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Servidor diz ao STF que governo Bolsonaro pediu análise para tentar ligar Lula ao Comando Vermelho

Vitória News 14/07/2025 16:30

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14), o analista de inteligência Clebson Ferreira de Paula Vieira revelou ter recebido ordens, durante o governo de Jair Bolsonaro, para produzir relatórios que pudessem associar o então candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, a facções criminosas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

“Chegou um pedido para tentar ver essa análise de correlação estatística da concentração de votos em territórios do CV [Comando Vermelho] no Rio de Janeiro, para saber se havia correlação, para ver se o candidato à época, Lula, tinha maior concentração de votos em áreas dominadas por facção criminosa”, afirmou o servidor.

Vieira atuava no Ministério da Justiça e prestou depoimento como testemunha de acusação, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em uma das ações penais que apuram a tentativa de golpe de Estado supostamente liderada por Bolsonaro e seus aliados após a derrota nas eleições de 2022.

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Segundo o servidor, as ordens começaram a surgir ainda em 2022, sob comando da delegada Marília de Alencar, então diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do ministério. Marília é ré no processo.

Em outra solicitação, foi pedido a Vieira que identificasse locais do país onde os candidatos presidenciais obtiveram mais de 75% dos votos no primeiro turno. Ele relatou que apenas os dados referentes a Lula foram efetivamente utilizados pela chefia.

O analista relatou que costumava comentar com sua esposa, por meio de mensagens, sobre o desconforto com as demandas políticas recebidas. “Uma demanda daquelas, diretamente da diretora”, escreveu em um dos trechos, revelando que se sentia “muito mal” com as ordens recebidas.

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Policiamento direcionado

Também prestou depoimento nesta segunda-feira Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele reafirmou que houve orientação para intensificar o policiamento de ônibus e vans durante o segundo turno das eleições, especialmente em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Segundo Alcântara, a operação teve como foco regiões que concentram grande número de eleitores que viajam ao Nordeste, onde Lula tradicionalmente apresenta forte desempenho eleitoral. “Foram orientações gerais, mas para esses estados [RJ, SP, MG e GO], [onde] a fiscalização foi mais intensificada”, disse.

Ação penal contra núcleo estratégico

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Os depoimentos foram colhidos no processo que investiga o chamado Núcleo 2 da tentativa de golpe, grupo apontado pela PGR como responsável por ações estratégicas como o monitoramento de opositores e a produção de relatórios para viabilizar uma possível tomada de poder.

Entre os integrantes do núcleo estão Filipe Martins (ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência), Marcelo Câmara (ex-assessor de Bolsonaro), Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF), Mário Fernandes (general de Exército), Marília de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário-adjunto de Segurança do DF).

Ainda nesta segunda-feira, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e colaborador da Justiça, voltou a ser ouvido no processo. A audiência foi conduzida pelo juiz Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.

Fonte: ABr
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