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Política

Raquel Lyra abriga secretário réu e ex-aliado de João Campos para consolidar base política

FolhaPress 07/04/2025 13:49

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Após a filiação ao PSD, a governadora Raquel Lyra intensificou as movimentações políticas para tentar fortalecer a sua base aliada de olho nas eleições de 2026, quando deve tentar a reeleição em Pernambuco.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mesmo quando estava de férias no Canadá, Raquel Lyra deu aval à vice-governadora Priscila Krause (PSDB) para dar posse a três novos secretários ao longo da última semana, entre eles um ex-prefeito cuja gestão é suspeita de criar turmas fantasmas e um réu por improbidade administrativa.

A articulação da governadora consolidou a aliança política com o PP, comandado em Pernambuco pelo deputado federal Eduardo da Fonte, cotado para disputar o Senado em 2026 na chapa de Raquel, e trouxe para a base aliada o Avante, partido que era aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), até então.

Nesta segunda-feira (7), a governadora vai participar de ato de filiação de prefeitos ao PSD que deixaram o PSDB na quinta-feira (3) após a sigla tucana entregar a presidência do partido no estado ao presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, desafeto de Raquel Lyra. A intervenção do PSDB no diretório estadual foi uma retaliação à saída da chefe do Executivo estadual da legenda.

Na semana anterior à intervenção no PSDB, o PP indicou o deputado estadual Kaio Maniçoba para a Secretaria de Turismo e Lazer. Essa é a primeira vez, após dois anos e três meses, que o governo de Raquel Lyra terá um político de mandato no primeiro escalão. Ao formar a gestão no início, a governadora indicou preferência por quadros técnicos, o que tem sido dissipado.

SESC PICASSO

Maniçoba é réu por improbidade administrativa na Justiça Federal em Pernambuco, na esfera cível. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, ele acumulou indevidamente, por mais de cinco meses, o cargo de ouvidor da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) com o de secretário da Assembleia de Pernambuco. Ele deixou o cargo na Sudene após ser denunciado.

Em 2017, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou a denúncia na esfera penal. Segundo a defesa do secretário, "o fundamento da acusação na ação de improbidade é o mesmo que foi analisado a rejeitado na esfera penal". "O STF já reconheceu que não houve omissão dolosa de informação nem qualquer irregularidade na conduta de Kaio Maniçoba", diz nota dos advogados.

A defesa também avalia que a decisão penal fortalece a tese da defesa na ação civil na primeira instância.

Outro novo secretário é Emmanuel Fernandes, conhecido como Manuca, que é agora secretário de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo. Ele é ex-prefeito de Custódia, a 335 km do Recife, no sertão do estado.

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Manuca foi indicado pelo partido Avante, que deixou de fazer parte da base aliada de João Campos, adversário de Raquel Lyra, no Recife.

Durante a gestão de Manuca em Custódia, o Ministério Público Federal moveu, em 2022, uma ação que levou a cidade a depositar em juízo cerca de R$ 35 milhões, pouco mais da metade do orçamento municipal. Segundo a ação, a gestão teria aumentado de maneira artificial a quantidade de alunos no EJA (Ensino de Jovens e Adultos) para conseguir mais verbas.

Segundo os procuradores, houve a criação de "um amplo cabide de empregos para professores sem capacitação mínima, contratos sem impessoalidade, por meio de indicação política ou com base em arregimentação de alunos, e que não exerciam regularmente suas funções letivas".

Em 2021, o Inep realizou uma visita ao município e excluiu 8.779 das 9.500 matrículas de EJA da cidade, reduzindo o contingente de alunos para 739.

Em 2023, quando a Folha de S.Paulo esteve na cidade, o secretário de Educação de Custódia, Alysson de Yolanda, disse que na cidade "não tem nenhum caso de alunos fictícios" e que desconhece suspeitas nesse sentido. Procurado por meio do governo, Manuca não se manifestou.

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Um dos padrinhos da indicação de Manuca foi o ex-deputado federal Sebastião Oliveira, um dos líderes do Avante em Pernambuco. Em 2022, ele foi candidato a vice-governador na chapa de Marília Arraes (Solidariedade), derrotada por Raquel Lyra no segundo turno.

Em um dos debates, Raquel teceu críticas a Sebastião Oliveira, seu novo aliado, e citou uma investigação da Polícia Federal sobre o período em que ele era secretário estadual de Transportes no governo de Paulo Câmara, à época do PSB.

"Marília precisa responder sobre com quem ela anda. O vice dela, por exemplo, foi secretário de Transporte de Paulo Câmara por mais de três anos, responsável pelas estradas de Pernambuco, investigado. Houve operação da Polícia Federal investigando o uso indevido de R$ 60 milhões em razão da obra do contorno da BR-101."

O Avante também indicou o filho do deputado federal Waldemar Oliveira (PE), o advogado Virgílio Oliveira, para ser o novo administrador de Fernando de Noronha.

Priscila Krause foi a responsável por dar posse a Kaio Maniçoba e a Manuca. Quando era deputada estadual, antes de ser vice-governadora, ela costumava tecer críticas às gestões do PSB por problemas de cunho ético e desvios de recursos públicos, em algumas ocasiões antes de os casos irem a julgamento.

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