Ex-deputado e conselheiro aposentado do TCE-ES teve o registro indeferido pelo TRE-ES, mas segue na disputa enquanto a defesa recorre
Aos 77 anos, Sérgio Borges tenta retornar à Assembleia Legislativa do Espírito Santo depois de uma trajetória que passou por empresas públicas, quatro mandatos consecutivos de deputado estadual e uma década como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Candidato a deputado estadual pelo MDB nas eleições de 2026, Sérgio Manoel Nader Borges teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. A candidatura, no entanto, permanece em discussão judicial, e ele mantém as atividades de campanha enquanto a defesa recorre da decisão.
A controvérsia tem origem em uma condenação por improbidade administrativa relacionada ao recebimento de diárias quando Sérgio Borges exercia mandato na Assembleia. O processo envolve pagamentos feitos entre 1999 e 2002 e quatro requerimentos de diárias que, segundo os autos, somaram R$ 6.960.
A condenação determinou a devolução dos valores, multa de R$ 15 mil e suspensão dos direitos políticos por oito anos. Inicialmente também havia sido aplicada proibição de contratar com o poder público por dez anos, mas essa sanção específica foi posteriormente afastada pelo Superior Tribunal de Justiça.
É justamente a repercussão eleitoral dessa condenação que agora está sendo discutida. O Ministério Público Eleitoral sustenta que o trânsito em julgado ocorreu em fevereiro de 2026 e que, por esse motivo, a inelegibilidade alcançaria as eleições deste ano.
A defesa apresenta interpretação diferente. Argumenta que houve recurso ao Supremo Tribunal Federal e também questiona a forma de contagem do período de inelegibilidade, sustentando que o impedimento eleitoral já teria terminado.
O TRE-ES acolheu a impugnação e indeferiu o registro da candidatura. Como ainda existe possibilidade de recurso, a situação não representa encerramento definitivo da discussão judicial.
Enquanto os recursos são analisados, Sérgio Borges continua participando de reuniões e mantendo a campanha ativa. A legislação eleitoral permite que candidatos com registro indeferido, mas ainda sob recurso, continuem realizando atos de campanha enquanto a situação permanecer sub judice.
A tentativa de retorno ocorre mais de cinco décadas depois do início de sua vida pública. Engenheiro mecânico, Borges começou a carreira em 1973, na Secretaria de Planejamento e Obras da Prefeitura de Guarapari.
Depois, passou pela Companhia Espírito-Santense de Saneamento, onde chegou à presidência, pela antiga Telecomunicações do Espírito Santo e pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo.
Em 1998, foi eleito deputado estadual. Permaneceu na Assembleia até 2013, período em que acumulou quatro mandatos consecutivos, presidiu a Comissão de Finanças e exerceu funções de liderança governista.
Em novembro de 2013, deixou o Legislativo para assumir uma cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo. Permaneceu na Corte durante dez anos e se aposentou após atingir a idade limite prevista para o cargo.
Ao deixar o Tribunal, Sérgio Borges já sinalizava que pretendia continuar participando da vida pública. Poucos meses depois, retornou ao MDB e passou a preparar a volta à política eleitoral.
A candidatura de 2026 concretizou esse movimento, mas também recolocou no centro de sua trajetória um processo iniciado durante a passagem anterior pela Assembleia Legislativa.
De um lado está uma carreira de mais de meio século na administração pública e na política capixaba. Do outro, uma condenação por improbidade cujos efeitos eleitorais ainda estão sendo discutidos judicialmente.
Neste momento, existe uma decisão do TRE-ES pelo indeferimento do registro e uma defesa que busca revertê-la. A situação definitiva da candidatura dependerá do julgamento dos recursos apresentados.