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Economia

Taxas de juros longas sobem com possível aval de Lula a Mello no BC e risco fiscal

Estadão Conteúdo 04/02/2026 18:54

A curva a termo percorreu o pregão desta quarta-feira, 4, com ganho de inclinação, ainda que a alta nos trechos mais distantes não tenha passado de 10 pontos-base ante os ajustes anteriores. A ponta curta, por sua vez, operou em estabilidade, com viés de baixa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A dinâmica mais pressionada dos DIs do miolo e da parte longa da curva teve como pano de fundo o fortalecimento global do dólar, que inverteu o sinal negativo observado até a primeira etapa dos negócios.

Já no âmbito doméstico, agentes do mercado divergem sobre se o aumento nos prêmios de risco refletiu mais a questão fiscal, devido ao projeto de lei aprovado na terça-feira no Congresso que amplia a remuneração de servidores e cria cargos no Executivo, ou, novamente, mal-estar com a nomeação de Guilherme Mello para um dos cargos vagos na diretoria do Banco Central.

Segundo notícia da Reuters divulgada no fim da tarde de quinta, o presidente Lula se encaminha para confirmar a indicação, que deve se destinar à diretoria de Política Econômica, uma das mais importantes da autarquia.

SESC PICASSO

Já com os negócios fechados, a Câmara aprovou um PL que abre 16,3 mil cargos no Ministério da Educação, 1.500 cargos no Ministério de Gestão e Inovação e cria um Instituto Federal em Patos (PB), com impacto orçamentário estimado em R$ 5,3 bilhões para 2026. A Casa ainda deu aval a outro projeto que traz gratificações para servidores do Congresso, em valor estimado de cerca de R$ 800 milhões.

Com os investidores digerindo os dois temas, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 avançou de 12,687% no ajuste anterior para 12,75% no fechamento. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,079% no ajuste antecedente a 13,15%. Já o vértice negociado para janeiro de 2027 oscilou de 13,418% no ajuste a 13,405%, com apostas de redução de 0,50 ponto da Selic em março ainda ganhando terreno.

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Segundo um profissional de renda fixa de uma grande gestora de recursos, que falou sob condição de anonimato, o impacto orçamentário do PL dos servidores é "inexpressivo". Mas o conjunto de notícias do dia, com os ruídos fiscais e em torno da nomeação de Mello, somados a um ambiente externo de bolsas em queda e dólar para cima e, por fim, ajustes técnicos após um fechamento expressivo dos DIs em janeiro, seria condizente com a inclinação da curva na sessão.

"O mercado ainda não está confiante em um ciclo maior que 300 pontos-base de corte na Selic. Parece não ter um 'trigger' imediato para o mercado ir para 400 pontos-base de corte, por exemplo. Então qualquer ruído pode gerar alguma correção nos juros", disse o participante do mercado.

Gestor de portfólio da Connex Capital, Gean Lima pondera que as movimentações na curva de juros desta quarta foram modestas. De qualquer forma, avalia que tanto a preocupação com o quadro fiscal quanto a indicação - agora não mais uma especulação - do atual secretário de Política Econômica da Fazenda para integrar o quadro de diretores do BC fizeram preço.

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"O papel da diretoria a que Mello deve ser indicado é relevante, porque realiza todas as pesquisas econômicas e análises. É um cargo que tem um certo poder para influenciar outras cadeiras na diretoria do BC", menciona Lima. Os investidores estão receosos devido à proximidade de Mello com o governo petista, que aumentaria o risco de interferência do Executivo em decisões da autoridade monetária, e em razão de sua orientação mais heterodoxa na economia.

Já um outro profissional do mercado, que falou de forma reservada à Broadcast sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, avalia que a sinalização expansionista vinda do Congresso parece ter sido mais relevante para explicar a abertura dos DIs médios e longos. Ele destaca, porém, que a variação nas taxas ficou praticamente em linha com a volatilidade diária. "Mas com 24 horas de volta do Congresso após recesso, já tivemos este sinal", disse ele, referindo-se ao PL com impacto no orçamento público aprovado terça.

Contato: aricia.martins@estadao.com

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