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Saiba quem é o assessor de Braga Netto alvo de operação da PF

FolhaPress 14/12/2024 11:08

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O coronel da reserva Flávio Peregrino, principal auxiliar do general Walter Braga Netto desde o governo Jair Bolsonaro (PL), é um dos alvos de operação da Polícia Federal deflagrada neste sábado (14).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Peregrino foi alvo de uma medida cautelar diversa de prisão em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Superior Tribunal Federal (STF), que também determinou a prisão preventiva de Braga Netto, que foi ministro de Bolsonaro e seu vice na chapa pela reeleição nas eleições de 2022.

Documentos encontrados na mesa ocupada por Peregrino na sede do PL e apreendidos pela Polícia Federal mostram uma tentativa de obter acesso a detalhes da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

De acordo com a Polícia Federal, os alvos da operação deste sábado "estariam atrapalhando a livre produção de provas durante a instrução processual penal". O coronel da reserva, diferente de Braga Netto, não foi indiciado no relatório final da PF sobre a tentativa de golpe de estado.

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A Folha não conseguiu contato com a defesa de Peregrino.

Sobre a mesa dele na sede do PL, a PF encontrou, em fevereiro, uma pasta denominada "memórias importantes", com um documento que descreve perguntas e respostas relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado por Cid com a PF em 2023.

"O conteúdo indica se tratar de respostas dadas por Mauro Cid a questionamentos feitos por alguém, possivelmente do grupo investigado, que aparenta preocupação sobre temas identificados pela Polícia Federal relacionados à tentativa de golpe de Estado", avaliou a PF ao apresentar seu relatório final, em novembro.

"O contexto do documento é grave e revela que, possivelmente, foram feitas perguntas a Mauro Cid sobre o conteúdo do acordo de colaboração realizado por este em sede policial, as quais foram respondidas pelo próprio, em vermelho", apontou a PF.

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Também sobre a mesa de Peregrino foi encontrada, segundo o relatório, uma folha preenchida à mão com o título "operação 142", um fluxograma do que seria um golpe de Estado e a frase "Lula não sobe a rampa".

O fluxograma faz uma "avaliação da conjuntura", considera as "linhas de esforços", citando entre elas a anulação de atos arbitrários do STF e interrupção do processo de transição, até terminar com o "estado final desejado político": "Lula não sobe a rampa".

O nome do documento faz referência ao artigo 142 da Constituição, usado pelos golpistas como argumento para uma intervenção militar no país -o dispositivo, no entanto, não permite essa interpretação.

O plano previa a realização de seis ações para, segundo as investigações, "implementar a ruptura institucional após a derrota eleitoral" de Bolsonaro.

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Conforme descrito pela PF sobre o material apreendido na sede do PL, a proposta golpista se iniciaria com levantamento supostas arbitrariedades do Poder Judiciário desde 2019. O segundo passo incluiria preparação de tropas, discursos em TV e interrupção do processo de transição.

Em seguida, o planejamento fala em decretação da intervenção militar no "dia D", o que ocasionaria na anulação das eleições e substituição de todos os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Por fim, o documento finaliza o tópico de Estado Final Desejado Político, com o texto: "Lula não sobe a rampa".

"O documento demonstra que Braga Netto e seu entorno, ao contrário do explicitado no documento anterior, tinha clara intenção golpista, com o objetivo de subverter o Estado Democrático de Direito, utilizando uma interpretação anômala do art. 142 da CF, de forma a tentar legitimar o golpe de Estado", afirma a PF no relatório.

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