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União Brasil e PP decidem deixar governo Lula e apoiar anistia a Bolsonaro

FolhaPress 02/09/2025 15:20

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A cúpula da federação União Progressista, dos partidos União Brasil e PP, decidiu nesta terça-feira (2) que todos os filiados das siglas devem deixar o governo Lula (PT), segundo relatos de cinco lideranças dos partidos. Isso significa, portanto, que deverão deixar os cargos os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), deputados federais licenciados pelo PP e pelo União Brasil, respectivamente.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A federação também decidiu apoiar um projeto de anistia a Jair Bolsonaro (PL). O anúncio será feito na tarde desta terça (2), dia do início do julgamento do ex-presidente.

De acordo com relatos, os ministros terão um prazo para deixar o governo —a ideia é que isso ocorra até o fim do mês. Os presidentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, respectivamente, se reuniram na manhã desta terça com aliados para tratar do tema, e uma fala à imprensa está prevista para esta tarde.

SESC PICASSO

A decisão, no entanto, abre brecha para que indicações de políticos desses partidos continuem na Esplanada. O União Brasil tem indicados em mais dois ministérios: Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações). Os dois são indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), considerado um dos principais aliados do Planalto no Congresso hoje, e deverão permanecer nos cargos. Alcolumbre também indicou o nome do presidente da Codevasf, Lucas Felipe de Oliveira.

O PP tem o comando da Caixa Econômica Federal, com Carlos Vieira. Ele foi indicado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e também deverá permanecer no cargo.

A decisão do desembarque do governo petista ocorre uma semana após o presidente da República ter cobrado fidelidade dos ministros do centrão em reunião ministerial e sugerido que eles deixassem o governo se não se sentissem confortáveis em defender a gestão petista.

As declarações aumentaram a pressão interna pelo desembarque —algo que já era defendido por Rueda e Ciro, mas encontrava resistência entre os integrantes das legendas na entrega dos cargos. Além dos postos na Esplanada, as duas siglas têm indicados em cargos federais nos estados.

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No encontro na semana passada, Lula se dirigiu aos ministros do União Brasil e do PP para cobrar que eles se posicionem durante atos de oposição organizados por seus partidos, citando o evento de homologação da federação União Progressista na semana passada que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Tarcísio é apontado como possível adversário do petista na eleição presidencial no próximo ano.

Ainda na reunião, ao falar dos laços com seus ministros, Lula isse que não tinha a pretensão de ser amigo de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Ele afirmou que não gosta do dirigente partidário e que a recíproca também é verdadeira. Lula também citou Ciro Nogueira, lembrando que ele foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) e dizendo que o senador não tem votos para se reeleger no estado no próximo ano.

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As declarações de Lula geraram mal-estar entre integrantes dos dois partidos e levou ao vice-presidente do União, ACM Neto (BA), a pautar o desembarque do governo em reunião da executiva nacional da sigla prevista para ocorrer nesta quarta (3).

Nos últimos dias, tanto Fufuca quanto Sabino pediram ajuda a aliados para tentar distensionar o clima e evitar a saída deles do governo. Isso porque os dois têm pretensões de concorrer ao Senado no próximo ano e planejavam ter o apoio de Lula. Tanto Sabino quanto Fufuca foram indicados à Esplanada pela bancada dos respectivos partidos.

Apesar de comandar os quatro ministérios e a Caixa, os dois partidos têm atuado fortemente pela escolha de Tarcísio para concorrer à Presidência no próximo ano. Como a Folha de S.Paulo mostrou, o possível desembarque das duas legendas tem potencial de ampliar a instabilidade do Executivo no Congresso. O governo veria reduzida sua base oficial para 259 deputados, apenas dois a mais do que a metade, agravando o atual cenário de dificuldades no Congresso.

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