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PGR pede arquivamento de relato de Vorcaro sobre supostas ameaças durante tentativa de delação

Procuradoria afirma que ex-banqueiro não apresentou provas das intimidações; defesa tenta reabrir negociação de acordo já rejeitada duas vezes, enquanto caso Master acumula novos embates no STF

Vitória News 03/09/2026 07:15
PGR pede arquivamento de relato de Vorcaro sobre supostas ameaças durante tentativa de delação
Foto: Rosinei Coutinho/STF/Divulgação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu o arquivamento do relato em que Daniel Vorcaro afirmou ter sofrido “graves intimidações” durante as tratativas para uma possível colaboração premiada no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O posicionamento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (2). Segundo a PGR, o ex-banqueiro não apresentou elementos concretos que sustentassem a acusação de que teria sido ameaçado.

Vorcaro, que está preso, prestou depoimento na semana passada a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso Master no Supremo. A oitiva ocorreu a pedido da defesa.

O objetivo dos advogados é tentar reabrir as negociações para um acordo de colaboração premiada. Até agora, porém, as tentativas foram rejeitadas tanto pela Polícia Federal quanto pela própria Procuradoria-Geral da República.

Relato de ameaça não veio acompanhado de provas

O ponto central da manifestação da PGR é a falta de elementos que permitam transformar a declaração de Vorcaro em uma nova frente de investigação.

De acordo com o parecer, a afirmação de que ele teria sofrido intimidações não foi acompanhada de provas suficientes para sustentar a continuidade de uma apuração específica sobre o episódio.

A manifestação não significa, por si só, uma conclusão judicial de que as ameaças não ocorreram. O que a PGR sustenta é que, diante do material apresentado até agora, não existem elementos que justifiquem o prosseguimento da apuração a partir desse relato.

A decisão sobre o encaminhamento caberá ao Supremo.

Delação já foi recusada duas vezes

A tentativa de Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada é um dos pontos relevantes do caso.

Segundo as informações disponíveis, Polícia Federal e PGR já rejeitaram duas vezes a possibilidade de acordo.

A avaliação dos investigadores foi de que o ex-banqueiro não apresentou fatos suficientemente novos em relação ao material já obtido durante as investigações e também não teria reconhecido participação própria em crimes.

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Esse aspecto é importante porque uma colaboração premiada não se resume ao fornecimento de acusações contra terceiros.

Para que um acordo avance, as autoridades avaliam, entre outros fatores, a utilidade das informações oferecidas, a possibilidade de comprovação, a existência de elementos novos e a contribuição efetiva do colaborador para o esclarecimento dos fatos investigados.

Uma eventual colaboração também precisa seguir os procedimentos legais e não depende apenas da vontade da pessoa investigada.

Caso Master tem outra disputa paralela no STF

O pedido de arquivamento do relato sobre as supostas ameaças ocorre em um momento de tensão institucional em torno de outra parte das investigações relacionadas ao Banco Master.

Em procedimento distinto, a Polícia Federal analisou dados extraídos do telefone celular de Vorcaro e encontrou registros de comunicações atribuídas a um contato identificado como sendo do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Parte desse material passou a ser analisada depois de determinação de André Mendonça para aprofundamento das informações encontradas pela PF.

A Procuradoria-Geral da República contestou esse procedimento.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que o aprofundamento envolvendo especificamente um ministro do Supremo não poderia ter sido determinado pelo relator sem que a questão passasse previamente pelo plenário da Corte.

A PGR pediu, por isso, a nulidade dessa parte da apuração.

É importante distinguir as duas situações.

De um lado está o relato de Vorcaro de que teria sofrido intimidações durante as negociações de uma possível delação, que a PGR agora entende não ter provas suficientes para prosseguir.

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De outro está a discussão sobre a validade jurídica do aprofundamento da análise de mensagens encontradas pela Polícia Federal e atribuídas a conversas envolvendo Vorcaro e Moraes.

Mendonça defende análise pelo plenário

André Mendonça já retirou o sigilo de parte do material relacionado às mensagens e defendeu que os novos elementos sejam submetidos ao plenário do Supremo.

O ministro argumentou que o colegiado é a instância adequada para analisar questões dessa dimensão e defendeu que a discussão ocorra de forma pública e transparente.

A definição de quando o assunto poderá chegar ao plenário depende da condução do STF. Até agora, não há data anunciada para a análise.

Também não houve decisão do plenário reconhecendo irregularidade praticada por Alexandre de Moraes.

O fato de um nome aparecer em mensagens, registros telefônicos ou documentos apreendidos não significa, isoladamente, comprovação de crime ou participação em irregularidades.

PF encontrou material no celular de Vorcaro

As informações que alimentam essa outra frente do caso surgiram durante a análise do aparelho celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal no contexto da Operação Compliance Zero.

Os investigadores recuperaram mensagens e outros registros considerados relevantes para a apuração.

Parte das comunicações, entretanto, não pôde ser recuperada integralmente. Há referências a conteúdos enviados em formatos de visualização única e a registros incompletos, o que exige cautela na interpretação das conversas.

Entre os elementos recuperados há uma mensagem de novembro de 2025 na qual Vorcaro afirma que estava tentando “antecipar os investigadores”.

O conteúdo e o contexto dessas comunicações ainda são objeto de análise e não representam, por si só, comprovação de participação de terceiros em eventuais crimes.

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PGR e Mendonça divergem sobre procedimento

A controvérsia atualmente no Supremo é também processual.

A PGR não se limitou a discutir o conteúdo das mensagens. Paulo Gonet questionou a própria forma pela qual o aprofundamento da investigação foi determinado.

Na avaliação da Procuradoria, se surgissem elementos que justificassem uma investigação contra um ministro do STF, a questão deveria ser encaminhada à Presidência da Corte e submetida ao procedimento institucional adequado, com participação do plenário.

Mendonça, por sua vez, considera que os fatos encontrados precisam ser conhecidos e examinados pelo colegiado.

Será o Supremo que terá de resolver essa divergência.

Relato de ameaça é mais uma peça do caso

O pedido de arquivamento apresentado agora pela PGR não encerra as demais investigações relacionadas ao Banco Master e tampouco interfere automaticamente na discussão sobre as mensagens encontradas pela Polícia Federal.

A manifestação diz respeito especificamente às alegações de Vorcaro de que teria sofrido intimidações durante as negociações de sua possível colaboração.

Também não significa que um acordo de delação esteja definitivamente impedido no futuro. Para que uma nova negociação avance, porém, Vorcaro precisaria apresentar elementos capazes de alterar a avaliação feita até agora por investigadores e procuradores.

Com a PGR entendendo que as alegações de ameaça não foram comprovadas e mantendo resistência a uma colaboração nos termos apresentados até o momento, a situação do ex-banqueiro continua distante de um acordo.

Paralelamente, permanece pendente no Supremo a definição sobre a validade e o destino do material encontrado pela PF envolvendo as comunicações atribuídas a Vorcaro e Moraes.

Fonte: Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal, com informações da Agência Brasil.

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