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Presidente do Novo em SP defende Bolsonaro, lança Salles e fala em chapa Tarcísio-Zema

FolhaPress 17/03/2025 13:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Presidente estadual do partido Novo em São Paulo a partir deste mês, o cientista político Christian Lohbauer, 58, afirma que a legenda vive um renascimento pós João Amoêdo, torce por uma chapa Tarcísio-Zema para 2026, defende Jair Bolsonaro (PL) e lança o ex-ministro e deputado Ricardo Salles (Novo) para o governo paulista —ou para o Senado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O grande erro do partido foi ter encampado o impeachment do Bolsonaro. É quase inexplicável assumir uma pauta dessa, quando a gente trabalhou tantos anos para combater o PT. Estamos mais maduros, conscientes de que esse erro nos custou cinco, seis, sete anos de crescimento", diz à Folha de S.Paulo.

"O Novo tem essa dificuldade de posicionamento por causa do nosso passado recente. As pessoas perguntam do Amoêdo porque ele votou no Lula e tal. A mensagem mais importante é que estamos na direita", completa.

Lohbauer foi candidato a vice-presidente na chapa de Amoêdo em 2018 e, por isso mesmo, faz questão de enfatizar a espécie de refundação do Novo. "Estamos voltando a ser o que éramos." Ele chegou a deixar a legenda, mas voltou em 2022, quando foi Amôedo quem saiu de vez.

Segundo o dirigente, o partido celebraria, em 2020, 50 mil filiados pagantes, número que caiu para 13 mil no ano seguinte. Em 2022, o Novo elegeu apenas 3 deputados federais ante 8 em 2018.

SESC PICASSO

A respeito da denúncia contra Bolsonaro sob acusação de liderar uma trama golpista, Lohbauer afirma que não houve tentativa de golpe e prega a anistia para os presos do 8 de janeiro. Ele afirma, porém, que o ex-presidente deve ser condenado, "ao que tudo indica".

"Esse julgamento é totalmente político, não é técnico nem jurídico. Independentemente de as pessoas gostarem ou não do Bolsonaro, é um perigo para o Brasil. Se fizerem esse julgamento, como parece que vão fazer, politicamente contra o ex-presidente, podem fazer com qualquer um."

A missão de Lohbauer é preparar o partido para o pleito de 2026 e, com o Novo posicionado na direita, tudo depende daqueles que mobilizam esse campo: Bolsonaro, que estaria fora da urna, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem até março do ano que vem para tomar uma decisão.

Para o dirigente, há duas certezas. Primeiro, entre Lula e Bolsonaro, a escolha é pelo ex-presidente. Segundo, se Tarcísio concorrer ao Planalto abençoado por Bolsonaro, o partido Novo irá apoiá-lo. "Seria um cenário que me parece mais provável e talvez mais consistente. Bolsonaro colocar a mulher dele ou o filho é muito frágil."

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Por enquanto, o partido investe em Romeu Zema (Novo), e Lohbauer não descarta que o governador de Minas Gerais possa concorrer até ao Senado para a ajudar a legenda.

"Contratamos pesquisa para entender quanto o Zema pode ocupar um espaço de presidenciável. É difícil, porque o partido não tem a dimensão dos outros, mas Zema é um nome que está mesa ou como cabeça de chapa, ou como vice ou como uma pessoa que vai construir a aliança da vitória."

Sobre uma chapa Tarcísio-Zema, ele brinca em referência à República Velha: "seria uma coisa que todo mundo deseja, uma espécie de café com leite pós-moderno".

Lohbauer afirma ainda que o campo entre Lula e Bolsonaro pode se fragmentar e que o Novo não estaria numa construção de centro que envolvesse o PSDB, por exemplo. Além disso, vê no PSD o fiel da balança, que pode abandonar Lula e determinar se Tarcísio vai concorrer ao Planalto.

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Tarcísio certamente seria reeleito na opinião de Lohbauer, mas se optar por deixar um vácuo na sucessão do Palácio dos Bandeirantes, "Salles vai imediatamente ser lançado a governador". Para o cientista político, o deputado bolsonarista que deixou o PL após enfrentar Valdemar Costa Neto tem boas chances de se eleger tanto ao governo quanto ao Senado, já que a direita carece de nomes —menciona apenas Eduardo Bolsonaro (PL) e Guilherme Derrite (PP).

Em 2026, Lohbauer diz que o Novo quer "ocupar o espaço eleitoral que está aberto", atraindo bolsonaristas e não bolsonaristas de direita e que "estão órfãos" porque os demais partidos, como PL, União Brasil, PSD, "você não sabe muito bem o que são".

"Muita gente está procurando uma coisa liberal, conservadora, consistente, que tenha um pouco de leveza em comparação aos partidos gigantes, pesados, fisiológicos. O momento é favorável", completa.

Lohbauer define a decisão de aceitar coligações e de usar o fundo eleitoral como "práticas mais realistas" que "parecem quase óbvias para o Novo continuar existindo".

"A polarização é que atrapalhou a nossa existência. A gente era um caminho de alternativa permanente dos contribuintes, das classes médias, dos trabalhadores que pagam imposto e não recebem em benefícios sociais aquilo que contribuem", resume.

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