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Rui Costa é escalado por Lula como elo do governo com Lira e ganha força após crises

FolhaPress 14/02/2024 08:27

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Casa Civil, Rui Costa, ganhou força após ser escolhido pelo presidente Lula (PT) como o novo elo do governo com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mas alguns reveses fizeram sua fama de "gerentão do governo" sofrer abalos neste início de 2024.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O gesto de Lula em indicá-lo como interlocutor de Lira ocorre em meio à elevação das críticas nos bastidores ao ministro que tem a atribuição de coordenar o trabalho de todas as pastas da Esplanada.

Três episódios contribuíram para o fogo amigo.

A crise desencadeada pela operação da Polícia Federal contra a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que está sob sua guarda, a dificuldade do governo para retirar invasores da Terra Indígena Yanomami e o anúncio do plano de alavancagem da indústria do país.

Embora a ação policial na agência de inteligência tenha mirado aliados do ex-presidente, investigadores dizem que a atual gestão do órgão tentou atrapalhar as apurações.

A operação levou Lula a demitir o diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti, e deixou o presidente irritado pelo fato de o órgão ter como número 2 um homem que já chegou a ter cargo equivalente na Secretaria de Segurança do Distrito Federal na gestão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro.

A demora na exoneração de Moretti é atribuída a ponderações do diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, em favor da permanência de seu braço-direito, em uma articulação apoiada por Rui.

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A dificuldade do governo em resolver a situação na Terra Indígena Yanomami também arranhou a imagem do governo, já que Lula assumiu o tema como uma questão central de sua gestão e fez duras críticas à situação daquela população indígena, que sofria com a desnutrição, a malária, a invasão de garimpeiros, entre outros problemas.

O mandatário abraçou a causa e ampliou a atenção da sociedade para o caso. Essa movimentação reforçou os ataques contra Bolsonaro, acusado nas redes sociais de promover um genocídio do povo indígena.

Na ocasião, foi montada uma força-tarefa no Executivo para resolver a situação, sob coordenação da Casa Civil.

Um ano após a ida de Lula ao local, no entanto, a população tradicional segue enfrentando sérios problemas, e o garimpo ilegal persiste em atividade na região. O barulho feito pelo chefe do Executivo sobre o tema no começo do mandato, então, se voltou contra o próprio governo.

Já o lançamento de um pacote de medidas voltadas à indústria foi classificado como "atabalhoado" por integrantes do governo.

Na reunião que antecedeu o lançamento que ocorreria no mesmo dia, Lula reclamou que o projeto não continha pontos concretos e dava margem para as críticas de que se tratava de uma reedição de medidas antigas.

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Também apontou falhas no documento, como problemas nos prazos para cumprimento das "metas aspiracionais" estabelecidas.

Além disso, o pacote de medidas também esquentou novamente a disputa que existe entre Rui e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ambos mantinham boa relação até o início de 2023, mas, após o início do governo, se desentenderam em diversas ocasiões e passaram a estabelecer uma animosidade com críticas mútuas nos bastidores.

Logo após a apresentação do plano, batizado de Nova Indústria Brasil, o chefe da pasta econômica lamentou a falta de detalhamento da proposta.

Em reunião com líderes partidários da Câmara dos Deputados um dia após o anúncio, o ministro da Fazenda apontou para um painel que registra indicadores econômicos —como bolsa e dólar— para afirmar que sofrem oscilações toda vez que medidas de impacto são anunciadas sem o devido esclarecimento.

Aos parlamentares Haddad disse ainda que não tinha sido informado até um dia antes sobre o lançamento do pacote. Membros do governo, no entanto, lembram que o Ministério da Fazenda faz parte do conselho que discutiu o plano.

Sob reservas, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que Rui não é de fácil trato e, com frequência, se indispõe com outras pastas pela maneira e intensidade das cobranças por resultados nos programas do governo. No entanto, ele ainda é visto como um gestor competente inclusive por desafetos.

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Seus defensores argumentam que às vezes é necessário pulso firme para garantir o andamento da administração petista. Além disso, dizem que as críticas são naturais porque cabe a ele blindar o presidente sobre problemas da Esplanada e rejeitar ideias de outros ministérios.

Aliados também dizem que o ministro saiu para o feriado de Carnaval mais empoderado do que nunca após Lula delegar a ele a tarefa de dialogar com Arthur Lira.

Isso se dá nem tanto pelas qualidades do ministro, mas pela desavença entre Lira e o responsável pela articulação política do governo, Alexandre Padilha.

Na sessão de abertura do ano no Legislativo, Lira cumprimentou Padilha de maneira protocolar. O presidente da Câmara e Rui, por sua vez, conversaram e tiveram momentos de descontração, com risadas —sem a participação de Padilha, que olhava para o plenário.

Na semana anterior, Rui havia feito uma visita a Lira, na residência oficial da presidência da Câmara.

Segundo integrantes do governo, a competência do chefe da Casa Civil será posta à prova também com a ameaça de eclosão da pandemia de dengue no país, uma vez que ações conjuntas de combate à doença dependem da coordenação do ministro, e a execução do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

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