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Economia

Senado aprova marco regulatório das eólicas offshore, com jabutis que beneficiam carvão e gás

FolhaPress 12/12/2024 18:36

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Senado aprovou, nesta quinta-feira (12), o projeto de lei que cria o marco regulatório das eólicas offshore, mas que foi recheado de jabutis para beneficiar os setores de gás e carvão -combustíveis fósseis e poluentes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Jabuti é o termo usado para trechos inseridos em um projeto, mas que não têm relação com seu tema central.

O texto agora vai para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vetar trechos.

Entidades do setor de energia calculam que estes dispositivos, inseridos no projeto durante a tramitação na Câmara dos Deputados, podem gerar um impacto de até R$ 440 bilhões, por meio de subsídios, na conta de luz, até 2050. Segundo a consultoria PSR, isso significaria um aumento de 7,5% na conta nestes anos.

Durante a tramitação no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), relator da matéria no Senado, pouco alterou o texto, e o projeto que trata de eólicas offshore seguiu repleto de jabutis.

SESC PICASSO

O texto foi aprovado no plenário de maneira simbólica, mas um dos artigos mais polêmicos, que amplia a contratação de usinas termelétricas a gás e a carvão, foi votado de forma separada.

Este ponto trouxe divergência entre senadores e foi amplamente criticado por alguns setores, por ser o coração dos jabutis do projeto.

Weverton, que compõe a base do governo na Casa, decidiu manter os benefícios ao gás e ao carvão em seu texto.

Já Randolfe Rodrigues (PT-AP), na posição de líder, orientou a base do governo a se posicionar contra este trecho -ele foi apoiado por outros importantes senadores da situação, como Otto Alencar (PSD-BA).

Nomes da oposição, como Jorge Seif (PL-SC), foram a favor dos combustíveis fósseis e do relatório de Weverton.

Ao final, o governo foi derrotado e o texto foi aprovado com os jabutis que concedem os benefícios, que devem ter impacto bilionário no custo a energia elétrica.

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O senador Weverton manteve os outros jabutis incluídos pela Câmara, por exemplo benefícios para a geração distribuida, para produtores de biomassa e biometano, todos dispositivos que trazem impacto para o valor da conta de luz do país -estes pontos também foram referendados pelo plenário.

Alexandre Leoratti, gerente da consultoria Dominium, espera disputa entre os setores para que o presidente Lula (PT) vete, ou não, os jabutis da matéria -e caso isso aconteça, a discussão deve seguir quando o Congresso precisar apreciar tais vetos.

"Até o final de 2030, Reino Unido, Coreia do Sul, China, EUA e Portugal serão mercados de destaque no setor. Com a aprovação do projeto de lei, o Brasil entra nesta lista como um dos principais mercados para investimentos. Apesar disso, matérias estranhas adicionadas ao texto final trazem desequilíbrios dentro do setor de energia elétrica", afirma.

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"Os jabutis inseridos pela Câmara, infelizmente, vêm desviando a atenção de todos e tirou o foco do projeto em si, que é a geração de energia eólica em mar. Esta é uma fonte de energia interessante, que chegaria para adicionar ao mix que já temos de energias renováveis", diz Rogério Campos, sócio da área de Energia e Recursos Naturais do Campos Mello Advogados em cooperação com DLA Piper.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, atualmente a costa brasileira já está loteada de pedidos de licenciamento ambiental ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), feitos para empreendimentos de eólicas offshore.

A maioria se concentra no Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e muitos conflitam com poços de petróleo, cabos de internet, habitat de baleias e tubarões, rota de aves e abrigos de animais ameaçados.

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