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Pobreza volta a subir na Argentina e atinge 32,3% da população

Indicador alcança 9,7 milhões de pessoas no primeiro semestre de 2026; atividade econômica também recuou 2,9% em julho

Vitória News 25/09/2026 11:09
Pobreza volta a subir na Argentina e atinge 32,3% da população
Tomaz Silva/Agência Brasil

A pobreza voltou a crescer na Argentina no primeiro semestre de 2026 e atingiu 32,3% da população das 31 principais áreas urbanas pesquisadas pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos do país, o Indec. O percentual equivale a aproximadamente 9,7 milhões de pessoas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No segundo semestre de 2025, a taxa havia ficado em 28,2%. A alta, portanto, foi de 4,1 pontos percentuais em apenas seis meses.

O aumento interrompe uma sequência de redução do indicador depois do forte avanço registrado no início do governo de Javier Milei. A pobreza havia passado de 41,7% da população no segundo semestre de 2023 para 52,9% no segundo semestre de 2024, antes de iniciar trajetória de queda.

A indigência também voltou a crescer. A parcela da população abaixo da linha de indigência passou de 6,3% no segundo semestre do ano passado para 7,5% no primeiro semestre de 2026, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de argentinos.

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O levantamento considera como pobres as famílias cuja renda não é suficiente para cobrir uma cesta básica total, que inclui alimentação e outras despesas essenciais, como moradia, transporte e vestuário. Para a indigência, o parâmetro é a capacidade de adquirir a cesta básica de alimentos.

Os números mostram ainda uma diferença entre a evolução da renda e o custo das necessidades básicas. No período analisado, a renda familiar per capita aumentou, em média, 11,5%, enquanto a cesta básica alimentar avançou 21,4% e a cesta básica total subiu 19,6%.

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Crianças e adolescentes permanecem entre os grupos mais atingidos. Segundo o levantamento, 44,5% das pessoas de até 14 anos estavam abaixo da linha da pobreza.

A piora do indicador social ocorre em um momento de perda de ritmo da economia argentina. O índice de atividade econômica caiu 2,9% em julho na comparação com junho, considerando a série dessazonalizada. Em relação a julho do ano passado, houve retração de 1,4%.

Apesar da queda mensal, a economia ainda acumulava crescimento de 1,7% nos sete primeiros meses de 2026.

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que, embora pobreza e indigência tenham aumentado em relação ao semestre anterior, os dois indicadores permanecem abaixo dos níveis registrados no primeiro semestre de 2024.

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Sobre a retração da atividade econômica em julho, o governo atribuiu parte do resultado a fatores considerados temporários, entre eles menor disponibilidade de gás para a indústria, chuvas e nevascas acima da média histórica e redução das horas trabalhadas em alguns setores.

Os dados divulgados pelo Indec reforçam um dos principais desafios econômicos do país: transformar a melhora observada em determinados indicadores macroeconômicos em recuperação de renda suficiente para acompanhar o custo de vida e reduzir novamente os níveis de pobreza.

Checagem editorial — fora do texto: o Indec confirma 32,3% da população abaixo da linha de pobreza e 7,5% abaixo da linha de indigência no primeiro semestre de 2026. O instituto também registra queda dessazonalizada de 2,9% da atividade econômica em julho.

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