Dentista do SUS e candidata da UP, ela foi vice em 2022 e agora encabeça uma chapa inteiramente feminina nas eleições de 2026
Samara Martins chega à eleição presidencial de 2026 em uma posição diferente daquela ocupada quatro anos atrás. Depois de concorrer à Vice-Presidência na chapa de Léo Péricles em 2022, a cirurgiã-dentista de 38 anos assume agora a cabeça da candidatura da Unidade Popular (UP) ao Palácio do Planalto.
Natural de Belo Horizonte, Samara construiu sua trajetória profissional na área da saúde pública e trabalha como dentista no Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte. Formada em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ela desenvolveu paralelamente uma longa atuação em movimentos estudantis e organizações populares.
Sua aproximação com a militância começou ainda na juventude, quando participou do movimento secundarista em Minas Gerais. Na universidade, presidiu o centro acadêmico do curso de Odontologia e posteriormente integrou a direção da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Ao longo dessa trajetória, passou a atuar também em organizações voltadas à defesa das mulheres e da população negra. Entre elas estão o Movimento de Mulheres Olga Benário e a Frente Negra Revolucionária.
A experiência acumulada nesses espaços levou Samara à direção da Unidade Popular. Atualmente, ela ocupa a vice-presidência nacional da legenda, partido de orientação socialista que obteve registro definitivo na Justiça Eleitoral em 2019.
A candidatura de 2026 representa, portanto, uma mudança importante na trajetória política de Samara. Em 2022, ela integrou como vice a chapa encabeçada por Léo Péricles, que terminou o primeiro turno com pouco mais de 53 mil votos.
Agora, ela assume o protagonismo.
A candidatura à Presidência foi definida pela UP neste ano e posteriormente oficializada em convenção nacional. Para a Vice-Presidência, o partido escolheu Raquel Brício, guarda portuária, sindicalista e também integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário.
Com isso, a Unidade Popular apresenta uma chapa presidencial formada exclusivamente por mulheres.
Samara também ocupa uma posição pouco comum na corrida eleitoral de 2026. Ao lado de Clariana Barão, do Democracia Cristã, ela integra o pequeno grupo feminino entre os candidatos ao comando do país. No cenário atual, apenas duas mulheres concorrem à Presidência, número inferior ao registrado na eleição de 2022, quando quatro candidatas disputaram o cargo.
A presença feminina reduzida ganha ainda mais relevância em uma eleição realizada em um país onde as mulheres representam mais da metade do eleitorado.
No caso de Samara, sua própria trajetória pessoal e política ajuda a explicar alguns dos temas que aparecem com maior força na campanha. Mulher negra, profissional do SUS e militante de movimentos sociais, ela procura colocar questões relacionadas à desigualdade, ao racismo, às condições de trabalho e à violência contra a mulher no centro de seu discurso.
A candidata também defende mudanças profundas na política econômica. Entre as propostas apresentadas pela Unidade Popular estão a retomada do controle estatal sobre empresas privatizadas, maior participação do Estado em setores considerados estratégicos e ampliação dos recursos destinados às políticas sociais.
Outra bandeira defendida por Samara é o fim da escala de trabalho 6x1. A candidata também sustenta a necessidade de valorização do salário mínimo, fortalecimento dos serviços públicos e ampliação das políticas habitacionais.
A disputa presidencial coloca Samara em uma posição bastante diferente daquela de candidatos que construíram carreira no Congresso, em governos estaduais ou em ministérios. Sua trajetória política ocorreu principalmente no movimento estudantil, nas organizações sociais, no serviço público e dentro da estrutura partidária.
Essa característica também a diferencia de Clariana Barão, a outra mulher na corrida presidencial. Enquanto Clariana disputa um cargo eletivo pela primeira vez, Samara já participou de uma eleição nacional e acumula experiência na direção partidária e nos movimentos populares.
As duas representam ainda projetos políticos distintos, mostrando que a presença feminina na corrida ao Planalto não significa necessariamente proximidade ideológica.
Para Samara Martins, 2026 marca a passagem definitiva do papel de coadjuvante para o centro da disputa. Quatro anos depois de ocupar a Vice-Presidência de uma chapa, a dentista do SUS assume a missão de apresentar diretamente ao eleitorado brasileiro seu nome e o projeto político da Unidade Popular.