Visita técnica identifica falhas em obras, esgoto a céu aberto e problemas no abastecimento de água
A Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa (Ales) realizou, nesta terça-feira (24), uma visita técnica a Guarapari para apurar denúncias relacionadas ao saneamento básico e ao fornecimento de água. A agenda incluiu inspeções em bairros e acompanhamento de casos relatados por moradores.
A comitiva foi conduzida pelos deputados Dr. Bruno Resende (União) e Zé Preto (sem partido), com participação de moradores e técnicos da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedurb).
No bairro Condados de Meaípe, foram observados problemas em trechos de vias que passaram por intervenções recentes. Segundo o presidente da comissão, há falhas na recomposição do asfalto e pendências em reparos que ainda não foram concluídos. “Nós podemos constatar várias irregularidades, a qualidade das obras de recapeamento que precisa ser reavaliada, consertos nas ruas que não foram feitos e já tem mais de quatro meses”, afirmou.
A visita também incluiu a análise de uma residência com dificuldades no abastecimento de água. O morador Igor Oliveira de Jesus relatou impactos diretos na rotina familiar. “A gente está reivindicando uma posição da Cesan. Eu entendo que o problema foi causado por uma terceirizada, mas a empresa também é responsável”, disse.
Segundo ele, os efeitos vão além da infraestrutura. “Não foi só impacto ambiental, teve impacto social. Minha mãe é idosa, mora sozinha com o marido, e eu acabo sendo o suporte imediato. Isso aconteceu no verão e afetou o trabalho dela, que é autônoma, vende plantas”, relatou.
De acordo com o morador, a situação levou ao deslocamento da família. “Ela teve que sair de casa e ficar na casa de parentes. Nesse período, a residência foi invadida e houve furto. Hoje existe até uma insegurança de voltar para casa”, afirmou.
Ele também apontou demora na resposta da companhia. “Fizemos uma solicitação no dia 16 de janeiro e não tivemos retorno. Vieram aqui recentemente e disseram que seria difícil resolver por causa da extensão da rede. Mas estamos falando de uma pessoa que já teve o financeiro e o emocional abalados”, acrescentou.
Ainda segundo o relato, a situação afetou a saúde da moradora. “Ela já foi orientada a procurar atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), porque desenvolveu um quadro de depressão. O refúgio dela era o terreno, as plantas, e isso tudo foi perdido”, disse.
Durante a visita, o presidente da comissão destacou o papel de fiscalização do Legislativo. “O papel do deputado é fiscalizar, e é isso que estamos fazendo. Estamos visitando as obras e ouvindo quem está na ponta. A população está sofrendo com buracos, desníveis e falta de correção”, afirmou.
O parlamentar também mencionou o caso da moradora que deixou a própria casa. “Visitamos uma residência em que a senhora está fora de casa porque não tem água potável, não tem esgoto e não tem recurso financeiro para pagar aluguel. Está há meses na casa de amigos, sem poder chamar aquele espaço de lar. A Cesan apresentou propostas e nós vamos cobrar que sejam cumpridas, para que ela possa voltar para o seu cantinho.”
Segundo ele, foi estabelecido prazo para solução dos problemas apontados. “Vários desses pontos têm prazo de 15 dias para serem resolvidos. Estamos aqui como aliados da sociedade para garantir dignidade às pessoas”, afirmou.