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Economia

Safra de grãos cresce 113% e impulsiona uso de consórcios no campo

Avanço da produção entre 2012 e 2025 ocorre com ganho de produtividade e maior planejamento financeiro dos produtores

Vitória News 29/01/2026 15:08
Safra de grãos cresce 113% e impulsiona uso de consórcios no campo

A produção brasileira de grãos cresceu 113% entre 2012 e 2025, segundo dados do IBGE. O crescimento ocorreu sem expansão proporcional das áreas cultivadas, o que reforça o papel do ganho de produtividade, da adoção de tecnologia e do planejamento estratégico no agronegócio.

Em 2025, a safra totalizou 346,1 milhões de toneladas, resultado associado a condições climáticas favoráveis e ao fortalecimento de culturas como milho, arroz, soja e algodão. No mesmo período, a área plantada avançou 66,8%, passando de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares, ritmo inferior ao crescimento da produção.

Para 2026, o IBGE projeta uma retração de 1,8%, com a produção estimada em 339,8 milhões de toneladas, cenário que reforça a importância de investimentos contínuos em mecanização, inovação genética e eficiência produtiva.

Nesse contexto, o consórcio agrícola tem ganhado espaço como alternativa de financiamento. Levantamento da ABAC aponta que, em novembro, os consórcios de máquinas agrícolas já representavam 51% do total de consórcios de bens pesados no país, com base em dados do Banco Central.

Para Guilherme Lamounier, o cenário de crédito mais restritivo explica a expansão da modalidade.
“Em um cenário de juros elevados e crédito mais restritivo, o consórcio se consolida como uma alternativa inteligente para o produtor que precisa investir em tecnologia e mecanização sem comprometer o fluxo de caixa ou assumir custos financeiros excessivos.”

A pesquisa da ABAC mostra que 67% dos consorciados são pessoas físicas e 45% têm mais de 45 anos, indicando um perfil de produtores experientes e atentos à gestão financeira. Cerca de 90% atuam no cultivo de soja, milho e arroz, em propriedades de diferentes portes.

Outro dado destacado pela associação é a forte relação entre renda e adesão ao consórcio. Estudos baseados na PNAD indicam correlação de 92% entre renda familiar e comercialização de cotas.
“A forte correlação entre renda familiar e adesão aos consórcios mostra que, à medida que o produtor ganha previsibilidade financeira, ele busca modalidades mais eficientes de autofinanciamento, especialmente em contextos de planejamento de médio e longo prazo, permitindo investimento sem juros e maior controle sobre o capital”, afirma Lamounier.

Com um agronegócio cada vez mais dependente de tecnologia e planejamento de longo prazo, o consórcio de máquinas agrícolas se consolida como instrumento estratégico para ampliar a capacidade produtiva sem pressionar o fluxo de caixa, em um ambiente marcado por custos financeiros elevados.

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