Segundo reportagem da Piauí, novo repasse de Vorcaro elevou para ao menos US$ 12,3 milhões o valor destinado ao filme Dark Horse
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indica que os recursos relacionados ao financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, continuaram sendo enviados meses depois da data anteriormente mencionada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
As informações foram reveladas pela revista Piauí, que afirma ter tido acesso ao documento. De acordo com a publicação, Daniel Vorcaro realizou em 16 de setembro de 2025 uma transferência de US$ 1.666.667 para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e ligado à administração dos recursos destinados ao projeto.
Com a operação, o total de pagamentos identificados como provenientes de Vorcaro para o financiamento do filme teria alcançado aproximadamente US$ 12,3 milhões. Na cotação daquele período, o montante superava R$ 65 milhões.
A informação ganha relevância porque Flávio Bolsonaro havia declarado anteriormente, em entrevista, que o último pagamento feito por Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025.
O documento citado pela revista, portanto, aponta a existência de uma transferência posterior à data apresentada pelo senador.
Mensagem cita possível novo pagamento
A reportagem também apresenta mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e ao publicitário Thiago Miranda, que teria participado da busca por financiamento para a produção.
Em uma conversa datada de outubro de 2025, Miranda teria perguntado sobre parcelas pendentes do filme. Vorcaro respondeu que havia liberado mais um pagamento naquele dia.
A publicação ressalta, porém, que essa mensagem não comprova por si só que uma nova transferência tenha sido efetivamente concluída.
Caso uma oitava parcela de aproximadamente US$ 1,6 milhão tenha sido paga, o montante relacionado ao projeto poderia chegar a cerca de US$ 14 milhões. Segundo a reportagem, o acordo inicialmente previsto para o financiamento chegaria a US$ 24 milhões.
Caminho do dinheiro é investigado
Outro ponto sob apuração é a estrutura utilizada para movimentar os recursos.
Segundo a Piauí, os valores não teriam seguido diretamente das empresas ligadas a Vorcaro para a produtora responsável pelo filme nos Estados Unidos.
Parte das operações teria passado por empresas e intermediários antes de chegar ao Havengate Development Fund.
As investigações buscam esclarecer o percurso completo do dinheiro e verificar quanto dos recursos efetivamente chegou à produção cinematográfica.
Também está sob análise o papel desempenhado por pessoas relacionadas ao projeto e a administração dos recursos mantidos pelo fundo americano.
Eduardo Bolsonaro é citado na apuração
A reportagem afirma ainda que investigadores procuram esclarecer a relação de Eduardo Bolsonaro com a estrutura financeira associada ao filme.
Documentos americanos citados pela publicação apresentariam Eduardo em diferentes momentos como produtor executivo ou financiador.
Ele já declarou publicamente ter investido US$ 50 mil de recursos próprios para viabilizar a contratação do diretor da produção e afirmou que o dinheiro posteriormente lhe foi devolvido.
Até o momento, entretanto, não foi apresentada evidência pública de que valores enviados por Vorcaro tenham sido desviados para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Esse ponto permanece, segundo a reportagem, entre as questões investigadas.
Flávio não detalhou novos pagamentos
Procurada pela revista, a assessoria de Flávio Bolsonaro não informou qual teria sido o valor total efetivamente destinado por Vorcaro ao projeto.
A orientação dada à publicação foi de que questionamentos sobre as transferências fossem encaminhados à produtora responsável pelo filme.
O principal dado novo apresentado pela reportagem é a existência, segundo o relatório do Coaf, de um pagamento em setembro de 2025, quatro meses depois da data que Flávio havia indicado publicamente como sendo a do último repasse.
As circunstâncias das transferências, a origem completa dos recursos, sua destinação final e as responsabilidades individuais continuam dependendo das investigações em andamento.
Com informações da revista Piauí.