Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h49m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Serviços e varejo crescem em 2023, enquanto indústria patina

FolhaPress 09/02/2024 17:42

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O setor de serviços e as vendas do varejo mostraram crescimento em 2023, enquanto a produção industrial fechou o acumulado do ano praticamente estagnada, indicam pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Para 2024, analistas esperam uma desaceleração da atividade econômica, uma vez que indicadores setoriais já sinalizaram perda de ritmo no final de 2023, e a safra agrícola não deve repetir o mesmo desempenho positivo do ano passado.

Nesta sexta-feira (9), o IBGE divulgou que o volume do setor de serviços fechou 2023 com alta acumulada de 2,3%. Foi o terceiro ano consecutivo de avanço do segmento, o que não ocorria desde o período de 2012 a 2014.

As vendas do varejo também ficaram no azul em 2023, com alta acumulada de 1,7%, segundo dados publicados pelo instituto na quarta (7). Foi o sétimo ano de crescimento em sequência do comércio.

A produção industrial, por sua vez, fechou 2023 com desempenho mais tímido do que os outros dois setores. A variação acumulada foi de apenas 0,2%, após queda de 0,7% em 2022, conforme dados divulgados pelo IBGE no início deste mês.

De acordo com Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, a indústria sentiu no ano passado tanto entraves estruturais quanto questões conjunturais, incluindo os juros elevados, que encareceram a produção.

"A indústria está praticamente parada desde o pós-crise de 2015 e 2016. Isso não vem de agora, não foi só o efeito dos juros altos. Tem o impacto de questões estruturais também, como a falta de abertura econômica", afirma Vale.

SESC PICASSO

Nos casos de serviços e varejo, analistas dizem que fatores como a retomada do emprego e da renda, a trégua da inflação e os benefícios sociais ajudaram os negócios.

O desempenho positivo da safra agrícola também respingou em atividades de prestação de serviços e comércio no ano passado, aponta Vale. "As commodities têm um efeito de espalhamento na economia", diz.

Apesar do desempenho positivo no acumulado do ano, os serviços e o varejo já indicaram perda de ritmo no final de 2023, segundo analistas.

Em dezembro, o volume do setor de serviços subiu 0,3% na comparação com novembro, informou o IBGE nesta sexta. O resultado veio após avanço de 0,9% na divulgação anterior.

O novo dado ficou abaixo das estimativas do mercado financeiro. Analistas projetavam uma variação de 0,7% para os serviços em dezembro, conforme pesquisa da agência Reuters.

"Nossa visão para os serviços permanece sendo de desaceleração compatível com uma acomodação do ritmo de crescimento da atividade, dada a base de comparação elevada", disse João Savignon, diretor de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital.

CONTADOR - BONUS

"Há arrefecimento mais claro dos setores que vinham sendo os motores do crescimento dos serviços, como transportes, mas, por outro lado, algumas atividades que estavam mais atrasadas voltaram a andar, como os serviços prestados às famílias", acrescentou.

Na leitura mensal, as vendas do varejo caíram 1,3% em dezembro ante novembro. O resultado veio após leve variação positiva de 0,1% na divulgação anterior.

"A economia está mostrando desaceleração, depois de um crescimento forte. É uma certa estagnação", afirma Vale, da MB.

Apesar de ter ficado para trás no acumulado do ano, a produção industrial deu sinais de alguma melhora no segundo semestre, conforme o economista Igor Cadilhac, do PicPay.

Em dezembro, as fábricas registraram crescimento de 1,1%, de acordo com o IBGE. Foi o quinto mês consecutivo de crescimento do setor. Uma das possíveis explicações para esse movimento é a normalização dos estoques após a pandemia, diz Cadilhac.

Ele afirma que a economia dá sinais de desaceleração em uma visão mais geral, mas considera que essa perda de força tende a ser menos intensa do que a prevista inicialmente por economistas. "A desaceleração está acontecendo, mas está sendo cada vez mais fraca."

Em uma tentativa de estimular a indústria, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um plano de estímulos para o setor em janeiro. Uma ala de economistas criticou a iniciativa, por enxergar o retorno de práticas já adotadas em gestões anteriores do PT.

Anuncio - Raimundo - Bonus

SERVIÇOS PRESTADOS ÀS FAMÍLIAS ULTRAPASSAM PRÉ-PANDEMIA

Um dos destaques positivos da pesquisa de serviços divulgada nesta sexta pelo IBGE foi o desempenho dos serviços prestados às famílias. A categoria abrange negócios de alojamento e alimentação, como hotéis e restaurantes.

Em dezembro, o volume dos serviços prestados às famílias cresceu 3,5% ante novembro. Com o resultado, ultrapassou pela primeira vez o patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. Essa era a única atividade de serviços que ainda não havia alcançado o nível pré-crise.

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, lembrou que os serviços prestados às famílias sofreram com as restrições à circulação de pessoas na pandemia. Esse cenário, de acordo com ele, estimulou a substituição do consumo de serviços por bens.

Na crise sanitária, por exemplo, as famílias trocaram refeições em restaurantes pelo preparo de pratos em casa a partir de ingredientes comprados nos supermercados.

Com o fim das restrições, a trégua da inflação e a melhora da renda, o consumo dos serviços presenciais foi estimulado, avaliou Lobo.

Economistas projetam crescimento próximo a 3% para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2023 -o dado será divulgado em 1º de março pelo IBGE.

Para 2024, a estimativa é de uma alta menor. A previsão do boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), está em 1,6%.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas