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PGR suspeita de viagem de Anderson Torres no 8/1; ex-ministro rebate e apresenta documentos

FolhaPress 16/07/2025 18:00

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A PGR (Procuradoria-Geral da República) levantou suspeitas, nas alegações finais do principal processo da trama golpista, sobre a viagem que o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres diz ter feito à Disney dias antes dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com o texto assinado por Paulo Gonet, há indício de falsidade no documento apresentado pela defesa de que ele teria viajado de férias com sua família em 6 de janeiro de 2023, poucos antes dos ataques golpistas na praça dos Três Poderes.

Depois da afirmação, o advogado de Torres juntou aos autos declaração das emissões de passagens aéreas e de aluguel de carro em Orlando, na Flórida, e afirmou que a suspeita da PGR é "absolutamente injusta e infundada" e um "verdadeiro abuso acusatório".

Torres foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PL) e se tornou secretário do Distrito Federal após o fim do mandato do ex-presidente.

As alegações finais da PGR foram protocoladas na segunda-feira (14) no STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmam que a defesa de Anderson Torres só tinha juntado no processo um print da passagem, "sem apresentar o comprovante da compra ou o bilhete aéreo de forma autônoma".

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"Ocorre que a Procuradoria-Geral da República identificou a possível falsidade do documento apresentado pela defesa, o que não apenas reforça a gravidade da conduta do réu Anderson Torres à época dos crimes, mas deverá justificar a adoção de providências adicionais em relação ao novo fato aparentemente ilícito", afirmou a PGR.

A PGR procurou a companhia aérea Gol e questionou a respeito do voo, que respondeu que o localizador informado "não condiz com os dados descritos em nome de Anderson Gustavo Torres" e que não identificou o nome do ex-ministro no voo. Procurada, a Gol disse que não iria se manifestar.

"A escandalosa constatação coloca em xeque a versão do réu de que sua viagem já se encontrava agendada desde muito antes e confirma a sua estratégia deliberada de afastamento e conivência com as ações violentas que se aproximavam", dizem as alegações que finais, que ainda acrescentam ser "insubsistente a versão de que houve comunicação prévia da viagem ao governador do Distrito Federal" e que a defesa não comprovou a afirmação nos autos.

O advogado de Torres, Eumar Novacki, juntou informações sobre a compra das passagens no dia seguinte, nos autos da ação penal.

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Na petição, ele disse que há "uma tentativa inaceitável de construir um enredo incriminador contra um inocente, ignorando provas documentais robustas que atestam, de forma inequívoca, a emissão regular dos bilhetes, o efetivo pagamento por meio do sistema BSP-Iata [de transações financeiras entre agentes de viagens e companhias aéreas] e a vinculação dos dados ao nome do acusado e de seus familiares".

"O que se vê, portanto, é uma perseguição implacável, que visa não apenas à condenação de Anderson Torres, mas à destruição de sua família, desbordando completamente dos limites da legalidade, da boa-fé, do devido processo legal e lealdade processual", disse o advogado.

São juntados nos autos um atestado da agência Viagens Pimentur sobre a compra das passagens para Anderson e sua família, os dados do voo e da reserva de aluguel de veículo.

A defesa diz ainda que, de acordo com a agência de turismo, o localizador do voo "pode ter sido reutilizado pelo sistema da companhia aérea após determinado período". "Essa reciclagem automática é comum no setor aéreo e pode gerar inconsistência na busca atual, sem, contudo, comprometer a autenticidade e validade da emissão original", diz a defesa.

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Apesar dessa petição, a defesa de Anderson Torres ainda poderá apresentar outras eventuais provas em suas alegações finais, que ainda serão entregues ao Supremo.

A peça da PGR foi entregue ao STF momentos antes do fim do prazo, que era às 23h59 da segunda-feira.

A expectativa no Supremo é que o processo sobre a tentativa de golpe de Estado esteja pronto para ir a julgamento no início de setembro.

Além Anderson Torres, são réus sob acusação de integrar o núcleo central da trama golpista: Jair Bolsonaro (ex-presidente), Walter Braga Netto (ex-ministro), Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-chefe da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa).

Todos os réus do caso respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado. Somadas, as penas máximas podem passar de 40 anos de prisão.

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