Organização de proteção animal afirma ter registrado descarte de machos recém-nascidos em incubatório; prática reacende debate sobre sexagem ainda no ovo
Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) afirma ter documentado a morte de cerca de 35 mil pintinhos machos em um único dia em um incubatório de grande porte na Região Sul do país. Segundo a entidade, os animais foram triturados ainda vivos nas primeiras 24 horas após o nascimento.
A organização informa que o procedimento foi realizado em equipamentos industriais conhecidos como maceradores. Os pintinhos machos são descartados na cadeia de produção de ovos porque não produzem ovos e não pertencem às linhagens selecionadas para produção de carne.
A estimativa citada pela MFA é de que mais de 85 milhões de pintinhos machos sejam descartados por ano no Brasil. Aproximadamente metade dos animais que nascem em incubatórios é formada por machos.
A investigação também relata o descarte de fêmeas consideradas inadequadas para a produção de ovos ou excedentes à demanda das granjas.
Uma das alternativas discutidas pelo setor é a sexagem in ovo, tecnologia capaz de identificar o sexo da ave durante a incubação. Com isso, ovos com embriões machos podem ser retirados do processo antes da eclosão.
O tema também está em discussão no Congresso. O PL 783/2024 propõe proibir o descarte de pintinhos machos recém-eclodidos por meio da adoção de tecnologias de sexagem in ovo.
Outro projeto, o PL 3034/2026, também trata da proibição do abate indiscriminado de pintinhos machos na cadeia de produção de ovos.
A discussão envolve bem-estar animal, custos de produção e disponibilidade de tecnologias capazes de substituir o descarte de machos logo após o nascimento.