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Política

Quem é Clariana Barão, uma das duas mulheres na disputa presidencial

Advogada de 39 anos estreia nas urnas pelo DC em uma eleição que tem apenas duas candidatas mulheres ao Palácio do Planalto

Vitória News 17/08/2026 10:58

Aos 39 anos e sem experiência anterior em disputas eleitorais, Clariana Barão entrou diretamente na corrida pelo cargo mais alto da República. Candidata do Democracia Cristã (DC) à Presidência em 2026, a advogada mato-grossense é uma das apenas duas mulheres que concorrem ao Palácio do Planalto neste ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A outra candidata é Samara Martins, da Unidade Popular (UP). A presença feminina na eleição presidencial, portanto, é pequena diante do conjunto de concorrentes e menor do que na disputa de 2022, quando quatro mulheres figuraram entre os candidatos ao cargo.

Natural de Cuiabá, Clariana construiu sua trajetória profissional principalmente na advocacia e em atividades ligadas à área social. É formada em Direito pelo Centro Universitário de Várzea Grande e possui especialização em Direito Administrativo e Gestão Pública.

Antes de chegar à disputa presidencial, teve participação em iniciativas da advocacia mato-grossense e presidiu a Comissão de Solidariedade e Assistência Social da OAB de Várzea Grande.

Sua atuação em projetos sociais também ganhou visibilidade fora de Mato Grosso. Em 2024, Clariana participou da organização de uma mobilização de voluntários destinada a ajudar famílias atingidas pelas enchentes que devastaram diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

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A entrada formal na política partidária ganhou força em 2026, quando assumiu a presidência estadual do Democracia Cristã em Mato Grosso. Pouco tempo depois, passou a ser considerada pela legenda para representar o partido na sucessão presidencial.

A escolha colocou Clariana diante de um desafio incomum para quem nunca havia disputado sequer uma eleição municipal ou estadual: apresentar-se diretamente ao eleitorado nacional como candidata à Presidência da República.

Na chapa, ela terá Fabiana Torquato como candidata a vice-presidente.

A indicação também representa uma mudança histórica dentro do próprio Democracia Cristã. Desde a fundação da legenda, em 1995, as candidaturas presidenciais do partido estiveram associadas ao nome de José Maria Eymael. Em 2026, o DC chega à eleição com uma nova liderança na cabeça da chapa.

A condição de uma das duas únicas mulheres na corrida presidencial tende a se transformar em um dos elementos de maior visibilidade da candidatura.

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Clariana tem colocado temas relacionados às mulheres entre as prioridades apresentadas para a campanha. Entre os pontos defendidos estão o enfrentamento à violência, maior efetividade das medidas protetivas e uso de recursos tecnológicos para melhorar a resposta do poder público a mulheres ameaçadas.

A candidata também menciona políticas voltadas à infância, ampliação do acesso a creches e criação de oportunidades econômicas para mulheres.

Sua origem em Mato Grosso coloca ainda o agronegócio dentro do discurso político. Clariana procura conciliar a defesa da atividade produtiva com políticas de preservação ambiental, em um estado que ocupa posição central na produção agropecuária brasileira.

Politicamente, a candidata tenta construir uma identidade fora da polarização que marcou as últimas eleições presidenciais. Sem histórico de mandatos e sem longa carreira partidária, aposta justamente na ausência de experiência eleitoral como elemento de diferenciação diante de adversários mais conhecidos.

Essa característica faz de Clariana uma personagem pouco convencional da eleição de 2026. Em vez de percorrer a trajetória tradicional de vereador, deputado, senador ou governador antes de tentar chegar ao Planalto, ela estreia nas urnas já em uma disputa presidencial.

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A baixa participação feminina também amplia o significado político de sua candidatura. Apesar de as mulheres representarem mais da metade do eleitorado brasileiro, apenas duas estão entre os nomes que concorrem à Presidência neste ano.

Além de Clariana, Samara Martins representa a presença feminina na corrida. Cirurgiã-dentista e ligada a movimentos sociais, Samara já participou de uma disputa presidencial como candidata a vice e agora encabeça a chapa da UP.

As duas chegam à eleição a partir de trajetórias e campos políticos diferentes, mas compartilham uma característica que chama atenção no cenário eleitoral de 2026: são exceções em uma disputa pelo Palácio do Planalto amplamente dominada por homens.

Para Clariana Barão, a eleição terá ainda um componente adicional. Mais do que apresentar suas propostas ao país, a advogada terá de transformar uma trajetória até recentemente pouco conhecida fora de Mato Grosso em uma candidatura nacional capaz de conquistar espaço no debate presidencial.

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