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PGR pede reabertura de investigação sobre interferência de Bolsonaro na PF

FolhaPress 15/10/2025 20:11

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta quarta-feira (15) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a reabertura da investigação sobre a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo Gonet, a nova frente da investigação será o possível vínculo da interferência na PF com a Abin paralela e a propagação de ataques sistemáticos a autoridades.

"A manifestação é pelo retorno dos autos à Polícia Federal para que seja realizada a seguinte diligência, sem prejuízo de outras que a autoridade policial julgar necessárias", diz Gonet.

O pedido de reabertura da investigação será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Em manifestação anterior, a PGR sugeriu o arquivamento do inquérito por falta de provas.

A investigação sobre a suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal foi aberta em 2020. Na época, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu demissão e disse que Bolsonaro tentou intervir politicamente na PF, com mudança de diretores e na condução de inquéritos relacionados aos seus familiares.

Gonet diz que, pelo depoimento de Moro, a reclamação de Bolsonaro era sobre a "falta de acesso a relatórios de inteligência da PF".

SESC PICASSO

"Imprescindível, portanto, que se verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-Ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis", afirma o chefe da PGR.

A Polícia Federal encerrou o inquérito sobre Bolsonaro em 2020, após concluir não haver indícios de que o ex-presidente interferiu na corporação para proteger aliados e familiares ao trocar o comando do órgão.

No relatório, a PF afirma que em dois anos de apuração "nenhuma prova consistente" da interferência de Bolsonaro foi encontrada e que todas "as testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações".

CONTADOR - BONUS

Segundo relatório do delegado Leopoldo Soares Lacerda, Bolsonaro não cometeu um ato contrário à lei ao pedir a troca do diretor-geral da corporação a Moro porque cabe ao presidente escolher a equipe ministerial e também os chefes vinculados aos ministérios.

"Constam nos autos informações de que a relação entre o Presidente da República e o delegado de polícia federal Ramagem, nomeado como dirigente máximo da PF, iniciou-se no final da campanha presidencial por razões profissionais e assim foi mantida", disse o delegado.

Ele também não encontrou sinais de que o presidente atuou com o objetivo de interferir em investigações de seu interesse ou de seus filhos e aliados políticos.

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