistas. Quando houver indicação de correção visual, os estudantes receberão óculos personalizados gratuitamente.
O pedagogo Rafael Rangel, que será um dos pontos focais do projeto no município, lembrou que uma professora identificou sua dificuldade para enxergar ainda durante a infância.
“Quando enxergamos o mundo, nós somos pessoas melhores. Aconteceu na minha vida e acontecerá na vida de todas as crianças que precisarem”, disse.
A professora Karen Cristina também relatou que começou a usar óculos aos 10 anos, depois de perceber que não conseguia acompanhar o conteúdo escrito no quadro, mesmo sentada nas primeiras carteiras.
“Se você não consegue enxergar direito, você não consegue participar”, comentou.
A estudante Esther Malta contou que sua dificuldade visual foi percebida por uma professora quando estava no quinto ano. Para ela, o novo atendimento poderá alcançar alunos cujas famílias não têm condições de pagar por consultas e óculos.
“Eu acredito que o observatório ajudará muito, principalmente quem não tem condições”, afirmou.
A implantação do Observatório amplia as ações de inclusão já desenvolvidas em Viana. Um levantamento realizado em 2026 identificou 16 estudantes cegos ou com baixa visão matriculados em nove unidades municipais de ensino.
O mapeamento orienta a adaptação de materiais, a oferta de recursos em Braille, o uso de tecnologias assistivas e o acompanhamento individualizado dos alunos.
O município também firmou parceria com a Fundação Dorina Nowill para adquirir 50 kits LEGO Braille Bricks. O material utiliza peças com caracteres em Braille para tornar a alfabetização mais interativa e favorecer atividades conjuntas entre estudantes com e sem deficiência visual.
Desde 2017, Viana mantém o projeto “Um Olhar Além do Alcance”, voltado ao atendimento educacional especializado de alunos cegos ou com baixa visão. A aquisição de livros em Braille integra as políticas municipais desde 2014.
A secretária municipal de Educação, Angela Cavati, destacou a relação entre saúde visual, alfabetização e participação nas atividades escolares.
“A visão é a principal porta de entrada para o aprendizado e para o desenvolvimento pleno dos nossos estudantes. Identificar e tratar essas dificuldades dentro do ambiente escolar é uma ação de grande impacto pedagógico e social”, declarou.
Com informações da Prefeitura de Viana