Texto prevê mudanças no crédito, nas indenizações e no Fundo Catástrofe, mas novas regras ainda dependem de sanção presidencial
O Senado aprovou o projeto que reformula o marco legal do seguro rural no Brasil. O texto passou pelo plenário na última quinta-feira (3) e segue agora para sanção presidencial.
Isso significa que, neste momento, nada muda automaticamente para o produtor rural. As regras atuais continuam valendo até que o presidente da República sancione o projeto e, em alguns pontos, sejam editadas normas de regulamentação.
Se houver sanção, parte das mudanças poderá começar a valer ainda neste ano agrícola, justamente porque a tramitação foi acelerada para alcançar o início do plantio da safra de verão em importantes regiões produtoras.
O que pode mudar primeiro
A mudança mais imediata para o produtor, depois da sanção, será a possibilidade de integrar de forma mais clara o seguro rural às operações de crédito.
A apólice poderá fazer parte das garantias do financiamento e a instituição financeira poderá ser indicada como primeira beneficiária da indenização em caso de sinistro.
Na prática, o produtor que contratar seguro poderá ter mais facilidade para estruturar operações de crédito rural, enquanto bancos e cooperativas terão uma garantia adicional caso a produção seja perdida.
O projeto também abre caminho para que operações de crédito amparadas por seguro tenham prioridade e condições diferenciadas. A aplicação concreta dessas vantagens, porém, dependerá das regras definidas pelos órgãos responsáveis e pelas instituições financeiras.
Prazos para indenização
Outra mudança prevista é a criação de prazos mais claros para o pagamento das indenizações.
Quando não houver necessidade de vistoria presencial, o processamento do pedido deverá ocorrer em até 15 dias.
O pagamento deverá ser feito em até 30 dias após a entrega dos documentos necessários ou da realização da vistoria.
Esses prazos só passarão a produzir efeitos depois da entrada em vigor da nova lei.
Para o produtor, a mudança pode trazer mais previsibilidade em situações de perda de safra, principalmente quando o dinheiro da indenização é necessário para pagar fornecedores, quitar financiamentos ou preparar o próximo plantio.
Subvenção não aumenta automaticamente
O projeto também proíbe o contingenciamento dos recursos destinados à subvenção do seguro rural dentro do montante aprovado no Orçamento.
Isso, porém, não significa que haverá aumento imediato do dinheiro disponível.
O valor continuará dependendo do que for reservado anualmente na Lei Orçamentária. Portanto, o produtor não deve interpretar a aprovação do projeto como garantia de que o seguro ficará mais barato ou que haverá recursos suficientes para todos.
Para 2026, o orçamento do programa é de aproximadamente R$ 1 bilhão, enquanto entidades do setor estimam necessidade próxima de R$ 4 bilhões.
Fundo Catástrofe ainda depende de implementação
O chamado Fundo Catástrofe também não começa a funcionar automaticamente com a aprovação do projeto.
O texto cria condições para sua operacionalização e amplia a possibilidade de participação de seguradoras, resseguradoras, cooperativas e empresas do agronegócio.
O fundo poderá receber diferentes tipos de ativos e instrumentos financeiros para reforçar a capacidade do sistema de seguro diante de eventos climáticos de grande proporção.
Para o produtor, o benefício potencial é ampliar a oferta de seguros em regiões de maior risco e dar mais segurança ao pagamento de indenizações em situações de perdas generalizadas.
O efeito, entretanto, dependerá da efetiva constituição do fundo e de sua regulamentação.
O que o produtor deve observar agora
Neste momento, o produtor deve continuar seguindo as regras atuais para contratar seguro e crédito rural.
A próxima etapa é a sanção presidencial. Depois disso, será necessário acompanhar a regulamentação e a data de entrada em vigor das novas regras.
Só então será possível saber quais mudanças estarão disponíveis já para a safra atual, especialmente no acesso ao crédito, no uso da apólice como garantia e nos novos prazos de indenização.
Em resumo, a aprovação no Congresso abre caminho para uma reforma importante, mas os efeitos práticos não são automáticos.
Fonte: Brasil 61 e Agência Senado
A abertura “nada muda automaticamente para o produtor” é a chave aqui, porque elimina a principal ambiguidade da versão anterior.