TSE esclareceu que problema ocorreu no pool de mídias, enquanto estatal afirmou não ter participado da falha e cobrou correção de informação que poderia sugerir tratamento desigual na campanha
O SBT admitiu nesta segunda-feira (12) ter atribuído de forma incorreta à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) a responsabilidade por uma falha de áudio registrada na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL).
A informação inicial colocava sobre a empresa pública a responsabilidade pelo problema ocorrido durante a exibição do programa eleitoral do candidato. Posteriormente, o próprio SBT corrigiu a reportagem e reconheceu que a EBC apenas transmite o material já finalizado.
A correção ganhou relevância no contexto do segundo turno porque a atribuição equivocada de responsabilidade à estatal poderia alimentar interpretações de tratamento desigual entre as campanhas.
Não há, porém, no material divulgado, elemento que comprove que o erro inicial do SBT tenha sido deliberadamente produzido com essa finalidade.
SBT pede desculpas
Ao atualizar a reportagem, o SBT informou que o problema ocorreu durante a conversão técnica do programa eleitoral.
O veículo reconheceu que a EBC “é responsável apenas pela transmissão do material já finalizado” e apresentou desculpas pela informação incorreta.
A EBC, responsável também pela Agência Brasil, divulgou nota negando qualquer participação na falha.
Segundo a empresa, toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras encarregado de receber, finalizar e distribuir o sinal do horário eleitoral gratuito.
TSE confirma que falha ocorreu no pool de mídias
O Tribunal Superior Eleitoral também divulgou esclarecimento sobre o episódio.
Segundo o TSE, o problema aconteceu no momento da finalização das mídias, antes da exibição dos programas.
O tribunal informou que os áudios das duas propagandas de televisão não foram carregados nessa etapa.
Houve, contudo, tempo para corrigir o problema antes da exibição do programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a propaganda de Flávio Bolsonaro acabou indo ao ar com a falha.
A informação do TSE, portanto, afastou da EBC a responsabilidade técnica pelo ocorrido.
EBC diz ter sido acusada injustamente
Na nota divulgada após a repercussão, a EBC afirmou que a falha atingiu as emissoras responsáveis pela transmissão do horário eleitoral e reiterou que não estava encarregada da operação que apresentou o problema naquele dia.
A empresa também agradeceu ao SBT por reconhecer publicamente o erro na atribuição de responsabilidade.
Segundo a EBC, a divisão das tarefas dentro do pool de emissoras é definida entre as empresas que participam da operação eleitoral.
A estatal informou ainda que aguarda manifestação da entidade responsável pela organização do pool sobre as causas exatas da ocorrência.
Episódio ocorre em meio ao segundo turno
A falha e a posterior correção aconteceram durante a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, período em que questões relacionadas à atuação de instituições públicas e à igualdade de tratamento entre as campanhas têm sido acompanhadas de perto pela Justiça Eleitoral.
O que está estabelecido até agora é que o SBT reconheceu ter atribuído incorretamente a falha à EBC e que o TSE apontou o pool de mídias como o local onde ocorreu o problema técnico.
Não há, nas informações divulgadas, comprovação de participação da EBC na falha nem de que a empresa tenha interferido no conteúdo ou na exibição da propaganda de qualquer candidato.