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Seca severa atinge 157 municípios e avança no Brasil

Todas as cinco regiões registraram estiagem em julho; frequência e duração das secas cresceram quase 30% desde 2000

Vitória News 16/08/2026 11:18
Seca severa atinge 157 municípios e avança no Brasil
Um indigena observa o leito do Rio Amazonas em Tefé (AM) praticamente seco, em 2023. Foto: Alex Pazuello/Secom

A seca deixou de ser um problema restrito às regiões tradicionalmente áridas e passou a atingir áreas antes consideradas menos vulneráveis, inclusive a Amazônia. Em julho de 2026, todas as cinco regiões brasileiras registraram algum nível de estiagem e pelo menos 157 municípios enfrentaram situação classificada como seca severa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O cenário ocorre em meio a uma tendência global de agravamento do fenômeno. Desde 2000, a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30%, segundo dados apresentados pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.

As consequências incluem queda acentuada da umidade do solo, estresse da vegetação e perdas na agricultura. Especialistas também alertam que o problema pode se intensificar nos próximos meses com a combinação de redução das chuvas e aumento das temperaturas.

A preocupação com a disponibilidade de água cresce em escala mundial. As projeções indicam que, até 2050, três em cada quatro pessoas poderão sofrer algum impacto relacionado às secas. Antes disso, em 2030, a demanda global por água poderá superar a oferta em até 40%.

No Brasil, o monitoramento aponta uma tendência de ressecamento em diferentes partes do território. O desequilíbrio entre a quantidade de chuva e a evaporação provocada pelas temperaturas mais altas aumenta o risco de estiagens mais prolongadas e intensas.

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A seca pode se manifestar de diferentes formas. A meteorológica ocorre quando as chuvas permanecem abaixo da média por um longo período. A agrícola aparece quando falta umidade suficiente no solo para sustentar lavouras e pastagens. Já a hidrológica reduz os níveis de rios, reservatórios e aquíferos, afetando abastecimento, geração de energia, navegação e biodiversidade.

Embora o problema alcance todo o país, os efeitos são mais intensos entre populações diretamente dependentes dos recursos naturais. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares estão entre os grupos mais vulneráveis.

A Amazônia tornou-se um dos exemplos mais preocupantes dessa mudança. Mesmo abrigando a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do planeta, a região enfrentou secas históricas em 2023 e 2024.

Naquele período, rios atingiram níveis mínimos em diferentes municípios, comunidades ficaram isoladas e o transporte fluvial foi prejudicado, dificultando inclusive a chegada de alimentos e medicamentos.

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Os dados mais recentes indicam novo agravamento entre populações indígenas. O número de territórios indígenas atingidos por seca severa passou de três em junho para 17 em julho.

Também houve forte expansão do problema em assentamentos rurais. As áreas atingidas por seca extrema aumentaram de duas para 44, enquanto aquelas sob seca severa saltaram de 102 para 309. Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram grande parte das ocorrências.

Outra preocupação são as chamadas secas-relâmpago. Diferentemente das estiagens tradicionais, elas podem se instalar em poucos dias ou semanas, associadas a calor intenso e rápida perda de umidade do solo.

Mesmo sendo mais curtas, essas ocorrências podem causar danos significativos à agricultura e à vegetação. A combinação entre temperaturas elevadas, menor cobertura vegetal e falta de chuva também aumenta o risco de queimadas.

O cenário pode ficar ainda mais delicado com o fortalecimento do El Niño. As projeções indicam intensificação do fenômeno entre agosto e outubro de 2026.

Historicamente, episódios fortes de El Niño estão associados a redução das chuvas e temperaturas mais altas em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, aumentando a vulnerabilidade a secas prolongadas, estiagens rápidas e incêndios florestais.

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O impacto também pode chegar à produção de alimentos. Estimativas internacionais apontam que os efeitos climáticos ligados ao El Niño podem agravar a insegurança alimentar em 45 países e elevar de aproximadamente 225 milhões para 275 milhões o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda.

A expansão das secas estará no centro das discussões da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, prevista para ocorrer na Mongólia entre 17 e 28 de agosto.

As discussões devem buscar uma mudança de estratégia, com maior investimento em prevenção antes que as estiagens se transformem em emergências. Entre as medidas defendidas estão sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, melhor gestão dos recursos hídricos e fortalecimento da capacidade de adaptação das comunidades.

O desafio ganha dimensão cada vez maior à medida que regiões historicamente úmidas passam a conviver com eventos extremos. Para especialistas, enfrentar a seca antes de sua fase mais crítica será decisivo para proteger a produção de alimentos, o abastecimento de água e populações vulneráveis diante do avanço das mudanças climáticas.

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