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Economia

Queda na importação de bens duráveis mostra economia que desacelera

FolhaPress 13/10/2025 12:23

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ritmo de compras de bens duráveis de outros países pelo Brasil, que apresentava alta de dois dígitos até o início deste ano, se reduziu com força nos últimos meses, em mais um sinal de enfraquecimento da economia como consequência dos juros altos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As importações de duráveis (bens como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis) caíram em julho pela primeira vez desde novembro de 2023 na comparação anual —em agosto, as compras voltaram a cair, e ficaram praticamente estáveis em setembro, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços).

O principal motor desse movimento é a China, de onde o Brasil compra mais de 50% das importações de duráveis. Houve queda nas compras de fornecedores chineses mesmo com as tarifas de 30% impostas pelos Estados Unidos ao gigante asiático —o temor da indústria era de que isso poderia intensificar a invasão do mercado brasileiro pelo país.

Entre julho e setembro, os chineses enviaram US$ 423,9 milhões bens duráveis a compradores brasileiros, uma redução de 11,1% na comparação com 2024.

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Nos últimos três meses encerrados em setembro, o Brasil comprou US$ 135,8 milhões em smartphones do gigante asiático, uma queda de 2,9% ante o mesmo período do ano passado. Outro exemplo é dos refrigeradores, em que as importações da China somaram US$ 44,6 milhões entre julho e o mês passado, queda de 18,8%.

"O Brasil estava em um ritmo de importação muito elevado. Esse movimento tem a ver com a desaceleração da atividade econômica", explica Lia Valls, pesquisadora associada do FGV/Ibre e responsável pelo Icomex (Indicador de Comércio Exterior).

Ela aponta que a queda nas importações foi generalizada, atingindo todos os grandes mercados, o que reforça o cenário de fraqueza da economia brasileira. No caso dos Estados Unidos, que é a segunda origem dos bens duráveis importados pelos brasileiros, foram adquiridos US$ 20,8 bilhões desses produtos em setembro, uma queda de 27,8%.

Os números do Mdic mostram um movimento parecido em máquinas e equipamentos.

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O crescimento acima de 20% em boa parte do ano passado se reduziu a 3% no segundo trimestre de 2025 e chegou a cair em agosto, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior. Em setembro, houve crescimento, mas influenciado pela importação de uma plataforma de US$ 2,4 bilhões de Singapura.

José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), reforça que a queda em bens duráveis pode ser explicada pelo fato de a economia estar desacelerando, refreada pelo nível elevado dos juros.

O Banco Central vem subindo a taxa básica da economia brasileira, a Selic, desde setembro do ano passado: os juros passaram de 10,5% ao ano para os atuais 15% ao ano.

No caso de bens não duráveis e semi duráveis, que são menos dependentes de crédito, os dados mostram crescimento significativo nas importações de setembro em relação ao mesmo período do ano passado: subiram 46,7% e 9,3%, respectivamente.

Mas a fraqueza da economia não é o único fator que explica a perda de ritmo nas importações de duráveis e máquinas e equipamentos, aponta Castro. Ele lembra que o Brasil importou muito da China ao longo do ano passado e início deste ano, e formou estoques importantes.

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"O Brasil importou muito no último ano, em um crescimento de dois dígitos, mas a economia passou a perder ritmo. Então estamos estocados em um momento em que a economia começa a se desacelerar", avalia o especialista.

Para o presidente da AEB, há também uma leve perda de ritmo da economia mundial, o que pode ter influência na perda de ritmo das importações. "A China, há dois anos, estava vendendo muito a preços altos. Agora, está vendendo a preços bem mais baixos", afirma.

Os dados do Banco Central já vinham apontando para o enfraquecimento da atividade: em julho, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) caiu 0,50% na comparação com o mês anterior, na terceira queda consecutiva.

Outro sinal de perda de ritmo da atividade econômica brasileira vem do mercado de trabalho. O Brasil gerou 147 mil vagas de trabalho formal em agosto, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, o pior resultado da história para o mês.

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