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PNAE completa 70 anos como referência mundial

Vitória News 28/09/2025 10:45

O PNAE 70 anos marca uma trajetória de impacto na educação, saúde e combate à fome no Brasil. Criado na década de 1950 e fortalecido pela Constituição de 1988, o Programa Nacional de Alimentação Escolar tornou-se referência mundial e foi debatido durante a 2ª Cúpula da Coalizão Global pela Alimentação Escolar, realizada neste mês em Fortaleza, com a presença de representantes de mais de 100 países.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), o programa atende 40 milhões de estudantes da rede pública e garante refeições nutricionalmente equilibradas, além de fortalecer a agricultura familiar.

Segundo Daniel Henrique Baldoni, professor da Unifesp e coordenador de Segurança Alimentar e Nutricional do PNAE, o Brasil é “talvez o único país do mundo que coloca em sua Constituição o direito da criança comer na escola”. Para ele, a Constituição de 1988 foi um divisor de águas, ao lado da redemocratização, que impulsionou também o SUS e outras políticas sociais.

SESC PICASSO

O modelo atual do PNAE foi consolidado nos anos 1990, com descentralização de recursos e controle social. Desde 2009, normas definem que a merenda deve conter frutas, hortaliças, alimentos ricos em ferro e vitamina A, além de restringir processados e ultraprocessados.

Baldoni reforça que a alimentação deve respeitar a cultura local. “Em algumas regiões, a merenda é açaí com farinha; em outras, mungunzá; em outras, arroz e feijão; ou pescado na região costeira. É preciso defender os nossos hábitos”, destacou.

Impactos e avanços do PNAE

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Área de impacto Avanço alcançado
Educação Refeições integradas ao currículo, fortalecendo aprendizado e hábitos saudáveis
Saúde Combate à desnutrição e incentivo ao consumo de alimentos ricos em nutrientes
Economia local Compra mínima de 30% da agricultura familiar (45% a partir de 2026)
Meio ambiente Incentivo à produção sustentável e redução do impacto climático
Inclusão social Reconhecimento da alimentação como direito constitucional

Linha do tempo do PNAE

Ano / Período Marco histórico
Década de 1950 Criação do programa, com apoio internacional e alimentos formulados (leite e biscoitos).
1988 Constituição reconhece a alimentação escolar como direito das crianças.
Anos 1990 Descentralização dos recursos e início do controle social (gestão local).
2009 Lei amplia diretrizes: restrição a ultraprocessados e inclusão de frutas, hortaliças e alimentos ricos em ferro e vitamina A.
2024 Fixado percentual mínimo de 30% para compra da agricultura familiar.
2026 Percentual sobe para 45%, fortalecendo produção local.
2030 (meta global) Compromisso internacional: alimentação escolar para 100% dos estudantes.
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Apesar dos avanços, há desafios. O programa passou cinco anos sem reajuste, impactando o orçamento das escolas. Baldoni alerta que o PNAE é uma política de Estado e não pode ser reduzido a disputas de governo, mas defende mecanismos legais para garantir reajustes periódicos no repasse.

Com 70 anos de história, o PNAE se mantém como uma das políticas públicas mais poderosas do Brasil, integrando saúde, educação e desenvolvimento social, além de inspirar outros países no enfrentamento à fome e às mudanças climáticas.

*Com informações da Agência Brasil

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