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'Questão pequena', diz Zema sobre Bolsonaro na mira do STF pela trama golpista

FolhaPress 11/06/2025 13:41

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), caracterizou o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus em uma trama golpista como uma "coisa pequena" contra adversários políticos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em busca de viabilizar uma candidatura presidencial, o mineiro tem procurado atrair o eleitorado de Bolsonaro, que está inelegível. Nas últimas semanas, ele passou a enviar sinais mais claros a esse campo, como quando relativizou a ditadura militar no Brasil.

"Muitas vezes parece haver uma certa perseguição política a adversários, né? Nós temos tantos temas importantes no Brasil para lidarmos que dizem respeito ao futuro, tantas decisões que dependem do Supremo e muitas vezes nós ficamos aí, vamos dizer, olhando questões pequenas porque quem está envolvido é um adversário político", disse Zema em entrevista nesta quarta-feira (11) à rádio Itatiaia.

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Ele repetiu a tese de aliados do ex-presidente de que a ação representa uma espécie de perseguição, mas também disse estar "satisfeito de ver a Justiça brasileira funcionando", com direito à ampla defesa.

Indagado sobre seus planos para o próximo ano e a possibilidade de concorrer a uma vaga ao Senado, o governador disse que será um candidato ao Executivo.

"Eu não tenho muita paciência para debate, para ficar ali discutindo não. Eu só mais é de pegar o carro, pegar a botina e ver o que que tá acontecendo no chão de fábrica mesmo".

Zema também foi indagado se mantém a posição sobre declarações controversas recentes. Uma delas foi em entrevista à Folha de S.Paulo, na semana passada, quando afirmou que a ditadura que vigorou de 1964 a 1985 é uma "questão de interpretação" e que cabe aos historiadores "debater isso".

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"Nós tivemos um regime militar duro no Brasil que, vale lembrar, teve embate de ambas partes. Tínhamos naquela época grupos terroristas de esquerda fortemente armados que assassinaram, sequestraram e tiveram anistia. Sou contra qualquer tipo de regime autoritário", disse Zema nesta quarta.

O governador também comentou sobre a declaração quando comparou moradores de rua a veículos estacionados em locais proibidos e voltou a defender uma lei que proíba que as pessoas durmam nas ruas.

As falas de Zema direcionadas à direita radical têm desagradado aliados do vice-governador Mateus Simões (Novo), pré-candidato ao governo de Minas, pelo risco de afugentaram os eleitores de centro na próxima campanha estadual.

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Simões tem preferido criticar o presidente Lula (PT) em meio à renegociação da dívida de cerca de R$ 165 bilhões de Minas com a União.

Zema, que reafirmou na entrevista apoio ao vice, disse que não irá às agendas do presidente nesta quinta-feira (12) no estado.

Pela manhã, Lula vai anunciar a extensão da indenização a vítimas do desastre de Mariana, e à tarde ele participa de cerimônia para entrega de máquinas agrícolas em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

"Primeiro, eu já tinha agendas pré-agendadas, difíceis de mudar. Segundo, os eventos do presidente Lula em Minas têm sido eventos de torcida. Então, escolhem a dedo quem vai participar. E, se você não for daquele grupo, muito provavelmente você seria vaiado ali, como já deu para perceber em outras ocasiões", disse o governador.

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