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PF investiga propina no Pará após prisão de assessor de deputado com R$ 1,1 milhão

FolhaPress 21/01/2025 19:36

BRASÍLIA, DF, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A investigação da Polícia Federal que resultou na prisão de um assessor parlamentar com R$ 1,1 milhão no Pará apura o suposto pagamento de propinas em licitações no estado tendo como alvo uma empresa que firmou contratos com prefeituras que haviam recebido recursos federais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um dos dois homens detidos em flagrante em Belém era assessor do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), aliado do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

Jacob Aarão Serruya Neto, assessor do parlamentar, e Wandson de Paula Silva foram presos em flagrante na última sexta-feira (17) por suspeita dos crimes de peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Procurado, o deputado federal Antônio Doido não respondeu à reportagem -ele demitiu o seu assessor no domingo (19), dois dias após a prisão. As defesas de Jacob Aarão e Wandson de Paula não quiseram se pronunciar.

A investigação foi iniciada a partir de uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Federal na quinta-feira (16). O denunciante informou que um valor superior a R$ 1 milhão seria sacado da conta da empresa A.C. Silva Comércio para o pagamento de propinas para servidores públicos. O horário da operação e o endereço da agência bancária também foram informados.

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A empresa, constituída em outubro de 2020, tem como atividade principal o comércio de produtos alimentícios e possui outras 34 atividades secundárias. Seu único sócio é registrado como funcionário de outra firma do setor de alimentos com salário de R$ 1.700, fato que despertou a atenção dos investigadores.

A investigação também apontou que a empresa A.C. Silva participou de 57 licitações desde a sua fundação. Em 2021, venceu 33 licitações municipais, conforme informações do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Parte dos contratos tinham como principal fonte recursos de origem federal.

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Na representação inicial, a PF relatou que recebeu a informação de que Wandson realizaria um saque milionário em uma agência bancária em Belém, que seria repassado a Jacob. O dinheiro foi recebido em uma sala reservada dentro agência bancária e colocado em uma mochila.

No local, os policiais constataram o repasse da quantia e realizaram a prisão dos dois. Agentes da PF apreenderam R$ 1 milhão em sacolas plásticas e outros R$ 100 mil dentro do veículo que Wandson utilizava. Foram apreendidos dois veículos, incluindo um blindado.

Na avaliação dos investigadores, o saque de alto valor em espécie é indício de lavagem de dinheiro, e a corrupção "foi configurada no momento em que o representante comercial de uma empresa, envolvida em diversas licitações com órgãos públicos, repassou o dinheiro" ao assessor, um servidor público.

Interrogados na sede da PF no Pará, Jacob Aarão e Wandson de Paula decidiram ficar em silêncio.

Os dois foram soltos no sábado (18) por decisão da Justiça Federal no Pará, que determinou a imposição medidas cautelares, como comparecimento mensal no fórum e proibição de se ausentar de Belém sem autorização prévia da Justiça.

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Agora, as investigações da PF devem mapear os contratos firmados da A.C Silva Comércio e analisar a troca de mensagens entre os suspeitos após autorização judicial.

Em 2024, o deputado Antônio Doido foi candidato à Prefeitura de Ananindeua, segundo maior município do Pará, com o apoio de Helder Barbalho.

Ele enfrentou nas urnas o prefeito Daniel Santos (PSB), ex-aliado de Helder que se lançou pré-candidato a governador em 2026. O prefeito foi reeleito com 83,5% dos votos.

O deputado Antônio Doido é casado com Andreia Dantas Costa, empresária e dona de uma construtora que possui contratos com o governo do estado. Ela não é investigada nesse caso.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o governador do Pará, Helder Barbalho, já usou a aeronave dela para evento de campanha no ano passado. À época, Hélder afirmou que o avião foi emprestado por aliado político.

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