Operação identificou 8,3 mil hectares de desmatamento ilegal em 17 estados; monitoramento por satélite amplia capacidade de preservar e recuperar um dos biomas mais ameaçados do país
O uso de tecnologia, monitoramento permanente e fiscalização integrada está ampliando a capacidade de proteção da Mata Atlântica. Em dez dias de operação nacional, equipes ambientais analisaram 1.520 alertas e constataram 8.370,28 hectares de desmatamento ilegal nos 17 estados abrangidos pelo bioma.
Os dados fazem parte do balanço preliminar da nona edição da Operação Mata Atlântica em Pé, realizada entre os dias 17 e 27 de agosto.
A ação utiliza informações obtidas por sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta, para localizar rapidamente áreas onde existem indícios de retirada ilegal de vegetação. A partir desses dados, as equipes realizam fiscalizações presenciais ou remotas e adotam medidas para interromper a degradação e responsabilizar os infratores.
Drones, imagens de satélite e ferramentas de georreferenciamento também são empregados para aumentar a precisão das inspeções e reduzir o tempo entre a identificação do desmatamento e a atuação dos órgãos ambientais.
O avanço da fiscalização ocorre em um momento de melhora dos indicadores de conservação da Mata Atlântica. Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais mostram que o desmatamento de florestas maduras caiu 40% no período mais recente, atingindo o menor nível em quatro décadas de monitoramento.
Na comparação com 2020-2021, a redução chega a 60%.
O resultado mostra que políticas de conservação combinadas com tecnologia e fiscalização podem produzir efeitos concretos na preservação do bioma. A cobertura dos alertas fiscalizados também aumentou, passando de 85,8% para 96,7%.
Mais fiscalização e responsabilização
Durante a edição de 2026, a operação já resultou em aproximadamente R$ 100 milhões em multas ambientais.
Minas Gerais concentrou a maior extensão fiscalizada, com mais de 3 mil hectares, seguido pelo Paraná, com aproximadamente 2 mil hectares, e Pernambuco, com mais de 470 hectares.
Os números ainda são preliminares porque alguns estados continuam consolidando informações sobre autuações e outras medidas administrativas.
Quando uma irregularidade é confirmada, além das multas e embargos, os responsáveis podem ser obrigados a promover a reparação integral dos danos ambientais e climáticos.
Também podem ser aplicadas restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao acesso ao crédito rural e a outros instrumentos previstos na legislação. A responsabilização administrativa não impede ainda a apuração de eventuais crimes ambientais.
Espírito Santo é reconhecido pela fiscalização
O Espírito Santo ganhou destaque nacional pelo trabalho de monitoramento e proteção da Mata Atlântica.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e os órgãos estaduais de fiscalização ambiental, representados pela Polícia Ambiental, venceram a categoria “Fiscalização de Alertas de Desmatamento” da primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé.
O reconhecimento foi concedido pelo alto grau de efetividade alcançado pelo Estado na fiscalização dos alertas de desmatamento desde a primeira edição da operação.
No Espírito Santo, a operação deste ano mobilizou equipes do Ministério Público, Polícia Militar Ambiental, Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Ibama, Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
As ações estaduais ocorreram em três municípios da região Sudoeste Serrana. Dados preliminares divulgados pelo MPES indicam que quase 100 pontos foram fiscalizados e as multas já ultrapassam R$ 500 mil.
O balanço definitivo da operação no Espírito Santo será apresentado nesta segunda-feira (31).
Mata Atlântica tem papel estratégico para sustentabilidade
A proteção da Mata Atlântica vai além da preservação da vegetação. O bioma desempenha funções essenciais para a segurança hídrica, regulação do clima, conservação da biodiversidade, proteção do solo e redução dos efeitos de eventos climáticos extremos.
A recuperação das áreas degradadas também contribui para a captura de carbono e para a manutenção de serviços ambientais fundamentais às cidades, ao campo e às atividades econômicas.
A Operação Mata Atlântica em Pé reúne Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A coordenação nacional é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica e de sistemas de inteligência geoespacial.
O trabalho ocorre no ano em que a Lei da Mata Atlântica completa 20 anos. A legislação estabelece instrumentos para proteger, conservar e recuperar a vegetação nativa e permanece como uma das principais bases jurídicas para conter a perda de áreas do bioma no país.
Fonte: Abrampa, Fundação SOS Mata Atlântica e Ministério Público do Espírito Santo