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Trump já rotulou 14 grupos criminosos da América Latina como terroristas

Estadão Conteúdo 28/05/2026 22:03

As facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foram consideradas grupos terroristas internacionais pelo governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 28. Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump já classificou 14 grupos criminosos da região dessa forma. A medida será efetivada no próximo dia 5 de junho.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A designação opõe os governos dos Estados Unidos e do Brasil e virou um tema de atrito na preparação da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, que ocorreu no início deste mês.

A medida será efetivada à revelia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e após pedido expresso e apoio político do pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Procurado, o Itamaraty ainda não se manifestou.

A diplomacia americana havia afirmado ao Estadão, em março deste ano, que o PCC e o CV eram ameaças significativas à segurança regional. O órgão liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um político republicano com raízes familiares cubanas e base eleitoral latino-americana, já designou como terroristas grupos envolvidos em crimes de seis países da região: México (6), Colômbia (1), Venezuela (2), Equador (2), El Salvador (1) e Haiti (2).

Desses, apenas o Equador, de Daniel Noboa, e El Salvador, de Nayib Bukele, têm governos ideologicamente alinhados a Trump e considerados em Washington como parceiros diretos no combate à criminalidade organizada transnacional. Os demais mantêm colaboração, mas seus governos divergem politicamente de Trump.

SESC PICASSO

Noboa e Bukele estavam entre os líderes regionais convidados por Trump para a reunião Escudo das Américas, que discutiu combate à criminalidade.

No comunicado desta quinta-feira, Rubio afirma que as duas facções possuem influência e conexões ilícitas que "se estendem muito além das fronteiras do Brasil, da nossa região e estão dentro do nosso País (EUA)".

"A administração Trump vai continuar a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger a nossa nação e a os nossos interesses de segurança mantendo drogas ilícitas longe das nossas ruas e acabando com os fluxos de rendas que financiam narcoterroristas violentos", escreveu Rubio.

O objetivo da designação é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

Embora a lei americana não autorize ataques militares a partir de tal designação, é comum que organizações tachadas de terroristas sejam alvo militares dos EUA fora de seu território.

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Foi o que aconteceu recentemente nos últimos meses no Caribe e no Pacífico, quando o Comando Sul das Forças Armadas americanas atacaram barcos que supostamente pertenciam a cartéis venezuelanos e mexicanos.

Trump vem sendo questionado também por não pedir aval do Congresso ou do Conselho de Segurança das Nações Unidas para ataques militares.

Esse é um temor do governo brasileiro. Antes da operação militar em Caracas para capturar o ditador Nicolás Maduro, os EUA designaram como terroristas as facções venezuelanas Tren de Aragua e Cartel de Los Soles. O Departamento de Justiça dos EUA chegou a acusar formalmente Maduro de liderar Los Soles, mas depois recuou.

O argumento do combate ao narcotráfico foi usado pelo governo Trump para posicionar embarcações e aeronaves no Mar do Caribe. Eles bombardearam barcos de pequeno porte acusados de transportar drogas, sem que tenham demonstrado a atividade ilegal ou violenta deles, e posteriormente serviram de base para o ataque que derrubou Maduro.

Interlocutores da diplomacia citam ainda o risco de que o sistema financeiro brasileiro seja alvo de sanções americanas, por causa do fluxo de dinheiro do crime organizado, mesmo que bancos não tenham conhecimento da origem ilícita dos recursos.

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Lista de organizações terroristas estrangeiras designadas pelo Departamento de Estado, a partir do segundo mandato de Donald Trump até a presente data:

20 fev 2025 - Cartel de Sinaloa (México)

20 fev 2025 - Cartel de Jalisco Nueva Generación - CJNG (México)

20 fev 2025 - Cartel del Noreste (México)

20 fev 2025 - La Nueva Familia Michoacana (México)

20 fev 2025 - Cartel del Golfo (México)

20 fev 2025 - Carteles Unidos (México)

20 fev 2025 - Tren de Aragua (Venezuela)

20 fev 2025 - Mara Salvatrucha - MS-13 (El Salvador)

05 mar 2025 - Ansarallah

05 mai 2025 - Viv Ansanm (Haiti)

05 mai 2025 - Gran Grif (Haiti)

12 ago 2025 - Balochistan Liberation Army (BLA)

05 set 2025 - Los Choneros (Equador)

05 set 2025 - Los Lobos (Equador)

18 set 2025 - Harakat al-Nujaba (HAN)

18 set 2025 - Kata'ib Sayyid al-Shuhada (KSS)

18 set 2025 - Harakat Ansar Allah al-Awfiya (HAAA)

18 set 2025 - Kata'ib al-Imam Ali (KIA)

24 set 2025 - Barrio 18

20 nov 2025 - Antifa Ost (aka Hammerbande)

20 nov 2025 - Informal Anarchist Federation / International revolutionary Front (FAI/FRI)

20 nov 2025 - Armed Proletarian Justice

20 nov 2025 - Revolutionary Class Self-Defense

24 nov 2025 - Cartel de los Soles (Venezuela)

17 dez 2025 - Clan del Golfo (Colômbia)

14 jan 2026 - Lebanese Muslim Brotherhood

16 mar 2026 - Sudanese Muslim Brotherhood

28 mai 2026 - Primeiro Comando da Capital (PCC)

28 mai 2026 - Comando Vermelho (CV)

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