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Política

Valdemar sinaliza abertura para projeto que reduz penas de condenados por atos golpistas

FolhaPress 30/09/2025 18:43

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu nesta terça-feira (30) com o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) para tratar do projeto que perdoa condenados pelos atos golpistas e, segundo participantes do encontro, sinalizou abertura a um texto que signifique redução de penas, não anistia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A frase do presidente do partido de Jair Bolsonaro (PL) foi, de acordo com essas pessoas, a de que ele não poderia ser contra um projeto que signifique a soltura de pessoas hoje presas pelos ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

A sinalização vinda do mais graduado dirigente do partido contrasta com o discurso público do bolsonarismo de que não aceita nada menos do que a "anistia ampla, geral e irrestrita", inclusive para Bolsonaro e os outros sete condenados por integrar a cúpula da trama golpista.

Na saída do encontro, Paulinho --que é o relator do texto na Câmara-- e o líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), deram entrevista em que reafirmaram as posições já defendidas anteriormente, sem sinalização de que haja, por ora, acordo.

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Paulinho voltou a dizer que busca um texto que atenda à média da opinião da Câmara e que resulte em redução de penas, não anistia. Sóstenes voltou a dizer que o partido defende a anistia ampla, mas que está aberto às conversas com Paulinho, até no sentido de tentar convencê-lo a abraçar a ideia.

Nos bastidores, integrantes do PL favoráveis a um acordo em torno da redução de penas dizem que o maior problema não está nos políticos, mas sim na militância mais radical e na família dos presos.

Eles citam enquete feita entre esses familiares em que, segundo a associação que os representa, mais de 80% rejeitaram redução de penas e soltura dos presos somente, defendendo majoritariamente a anistia que não só liberte os familiares, mas que deixe a ficha criminal limpa dessas condenações. Alguns, dizem parlamentares, estariam pleiteando inclusive cobrança de indenização ao Estado.

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Aliados de Jair Bolsonaro dizem que ele estaria de acordo com um projeto de redução de penas, contanto que haja a garantia da manutenção da prisão domiciliar. Eles dizem que o ex-presidente está fragilizado e quer evitar ao máximo a ida para um regime fechado.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento da trama golpista. Outros sete réus foram condenados a penas que vão de 2 a 26 anos.

Cerca de 1.200 pessoas foram responsabilizadas no STF pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Balanço divulgado pela corte em agosto informava que naquela data 29 pessoas estavam presas preventivamente e 112 cumpriam prisão definitiva -outras 44 estavam em prisão domiciliar.

Após encontro com a bancada do PSD, também nesta terça, Paulinho disse ainda que o projeto pode entrar na pauta de votação do plenário da Câmara na semana que vem.

Questionado sobre o imbróglio entre Câmara e Senado, que ele chamou de guerra e que acabou sendo mais um entrave para o avanço do seu texto, o relator afirmou que ficou a cargo de Motta articular a aprovação do projeto com a Casa vizinha.

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"Na conversa que tive de manhã com Hugo Motta, ficou acertado de ele combinar com Davi [Alcolumbre] para que a gente possa pacificar as duas Casas e depois, talvez na semana que vem, votar", disse.

Ainda nesta terça-feira, Paulinho tem em sua agenda reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que declarou, nesta segunda (29), que a redução de penas sem anistia não é suficiente.

Nesta quarta-feira (1º), o relator vai receber para um café da manhã em sua casa familiares de pessoas presas no 8 da Janeiro. Além disso, deve se encontrar com o PDT e o Novo. Somente após essa última rodada de reuniões, Paulinho deve apresentar seu texto, o que ele diz que pode ocorrer nesta semana, mas mais provavelmente na próxima.

Paulinho afirmou ainda que pediu um encontro com o ex-ministro José Dirceu (PT) para tratar do assunto.

Após a reunião no PSD, o líder da bancada, Antonio Brito (BA), afirmou que seu partido precisa aguardar a conclusão do texto para definir uma posição favorável ou contrária, mas defendeu que o assunto avance na Casa e seja concluído, "como é o desejo do nosso presidente Hugo Motta e do colégio de líderes".

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