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Quem é o general Mario Fernandes, que admitiu plano de matar autoridades

FolhaPress 26/07/2025 18:01

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O general da reserva Mario Fernandes, que admitiu ao STF (Supremo Tribunal Federal) ter elaborado o plano para matar autoridades em 2022, chefiava o Comando de Operações Especiais do Exército, em Goiânia, quando conheceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Era julho de 2019 e Bolsonaro havia decidido visitar a sede do comando, sendo o primeiro presidente a fazer isso desde a redemocratização. O próprio Mario Fernandes ciceroneou o presidente e, dois anos depois, foi chamado para integrar o seu governo.

Fernandes, 61, foi preso em novembro passado sob suspeita de ter planejado as mortes de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Alexandre de Moraes, ministro do STF, após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. O objetivo era impedir a posse do petista. Segundo as investigações, para colocar o plano em prática, Fernandes arregimentou alguns de seus antigos comandados em Goiânia --os "kids pretos", como são conhecidos os militares das Forças Especiais.

Sua prisão foi decretada após o arquivo Punhal Verde e Amarelo, com os detalhes do plano, ser encontrado em seu computador.

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"Confirmo, excelência. Esse, na verdade, é um arquivo digital que nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado", disse Fernandes em depoimento ao STF na quinta-feira (24).

Ele minimizou a importância do documento, afirmando se tratar da "visão de um militar com a análise de uma situação" e negou ter mostrado o documento a outras pessoas. "Hoje eu me arrependo de ter digitalizado isso", disse.

"Imprimi por um costume pessoal de evitar ler o documento na tela, mas imprimi para mim e logo depois rasguei", acrescentou.

Na época em que elaborou o documento, Fernandes era o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, sendo o número dois do ministro Luiz Eduardo Ramos, que é amigo de Bolsonaro e se livrou das acusações da trama golpista no STF.

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Assim como Bolsonaro, Fernandes se formou na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e fez curso de paraquedismo. Em seu depoimento ao STF, o general da reserva disse não ser próximo do ex-presidente apesar da afinidade entre os dois.

Depois do governo Bolsonaro, Fernandes foi lotado no gabinete do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde na gestão anterior, entre 2023 e 2024.

Ao STF o general disse que, na ocasião da derrota de 2022, Bolsonaro se preocupava com a possibilidade de fraude eleitoral, algo propagandeado pelo ex-presidente ao longo de seu mandato mesmo sem provas, indícios e com fiscalizações mostrando o contrário. "O que eu era a favor, e sempre fui, era que o presidente Bolsonaro, dentro das suas atribuições e prerrogativas como chefe do Executivo, buscasse soluções para essas dúvidas", disse ele.

Mas em novembro de 2022, ocasião em que elaborou o Punhal Verde e Amarelo, Fernandes disparou pelo WhatsApp uma carta ao então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, pressionando por um golpe de Estado.

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"É agora ou nunca mais, comandante, temos que agir", escreveu.

A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República afirma que o general atuou "na interlocução entre o governo e os apoiadores de Bolsonaro" que estavam acampados pedindo golpe militar. Segundo a acusação, ele esteve quatro vezes no acampamento montado em Brasília.

A Procuradoria-Geral também diz que Mário Fernandes era responsável "por coordenar as ações de monitoramento e neutralização de autoridades públicas".

"O plano minudenciava providências de reconhecimento operacional, prevendo o acompanhamento de 'locais de frequência e estadia' do ministro Alexandre de Moraes, com observação de sua residência, trabalho e local de prática de esportes."

A acusação também afirma que ele faria da "assessoria estratégica" de um gabinete que seria montado com a consumação do golpe militar.

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