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Presidente do Senado tem 78 cargos para emprestar a aliados em troca de apoio

FolhaPress 31/01/2025 13:41

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Favorito para comandar o Senado a partir de sábado (1º), o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) terá, caso confirmada sua eleição, dezenas de cargos vinculados à presidência para ampliar seu capital político com os colegas. Parte dessas vagas é cedida para os gabinetes de aliados mais próximos, num afago feito com dinheiro público.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O atual presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), utilizou um quarto dos cargos à disposição da presidência para essa barganha política. O gasto foi de R$ 400 mil por mês com salários e auxílio alimentação, segundo levantamento da Folha. Em um ano, a despesa alcança mais de R$ 5 milhões, sem considerar diárias e outros auxílios pagos.

Atualmente, há 78 cargos vinculados à presidência, em funções como cerimonial, assessoria jurídica, administrativa e de imprensa, informou o Senado por meio da Lei de Acesso à Informação. Destes, 19 estão cedidos para gabinetes de 12 senadores aliados, de partidos como PT, PDT, União Brasil, PP, PSD e MDB. Pacheco deslocou outras quatro vagas para seu gabinete pessoal.

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Os cargos cedidos são todos comissionados, de livre escolha pelo parlamentar, e respondem diretamente ao gabinete no qual estão lotados. Os salários variam de R$ 2.815,44 a R$ 29,5 mil, segundo o Portal da Transparência —o número total de funcionários pode ser ainda maior, a partir de uma redistribuição dos valores.

Procurado, Pacheco não quis comentar.

O mesmo artifício é adotado na presidência da Câmara dos Deputados. A reportagem pediu à Casa, também via LAI, as informações sobre a quantidade de cargos e a distribuição atual, mas não houve retorno.

Candidato à presidência do Senado contra Alcolumbre, Eduardo Girão (Novo-CE) diz que, lamentavelmente, a distribuição de cargos "faz parte do jogo político". Na avaliação do senador, o benefício garantido ao presidente fortalece conchavos na Casa.

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"O presidente do Senado tem muito poder com esses cargos para compra de apoio. Esses conchavos todos são feitos também com base nisso, não apenas com emendas. É cargo demais e é tudo com dinheiro [público]. É o chamado jogo bruto", afirma.

Com uma assessora "emprestada" da presidência em seu gabinete, Vanderlan Cardoso (PSD-GO) diz que a verba à disposição dos senadores para contratação não é alta quando se busca bons profissionais.

"Se você me perguntar de cabeça, não sei quem é. Mas vou ver isso. A verba [de gabinete] parece muito dinheiro, mas não é, quando você precisa de pessoas qualificadas. Mas isso vai do perfil de cada senador", diz.

"Eu tenho no meu gabinete uma pessoa [concursada] com quase 30 anos de Banco Central. Mas isso não influencia em nada na negociação para presidente. Nem se ele tivesse mil cargos, essa barganha não existe", completa.

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Cada senador tem direito a até 50 cargos comissionados. Além de contar com equipe própria, o parlamentar tem à disposição para diversos trabalhos —como elaboração de pareceres, projetos de lei e discursos— os servidores do próprio Senado Federal.

Dois senadores que também ganharam cargos de Pacheco dizem, sob reserva, que o tema não foi tratado com Alcolumbre nas discussões sobre a eleição. Um deles brincou querer os 78 que estão ocupados e disse esperar não perder os dois assessores com a troca de presidente.

O outro parlamentar afirmou estar se preparando para perder o cargo que foi cedido por Pacheco, mas disse ver com naturalidade o maior número de funcionários em poder do presidente do Senado e dos presidentes de comissão, além de eventuais empréstimos aos gabinetes.

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