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Política

Perda de patentes de militares depende de ação do Ministério Público

Vitória News 13/09/2025 09:44

O Superior Tribunal Militar (STM) informou nesta sexta-feira (12) que a análise sobre a perda de patente de militares condenados na chamada trama golpista só poderá ocorrer mediante ação do Ministério Público Militar (MPM).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em nota à imprensa, o órgão ressaltou que não pode agir de forma independente e que é necessária uma representação formal para que o processo seja instaurado.

“A atuação do tribunal depende de prévia provocação do Ministério Público Militar, sendo inviável qualquer atuação ex officio. O STM exerce função eminentemente jurisdicional”, explicou o tribunal.

Decisão do STF

Na quinta-feira (11), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o STM é o responsável por julgar a eventual perda de patente dos militares das Forças Armadas condenados na ação penal da tentativa de golpe.

Com a decisão, nomes de destaque do alto comando militar e da política, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, e os generais Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, terão suas situações analisadas pelo tribunal.

Entretanto, essa etapa só ocorrerá após o trânsito em julgado da ação — ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos contra as condenações impostas pelo STF.

SESC PICASSO

Como funciona a perda de patente

De acordo com a Constituição Federal, um oficial das Forças Armadas pode perder a patente caso seja condenado a pena superior a dois anos de prisão. O procedimento é específico e serve para avaliar se o militar continua a ser considerado digno de integrar o oficialato.

O STM é composto por 15 ministros: dez militares (quatro do Exército, três da Marinha e três da Aeronáutica) e cinco civis.

Apesar da decisão do Supremo, a medida não alcança todos os réus. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, por exemplo, não poderá perder a patente, já que foi condenado a dois anos em regime aberto, além de ter firmado acordo de delação premiada.

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Entenda o impacto da decisão

A decisão do STF abre caminho para um julgamento inédito no STM envolvendo figuras de alta patente das Forças Armadas. A eventual perda de patentes significaria não apenas a exclusão dos militares da ativa ou da reserva, mas também a retirada de benefícios e prerrogativas associadas ao posto.

O tema reacende o debate sobre a responsabilidade institucional das Forças Armadas diante de crimes contra o Estado Democrático de Direito e coloca em evidência o papel do STM na preservação da disciplina e da hierarquia militar.

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