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Economia

Simples Nacional acumula defasagem e aumenta pressão por reajuste dos limites

Entidades empresariais defendem atualização dos tetos pela inflação para evitar desenquadramento provocado apenas pelo aumento nominal das receitas

Vitória News 24/09/2026 08:50
Simples Nacional acumula defasagem e aumenta pressão por reajuste dos limites
Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Os limites de faturamento utilizados para enquadramento no Simples Nacional voltaram ao centro das discussões entre entidades empresariais. A avaliação é de que a ausência de correção dos valores, diante da inflação acumulada nos últimos anos, pode levar pequenos negócios a ultrapassar as faixas tributárias sem que tenham registrado crescimento equivalente de sua capacidade econômica.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Atualmente, o limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual é de R$ 81 mil. Para as microempresas, o teto é de R$ 360 mil, enquanto as empresas de pequeno porte podem faturar até R$ 4,8 milhões dentro das regras do Simples Nacional.

O problema apontado pelo setor empresarial é que custos, preços e salários aumentaram ao longo dos últimos anos, enquanto os limites de enquadramento permaneceram sem correção. Na prática, uma empresa pode elevar nominalmente seu faturamento apenas para acompanhar a inflação e acabar se aproximando do teto previsto para sua categoria.

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Para o diretor-geral da Faculdade do Comércio de São Paulo e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Wilson Victorio Rodrigues, a defasagem interfere no planejamento financeiro e pode aumentar os custos das empresas.

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil e a Associação Comercial de São Paulo defendem uma atualização dos valores. As entidades também propõem a criação de um mecanismo permanente de correção pela inflação para evitar o acúmulo de novas defasagens.

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A proposta apresentada pelo movimento empresarial prevê elevar o limite anual do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 144,9 mil. Para as microempresas, o teto passaria de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil. No caso das empresas de pequeno porte, a proposta é aumentar o limite de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões.

As reivindicações fazem parte do manifesto “Um Brasil que não pode ser esquecido”, divulgado por entidades do sistema associativista empresarial. O documento defende que os valores sejam atualizados periodicamente pela inflação por meio de uma regra prevista em lei.

Segundo as entidades, uma correção automática daria maior previsibilidade aos negócios e reduziria o risco de empresas deixarem o regime simplificado apenas porque seus preços e receitas nominais acompanharam a inflação.

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Paralelamente à reivindicação empresarial, tramita no Congresso uma proposta específica para alterar o teto do MEI. O texto prevê elevar o limite para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil a partir de 2028. Os novos valores ainda dependem da conclusão do processo legislativo e não estão em vigor.

O debate também alcança a implantação da Reforma Tributária. As entidades defendem que micro e pequenas empresas mantenham condições capazes de preservar o fluxo de caixa e a competitividade durante a transição para o novo sistema de impostos sobre o consumo.

Segundo estimativas apresentadas pela própria CACB, a atualização dos limites poderia contribuir para a geração de mais de 869 mil postos de trabalho e movimentar R$ 81,2 bilhões na economia. Os números são projeções da entidade e dependem das premissas utilizadas no cálculo.

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