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Política

PL da Dosimetria pode beneficiar crimes comuns

Vitória News 15/12/2025 00:19

O PL da Dosimetria aprovado pela Câmara dos Deputados pode beneficiar criminosos comuns ao reduzir o tempo necessário para progressão de regime, segundo especialistas em direito ouvidos pela Agência Brasil. A proposta foi apresentada com o argumento de atender condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas, na avaliação de juristas, altera regras gerais da execução penal e produz efeitos amplos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O professor de Direito da PUC do Rio Grande do Sul, Rodrigo Azevedo, afirma que o texto reduz de forma sensível os percentuais exigidos atualmente para progressão de pena, especialmente em crimes comuns não violentos. Para ele, ao fixar como regra básica a progressão após um sexto da pena, o projeto afrouxa critérios que hoje exigem 20% para réus primários e 30% para reincidentes, mesmo em crimes sem violência.

O professor da PUC do Rio e advogado criminalista João Vicente Tinoco também avalia que a proposta representa um recuo em relação ao pacote anticrime aprovado em 2019. Segundo ele, embora o texto não retorne integralmente ao modelo anterior, flexibiliza hipóteses que haviam sido endurecidas nos últimos anos.

Divergência entre relator e juristas

O relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), sustenta que o texto foi construído com apoio de juristas e não beneficia crimes comuns, restringindo-se aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Durante a votação, ele afirmou que não há possibilidade de alcance geral da proposta.

SESC PICASSO

Rodrigo Azevedo rebate o argumento ao lembrar que a Lei de Execução Penal é uma norma de caráter geral, aplicável a todos os condenados no país. Para o especialista, não existe base constitucional para uma legislação de execução penal voltada a um grupo específico. Ele exemplifica que, atualmente, um condenado por roubo só progride após cumprir 40% da pena, percentual que pode cair para 25% com o novo texto, caso seja primário.

O projeto também permite que crimes praticados com violência ou grave ameaça, inclusive tentativa de golpe de Estado, tenham progressão após 16% da pena. Ao mesmo tempo, cria exceções conforme o tipo de crime, elevando o percentual mínimo em alguns casos. Tinoco alerta que há delitos violentos fora dos títulos específicos do Código Penal que acabam beneficiados pela nova regra.

CONTADOR - BONUS

Para os especialistas, legislar com foco em situações específicas tende a gerar distorções no sistema penal. Azevedo ainda destaca que o PL da Dosimetria entra em contradição com o PL Antifacção, também aprovado pela Câmara, que endurece regras para integrantes de facções e milícias, o que pode fragilizar o Sistema Único de Segurança Pública e gerar insegurança jurídica.

O projeto deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado na próxima quarta-feira (17), sob relatoria do senador Esperidião Amin (PP-SC).

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