Espécie que inspirou o Fuleco segue ameaçada de extinção e sofre com perda de habitat na Caatinga
O tatu-bola, animal que inspirou o Fuleco, mascote da Copa do Mundo de 2014, continua ameaçado de extinção no Brasil. Mesmo depois da visibilidade internacional conquistada durante o Mundial, a espécie ainda enfrenta perda de habitat, caça ilegal, avanço da agropecuária, abertura de estradas e expansão de empreendimentos de energia na Caatinga.
Exclusivamente brasileiro, o tatu-bola da espécie Tolypeutes tricinctus é encontrado principalmente em estados do Nordeste, como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. O animal vive em áreas de vegetação seca e tem hábitos noturnos, saindo para se alimentar de formigas, cupins, larvas e pequenos insetos.
A situação preocupa pesquisadores e organizações ambientais. Um novo Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-Bandeira, Tatu-Canastra e Tatu-Bola, chamado PAN Tatá, deve ser lançado ainda neste ano. A estratégia será coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com participação de cientistas, órgãos ambientais e entidades da sociedade civil.
O plano tem como meta reduzir, nos próximos cinco anos, as principais ameaças às três espécies. Entre as ações previstas estão mapeamento genético, combate à caça, redução de atropelamentos, mobilização de comunidades rurais e orientação a produtores sobre impactos de agrotóxicos, ataques de cães e doenças.
No caso do tatu-bola, uma das maiores preocupações é a perda de áreas naturais da Caatinga. Projetos de energia solar e eólica, além da expansão agropecuária, podem fragmentar o ambiente onde a espécie vive. Sem cobertura vegetal suficiente, o animal fica mais exposto a incêndios, contaminação e à ação humana.
A caça também segue como ameaça. Embora seja ilegal, a prática ainda ocorre em algumas regiões, seja por tradição, subsistência ou comércio irregular. Projetos de conservação têm buscado mudar essa realidade por meio de educação ambiental, turismo científico e envolvimento de moradores locais.
O tatu-bola está classificado como espécie “em perigo” na lista nacional de fauna ameaçada. A categoria é uma das mais graves e indica risco elevado de desaparecimento caso as ameaças não sejam reduzidas.
Especialistas defendem que a ampliação de unidades de conservação é uma das formas mais importantes de proteger o animal. No início de junho, o governo federal ampliou o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí, incorporando 92 mil hectares à unidade. A região é considerada estratégica por reunir áreas de contato entre Caatinga, Cerrado e formações florestais, com alta diversidade de espécies.
Também são apontadas como áreas importantes para a preservação do tatu-bola o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, o Parque Nacional Boqueirão da Onça, na Bahia, além de unidades estaduais em Canudos, Sumidouro e Morro do Chapéu. Pernambuco e Tocantins também aparecem entre os territórios prioritários para ações de conservação.
Mas criar áreas protegidas não basta. Pesquisadores alertam que parques, refúgios e reservas precisam de estrutura, gestão, plano de manejo e participação das comunidades. Sem isso, unidades de conservação podem existir apenas no papel, sem garantir proteção efetiva às espécies.
O tatu-bola tem papel importante no equilíbrio ambiental. Ao se alimentar de insetos, ajuda no controle natural de populações que podem se tornar pragas. Além disso, o hábito de cavar e revolver o solo contribui para a circulação de nutrientes e para a regeneração da vegetação.
A característica mais conhecida do animal é sua capacidade de se enrolar completamente quando se sente ameaçado, formando uma bola protegida pela carapaça. Esse mecanismo o ajuda a escapar de predadores naturais, mas também facilita a captura por humanos, já que o animal fica imóvel no chão.
Doze anos depois da Copa do Mundo no Brasil, o Fuleco real ainda depende de medidas concretas para sobreviver. A nova estratégia de proteção busca transformar a visibilidade da espécie em ações permanentes de conservação da Caatinga e dos animais que vivem nesse bioma.
Com informações da Agência Brasil.