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Relator do PL que legaliza cassinos e jogo do bicho teme derrota e projeto sai da pauta do Senado

FolhaPress 04/12/2024 19:32

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O relator do projeto de lei que libera cassinos e legaliza o jogo do bicho, senador Irajá Abreu (PSD-TO), pediu nesta quarta-feira (4) que o PL fosse retirado da pauta do Senado em meio à pressão de senadores contrários.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Durante a sessão, o projeto foi adiado por mobilização de senadores de diferentes grupos políticos -desde a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), evangélica e aliada de primeira hora do presidente Lula (PT), até o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), passando pela bancada do MDB.

Com medo de derrota, Irajá pediu a retirada do projeto. O senador fez um discurso na tribuna do Senado em que afirmou que o ambiente tem sido contaminado "pela pauta das apostas esportivas" online, e se tornado "tenebroso".

O senador Flávio Arns (PSB-PR) apresentou um requerimento para que o PL seja avaliado pelos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento e Assistência Social -o que será feito. O requerimento de Arns foi assinado por 32 senadores.

Diante do pedido de informações, o projeto não deve retornar à pauta do Senado neste ano.

O PL em discussão no Congresso foi proposto em 1991 pelo ex-deputado Renato Vianna (MDB-SC). O texto original se restringia a revogar decretos da década de 1940 que colocavam o jogo do bicho na contravenção.

A cúpula da Câmara dos Deputados decidiu aproveitar o texto do século passado para, em 2022, ampliar o alcance do projeto e legalizar mais jogos proibidos no Brasil, como cassinos e bingo.

SESC PICASSO

O texto atual permite a criação de cassinos integrados a complexos de lazer, como prédios ou embarcações. O PL ainda estabelece que o jogo do bicho deixa de ser contravenção penal e se torna legal.

A proposta foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado em junho por 14 votos a favor e 12 contra. Se for aprovado pelo plenário do Senado sem mudanças (mantendo o texto de 2022 da Câmara), o projeto vai à sanção presidencial.

Na sessão desta quarta, senadores chamaram atenção para o impacto das bets na dependência e no descontrole financeiro dos usuários. Quase dois a cada três brasileiros com 18 anos ou mais defendem a proibição da modalidade, segundo pesquisa Datafolha divulgada dia 23.

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As apostas esportivas online foram legalizadas por lei sancionada no último mês do governo de Michel Temer (MDB), em dezembro de 2018. Os caça-níqueis virtuais, por sua vez, foram incluídos no regramento brasileiro pelo Congresso em dezembro de 2023.

A discussão se dá em meio a intenso lobby, inclusive internacional, com promessas de investimentos bilionários no Brasil e aumento na arrecadação de impostos.

Do outro lado, parlamentares de diversos partidos políticos têm aumentado o coro da bancada evangélica, historicamente contra a legalização, diante do impacto das bets.

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