Serviço conecta consumidores, fabricantes e recicladores para dar destino adequado a equipamentos fora de uso
O descarte de grandes eletrodomésticos, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, ainda é um desafio para muitos consumidores. Além do peso e do volume, esses equipamentos não podem ser abandonados em ruas, rios, terrenos baldios ou lixões, já que possuem peças e materiais que exigem destinação adequada.
Foi o que aconteceu com a comerciante Débora Leitão, moradora de São Paulo, depois que a geladeira dela queimou e não teve conserto. Antes mesmo de receber o novo aparelho, surgiu a dúvida sobre como descartar o equipamento antigo. A solução veio pela internet, por meio de um serviço gratuito de coleta para itens com mais de 30 quilos.
Segundo ela, após o cadastro, a equipe responsável entrou em contato rapidamente e agendou a retirada do eletrodoméstico em casa. O serviço evita que equipamentos grandes sejam descartados de forma irregular e ajuda a reinserir materiais na cadeia produtiva.
A iniciativa faz parte de um modelo de economia circular. A proposta é conectar quem precisa descartar um produto, os fabricantes que têm responsabilidade sobre esses resíduos e empresas capazes de coletar, desmontar, reciclar ou reaproveitar partes dos equipamentos.
De acordo com Marcello Fornari, cofundador da Circular Brain, a logística reversa deixou de ser apenas uma obrigação ambiental e passou a ser também uma estratégia para recuperar matérias-primas que seriam perdidas. A plataforma criada pela empresa organiza essa rede e permite acompanhar o caminho dos materiais coletados.
O sistema reúne fabricantes, importadores, consumidores, empresas, órgãos públicos, assistências técnicas, catadores, recicladores e indústrias de transformação. A partir dessa conexão, os pedidos de descarte são direcionados para operadores cadastrados em diferentes regiões do país.
Esses parceiros passam por acompanhamento, auditorias e verificação documental. A ideia é garantir que o material recolhido tenha destinação ambientalmente adequada e que o processo possa ser rastreado.
Além da coleta, a plataforma registra informações sobre os equipamentos descartados. Esse banco de dados ajuda a identificar peças, materiais e volumes processados, contribuindo para melhorar a gestão dos resíduos eletroeletrônicos.
Para Fornari, a capilaridade é essencial. Sem uma rede de parceiros, o custo de retirar grandes equipamentos em diferentes cidades seria alto demais, o que dificultaria a operação. Com o modelo em rede, a coleta pode ser feita em domicílios e empresas de várias regiões.
Em 2025, a empresa processou 80 mil toneladas de materiais. Desse total, 500 toneladas vieram do sistema de coleta. Foram mais de 12 mil visitas a residências e empresas para recolher produtos e encaminhá-los ao destino correto.
Para solicitar o serviço, o consumidor deve acessar a plataforma, informar o CEP, cadastrar os dados do produto e escolher uma data de preferência. Depois, a confirmação da retirada é feita por WhatsApp, com prazo de até dez dias úteis.
O descarte correto evita que eletrodomésticos acabem em locais inadequados e reduz riscos de contaminação ambiental. Também permite reaproveitar metais, plásticos e outros componentes, diminuindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
Com informações da Agência Brasil.