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Sentinela ES transforma câmeras privadas em aliadas da Segurança Pública

Iniciativa integra câmeras privadas e públicas à rede inteligente da Segurança Pública

Vitória News 01/07/2026 19:29
Sentinela ES transforma câmeras privadas em aliadas da Segurança Pública
Foto: Rodrigo Zaca/GovES/Divulgação

Por Marcelo Rossoni

A segurança pública do Espírito Santo inicia uma nova etapa baseada na integração tecnológica e na cooperação entre o poder público e a iniciativa privada. Lançado nesta quarta-feira (1º), no Palácio Anchieta, em Vitória, o Projeto Sentinela ES permitirá que sistemas particulares de videomonitoramento passem a atuar de forma conectada ao parque tecnológico da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). A proposta amplia a capacidade de prevenção e resposta das forças policiais sem depender, necessariamente, da instalação de novos equipamentos pelo Estado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O programa nasce em um cenário no qual milhares de câmeras já monitoram, diariamente, condomínios residenciais, centros comerciais, indústrias, hospitais, universidades, repartições públicas e estabelecimentos comerciais. Apesar dessa ampla cobertura, grande parte desses equipamentos funciona de maneira independente, atendendo exclusivamente aos interesses de seus proprietários. A partir do Sentinela ES, essa infraestrutura poderá compor uma rede colaborativa destinada a fortalecer a segurança de toda a população.

Ao anunciar o projeto, o governador Ricardo Ferraço destacou que o Espírito Santo alcançou um estágio de maturidade tecnológica que permite incorporar soluções já consolidadas em outros países. Segundo ele, a proposta aproveita uma estrutura existente para ampliar a capacidade operacional da Segurança Pública, sempre observando os limites impostos pela legislação e preservando os direitos dos cidadãos.

A adesão ao programa será voluntária. Poderão participar órgãos públicos, prefeituras, condomínios, empresas, shopping centers, instituições de ensino, hospitais e demais organizações que possuam sistemas próprios de videomonitoramento, sensores ou plataformas tecnológicas compatíveis com os requisitos estabelecidos pela Sesp. Cada pedido passará por análise técnica antes da integração ao Parque Tecnológico da Segurança Pública Capixaba.

SESC PICASSO

Na prática, a iniciativa muda a lógica do monitoramento eletrônico no Estado. Em vez de manter milhares de sistemas isolados, a proposta cria uma rede capaz de compartilhar informações consideradas relevantes para a atividade policial. Imagens, áudios e outros dados produzidos pelos equipamentos integrados poderão ser encaminhados ao Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR), estrutura instalada no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), responsável pelo gerenciamento das principais ocorrências atendidas pelas forças de segurança.

Um dos aspectos centrais do projeto é a utilização da Inteligência Artificial, tecnologia que permite aos sistemas computacionais analisar grandes volumes de informações em poucos segundos e identificar padrões previamente definidos. Diferentemente do monitoramento convencional, não haverá operadores acompanhando continuamente todas as imagens geradas pelas câmeras integradas. O sistema funcionará por exceção: somente quando um evento considerado relevante for identificado é que os protocolos operacionais serão acionados.

Essa metodologia já é utilizada em outras ferramentas adotadas pela Segurança Pública capixaba, como o Cerco Inteligente, responsável pela leitura automática de placas de veículos, e os sistemas de reconhecimento facial empregados em operações policiais. O Sentinela ES amplia esse conceito ao incorporar novas fontes de informação distribuídas por praticamente todo o território estadual.

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Na avaliação de especialistas em segurança pública, um dos maiores desafios contemporâneos não é a ausência de imagens, mas a dificuldade de reunir, analisar e interpretar, em tempo hábil, o enorme volume de dados produzido diariamente. O projeto procura justamente enfrentar esse problema ao criar uma plataforma capaz de transformar registros dispersos em inteligência operacional.

Os reflexos poderão ser percebidos em diferentes situações do cotidiano. Um veículo furtado identificado ao entrar em um condomínio, uma pessoa procurada pela Justiça reconhecida nas proximidades de um centro comercial ou uma movimentação considerada incompatível com padrões previamente definidos poderão gerar alertas automáticos para as equipes responsáveis pelo atendimento das ocorrências. Em muitos casos, a resposta policial poderá ocorrer antes mesmo de uma denúncia formal chegar aos canais tradicionais de emergência.

Outro aspecto relevante é a economia de recursos públicos. Em vez de investir exclusivamente na instalação de milhares de novas câmeras, o Estado passa a utilizar uma infraestrutura que já existe e que continua pertencendo aos seus respectivos proprietários. Trata-se de uma estratégia baseada na integração tecnológica, e não na substituição dos sistemas privados.

O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, afirmou que o objetivo é conectar estruturas já instaladas para tornar a atuação das forças policiais mais rápida, coordenada e eficiente. Segundo ele, a iniciativa amplia tanto a capacidade preventiva quanto a resposta operacional diante de situações de risco, fortalecendo uma política pública construída sobre inteligência, tecnologia e cooperação institucional.

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A apresentação técnica do projeto indica que a implantação ocorrerá de forma gradual. A prioridade inicial será a Região Metropolitana da Grande Vitória, onde se concentra a maior parte dos sistemas privados de monitoramento. Em seguida, a integração será expandida para municípios estratégicos do interior até alcançar todas as regiões do Espírito Santo.

Embora utilize recursos avançados de processamento de dados, o Governo do Estado enfatiza que o Sentinela ES não foi concebido para promover vigilância permanente sobre os cidadãos. O foco permanece na identificação de eventos relacionados à segurança pública, respeitando os protocolos já empregados pelas plataformas atualmente em operação. A utilização das informações observará critérios técnicos, legais e operacionais previamente definidos pela Secretaria da Segurança Pública.

Mais do que incorporar uma nova ferramenta tecnológica, o Sentinela ES inaugura um modelo de atuação baseado na colaboração. A segurança deixa de depender exclusivamente das estruturas mantidas pelo poder público e passa a contar com a participação voluntária de instituições que já investem em proteção patrimonial. O resultado esperado é a formação de uma ampla rede de inteligência, capaz de ampliar o alcance das ações policiais, reduzir o tempo de resposta às ocorrências e fortalecer a prevenção da criminalidade.

Se alcançar o nível de adesão projetado pelo Governo do Estado, o Sentinela ES poderá representar uma das mais importantes transformações na política de segurança pública capixaba dos últimos anos. Ao integrar milhares de equipamentos já instalados em condomínios, empresas, shopping centers e instituições públicas, o Espírito Santo aposta na tecnologia como instrumento para tornar a atuação policial mais eficiente, ampliar a proteção da população e consolidar um modelo de segurança cada vez mais conectado à realidade das cidades inteligentes.

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