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Política

Proporção de candidatas a prefeita cresce mais na direita, mas esquerda mantém dianteira

FolhaPress 03/10/2024 10:10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A direita foi o campo político que mais aumentou a proporção de candidatas a prefeita nestas eleições municipais em comparação a 2020, mas a presença de mulheres segue maior na esquerda.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Dos 5.300 nomes ao cargo nos partidos à direita, 14,9% são mulheres, enquanto na esquerda as mulheres são 17% dos mais de 3.300 nomes lançados. Em comparação ao último pleito, a proporção de candidatas aumentou 3 pontos percentuais na direita e 2 na esquerda.

No centro, as mulheres são 14% das 6.600 das candidaturas para prefeituras, e a variação na proporção de candidatas ficou em um ponto percentual de 2020 para 2024.

Minoria nas disputas às prefeituras, as mulheres representam 15% do total de postulantes, com 2.317 candidatas pelo Brasil, reflexo da decisão dos partidos.

A classificação da ideologia das legendas deriva do GPS partidário, modelo estatístico criado pela Folha para medir a proximidade dos partidos a partir de quatro variáveis —coligações, votações na Câmara dos Deputados, trocas de legendas e composição de frentes parlamentares.

Dentre os dez partidos com mais prefeituras no país, o maior crescimento na proporção de mulheres foi registrado pelo União Brasil, à direita, com cinco pontos percentuais. Dos 1.268 nomes da sigla, 16,3% são mulheres neste pleito.

SESC PICASSO

O PSDB, também posicionado à direita, aparece em segundo, com variação de 4 pontos percentuais. Das 713 candidaturas, as mulheres representam 16,1%. Em terceiro está o PSB, da esquerda, com alta de 3 pontos percentuais. Dos 792 nomes neste pleito, mulheres são 16,16%.

Nas 103 cidades com mais de 200 mil eleitores, as mulheres respondem por apenas 18% das 605 candidaturas ao cargo. Nesse recorte, na esquerda elas são 24% e na direita e no centro, 14%.

A cientista política Graziella Testa, professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirma que o percentual mais elevado nas cidades de maior porte é algo comum do ponto de vista de inovação na política. "Normalmente vem dos grandes centros e lentamente vai capilarizando."

O número geral de candidaturas diminuiu 17% na relação com 2020, passando de 555 mil candidaturas para pouco mais de 460 mil, devido ao limite de candidatos por legenda.

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Em números absolutos, serão menos mulheres disputando prefeituras em relação a 2020. Hoje são 2.317 candidatas, ante 2.540 na eleição passada, queda de 8%. Na esquerda, a diminuição foi de 11%, na direita, 9%, e no centro, 7%.

Especialistas chamam atenção para o baixo número de candidatas às prefeituras, que reflete a escolha dos partidos. "No mundo, hoje em dia o que se discute é paridade de gênero. Estarmos em um cenário com números tão baixos assim é assustador", diz o cientista político e professor da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Machado.

VEREADORAS

Das 157.700 candidatas neste pleito, 9 em cada 10 disputarão uma vaga à vereadora.

Pela primeira vez, as mulheres negras serão maioria nesse grupo, com 52% dessas candidaturas, das quais as que se autodeclaram pardas são 40% e pretas 12%. As mulheres brancas são 46%.

Nas eleições de 2020, que tiveram 179.660 candidatas a vereadora, mulheres negras eram 49%, mesmo percentual de brancas. Em 2016, com 152.846 candidaturas, elas eram 46% e brancas 53%.

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O quadro de maioria de candidatas negras para o cargo se mantém em cidades com mais de 200 mil eleitores. As mulheres negras são 54% das candidatas, sendo 35% pardas e 18% negras, e brancas são 45%.

Por espectro ideológico, o maior aumento na proporção de candidaturas de mulheres negras foi na direita, com 8% em relação a 2020, enquanto na esquerda a variação foi de 7% e no centro de 6%. É na esquerda, por outro lado, que elas representam o maior contingente de candidaturas, com 56%, contra 51% no centro e 50% na direita.

Tauá Pires, diretora do Instituto Alziras, afirma que esse aumento ainda é muito tímido devido à falta de divisão justa do fundo eleitoral pelos partidos e pela falta de sanção pelo descumprimento. "É um obstáculo para a presença de mulheres e de mulheres negras na vereança e como prefeitas."

Entre os partidos com mais prefeituras no país, o PT é o que tem maior percentual de candidatas negras para vereadora, com 5.848 postulantes, 57% das candidatas da legenda ao cargo. O Republicanos foi o que registrou maior aumento em comparação a 2020, com quase 6.000 candidatas negras, alta de 22%. O grupo representa 53% das mulheres que disputarão o cargo pelo partido.

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