A curva de juros futuros abriu a semana em alta e ganhou inclinação nesta segunda-feira, 28, mesmo com a moderação do petróleo. A commodity passou a operar perto da estabilidade em meio a relatos de que o Irã concordou em suspender o enriquecimento de urânio se os Estados Unidos flexibilizarem sanções. A perspectiva de uma política monetária mais apertada nos EUA, porém, manteve os Treasuries sob pressão, o que, aliado à cautela com o quadro eleitoral doméstico, elevou os prêmios dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs), especialmente na ponta longa.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu a 13,565%, de 13,548% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 aumentou de 13,814% no ajuste a 13,89%, e o para janeiro de 2031 avançou a 14,05%, vindo de 13,934%.
Em igual horário, a taxa da T-note de dez anos anotava alta de 5,165% a 5,233%, e a do T-bond de 30 anos tinha avanço de 5,496% a 5,550%. Os dois vencimentos chegaram a alcançar máximas em cerca de 20 anos na sessão, refletindo não só as incertezas sobre a guerra no Oriente Médio, mas também nas apostas para a condução dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
"Vemos espaço adicional para que os juros continuem abrindo, à medida que os mercados precificam um pico mais alto para a taxa de juros do Fed", afirmou a estrategista de juros do BofA Securities, Meghan Swiber. Sem forward guidance do presidente do BC americano, Kevin Warsh, ela avalia que os investidores provavelmente continuarão precificando altas adicionais enquanto o crescimento econômico nos EUA permanecer resiliente e a inflação seguir elevada.
Ainda no exterior, as cotações do petróleo tiveram uma sessão volátil, oscilando em meio ao impasse no diálogo entre Washington e Teerã e também com a navegação no Estreito de Ormuz ainda prejudicada. O barril do tipo Brent para dezembro, porém, fechou em alta comedida, de 0,4%, e abaixo de US$ 100 (US$ 97,83), tendo no radar relatos de que a Arábia Saudita elevou o fluxo no oleoduto Leste-Oeste.
Embora a aversão ao risco que contaminou a renda fixa global tenha sido o maior driver da alta dos juros nesta segunda, o gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, acrescenta que a postura fiscal recente do governo e a proximidade das eleições também ajudam a explicar o comportamento dos DIs.
Para Oliveira, o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do programa de renegociação de dívidas - o Desenrola -, as medidas para baratear os preços dos combustíveis e, por último, a Medida Provisória assinada para proibir a operação de empresas de apostas no País vão na direção de maior expansionismo fiscal às vésperas do primeiro turno da disputa presidencial, que ocorre neste domingo, 4.
"Todas as últimas ações do governo vêm corroborando o descontrole fiscal, a seis dias das eleições", afirmou, num cenário de disputa bastante acirrada entre os dois principais candidatos, mas no qual grande parte do mercado adotou preferência pela direita pela expectativa de consolidação fiscal em 2027.
Ainda que mantendo o quadro de empate técnico entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, as pesquisas divulgadas nesta segunda mostraram ligeira melhora das intenções de voto no petista. Lula tem 46% em eventual segundo turno contra Flávio, que registra 44%, segundo a BTG/Nexus divulgada nesta segunda. No primeiro turno, o presidente oscilou dois pontos para cima em relação à rodada anterior, a 42%, enquanto o senador manteve os mesmos 37%.
Já na Quaest, Lula oscilou de 37% a 39% no 1º turno, e Flávio foi de 33% a 34%. No segundo turno, ambos aparecem com 42%, mas Lula ganhou um ponto em relação à edição anterior, enquanto o filho de Jair Bolsonaro marcou estabilidade.