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PT enfrenta dilema em Curitiba sobre apoio a deputado do PSB que votou por impeachment

FolhaPress 01/05/2024 08:42

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - A corrida à Prefeitura de Curitiba está embaralhada para o PT, que na capital paranaense segue dividido entre lançar candidatura própria ou apoiar o deputado federal Luciano Ducci, nome do PSB para a disputa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O comando nacional da legenda já sinalizou que prefere a aliança com Ducci, defendido como um nome com mais potencial nas urnas entre as possibilidades do campo da centro-esquerda.

Também sustenta que o PSB de Geraldo Alckmin tem cobrado o apoio dos petistas nas capitais onde já tem pré-candidaturas sólidas, caso de Curitiba e do Recife, com João Campos. As duas cidades são consideradas prioritárias pelos pessebistas.

Uma ala do PT em Curitiba, contudo, resiste ao nome de Ducci, por causa dos laços do passado com o PSDB, especialmente em uma época em que os tucanos ainda tinham protagonismo no embate com o PT.

Ducci foi vice de Beto Richa (PSDB) e comandou a prefeitura a partir da renúncia do tucano para disputar o governo paranaense, em 2010. Em 2016, já era deputado federal quando votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Em Curitiba, o PSB sempre atuou afinado com o PSDB. Em 2022, com a entrada de Geraldo Alckmin no PSB e a aliança nacional com o PT de Lula, lideranças do PSB curitibano abandonaram o barco, migrando para o PSD do governador Ratinho Junior. Ducci permaneceu no PSB e chegou a integrar a equipe de transição de Lula no final de 2022.

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Petistas contrários a Ducci alegam que a imagem do político ainda está atrelada ao grupo da centro-direita e, por isso, não teria força para unir a esquerda. Partidos como o PSOL dizem que não vão integrar uma chapa liderada por alguém que votou a favor do impeachment de Dilma.

Outro defensor da candidatura própria do PT em Curitiba, o ex-governador Roberto Requião se desfiliou recentemente. Histórica liderança do MDB, Requião concordou em migrar para o PT em 2022 e concorrer ao governo, dando palanque a Lula no Paraná. Depois da vitória de Lula, a relação esmoreceu -Requião se queixou publicamente que não era procurado nem ouvido pelo PT. Agora, ensaia uma candidatura à prefeitura pelo partido Mobiliza (antigo PMN).

Dentro do PT, o deputado estadual Requião Filho chegou a colocar o próprio nome como uma possibilidade para a prefeitura. Recuou, segundo ele, quando percebeu que a decisão sobre a aliança com Ducci estava vindo "de cima para baixo". Ao contrário do pai, ele disse à Folha que segue no partido.

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Outros nomes do PT que já se lançaram como pré-candidatos à prefeitura são Carol Dartora e Zeca Dirceu, ambos deputados federais.

Ouvida pela reportagem na quinta-feira (25), Carol diz que mantém sua pré-candidatura e que "aliança com Ducci não tem como apoiar". Zeca Dirceu vem fazendo críticas abertas em uma rede social: "Nem uma criança de 13 anos acredita na tese que o PSB não apoiará Lula em razão da decisão de Curitiba".

Presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann afirmou que uma definição deve sair no início de maio e que a aliança com Ducci faz parte de uma estratégia de reconstrução e fortalecimento do campo democrático no país.

"Se o critério for esse [voto pelo impeachment], aí eu não posso apoiar ninguém do PSB, que fechou posição na época. Geraldo Alckmin também foi nossa oposição e hoje é vice do Lula. Marta Suplicy [hoje de volta ao PT] também votou [contra Dilma]. Não é um critério. Temos uma situação no passado muito ruim, mas, diante do que nós estamos vivendo hoje, de ameaça da extrema direita, do bolsonarismo, temos que reconstruir um campo democrático", diz Gleisi.

A deputada lembra que resoluções internas do partido já indicaram que o PT deve priorizar alianças com siglas que estiveram com Lula em 2022 desde o primeiro turno e, também, apoiar os nomes que, dentro deste leque de legendas, possuem mais condição de vitória nas urnas.

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"O PT não vai ter candidatura própria em todas as capitais exatamente por isso. Porque precisamos ajudar a construir este campo democrático. Às vezes a gente é criticado por querer hegemonia. Pois agora estamos fazendo um esforço para recompor um campo democrático, com aliados longevos", afirma ela.

A deputada também diz que é preciso fortalecer o campo político porque, "além da eleição de 2024, a gente tem a eleição de 2026, muito importante e estratégica para nós".

O PT nunca elegeu o prefeito de Curitiba. A última vez em que se apresentou competitivo foi em 2004, com Angelo Vanhoni, hoje vereador, derrotado no segundo turno para Beto Richa.

Na última eleição, em 2020, o PT curitibano registrou uma derrota expressiva, obtendo apenas 2,46% dos votos com Paulo Opuszka, oitavo lugar na disputa. O atual prefeito, Rafael Greca (PSD), foi reeleito já no primeiro turno.

Nas eleições de outubro, cerca de dez partidos já lançaram seus pré-candidatos na capital do Paraná. O grupo que atualmente está no poder aposta em Eduardo Pimentel (PSD), que é o atual vice-prefeito e tem o apoio também de Ratinho Junior.

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