Estiagem, baixa umidade e avanço do El Niño elevam o risco de fogo, principalmente no Norte e em áreas do Centro-Oeste; 2.482 municípios estão em nível de atenção
Mais de 500 municípios brasileiros estão classificados em alerta alto para risco de incêndios florestais até novembro, em meio à combinação de estiagem prolongada, baixa umidade do ar e intensificação do El Niño.
As áreas mais críticas estão concentradas principalmente na Região Norte e em parte do Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, sul do Amazonas, Pará e regiões próximas. Já no Sul do país, o cenário é menos severo.
O monitoramento federal também indica que 2.482 municípios estão na categoria de atenção, o que mostra uma distribuição ampla das condições favoráveis à propagação do fogo.
As chuvas registradas de forma atípica em algumas áreas no início de setembro não foram suficientes para alterar de maneira significativa a projeção para os próximos meses.
O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade elevada de ocorrência de um El Niño forte entre setembro e novembro.
O fenômeno tende a favorecer temperaturas acima da média e redução das chuvas em parte do centro-norte do país, cenário que contribui para a secagem da vegetação e aumenta o risco de incêndios florestais.
No fim de julho, o governo federal anunciou um planejamento de R$ 1,335 bilhão para ações de preparação e resposta aos possíveis impactos do El Niño.
Desse total, R$ 337 milhões correspondem a crédito extraordinário destinado à fiscalização ambiental, monitoramento e prevenção e combate a incêndios florestais.
Além desse pacote, investimentos estruturantes realizados com recursos do Fundo Amazônia somam R$ 521 milhões para aquisição de equipamentos e fortalecimento da capacidade de prevenção e combate ao fogo na Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Os recursos também apoiam a capacitação de bombeiros, brigadistas e integrantes de povos e comunidades tradicionais.
Manejo do fogo ainda enfrenta dificuldades nos estados
O período mais seco também aumenta a pressão sobre a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944, de 2024.
A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre União, estados, Distrito Federal, municípios, sociedade civil e setor privado e prevê instrumentos de prevenção, planejamento e atuação de brigadas florestais.
Levantamentos sobre a capacidade dos estados mostram, porém, diferenças importantes na adoção dessas políticas. Mato Grosso do Sul está entre as unidades da federação que já contam com plano estadual de manejo integrado do fogo.
A estrutura financeira para enfrentar eventos climáticos também permanece desigual. Estudo do Centro Brasil no Clima aponta que apenas oito estados possuem fundos específicos de mudanças climáticas em funcionamento.
O diagnóstico indica ainda que parte significativa dos governos estaduais continua concentrando recursos e equipes na resposta às emergências, enquanto políticas permanentes de prevenção, adaptação e gestão do risco avançam de forma mais lenta.
Com a expectativa de intensificação do El Niño nos próximos meses, órgãos federais recomendam acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e dos alertas de incêndio, especialmente nas áreas do Norte e do Centro-Oeste mais expostas à combinação de altas temperaturas, vegetação seca e baixa umidade.