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PF indicia Marçal por laudo falso contra Boulos divulgado às vésperas do 1º turno da eleição

FolhaPress 08/11/2024 18:18

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira (8) o ex-candidato a prefeito Pablo Marçal (PRTB) por divulgar um laudo médico falso contra Guilherme Boulos (PSOL) em tentativa de associá-lo ao uso de drogas, às vésperas do primeiro turno das eleições municipais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Marçal prestou depoimento por cerca de duas horas nesta sexta na Superintendência Regional da PF em São Paulo. Ele chegou no local por volta das 11h20.

A PF concluiu que o laudo divulgado por Marçal é falso —a Polícia Civil também já havia chegado a essa conclusão.

O crime apontado no indiciamento é o de uso de documento falso.

A imagem, divulgada em rede social no dia 4 de outubro pelo autodenominado ex-coach, mostrava um prontuário médico. O documento fraudulento era atribuído à clínica Mais Consulta e afirmava que Boulos teria sido atendido em janeiro de 2021 na unidade do Jabaquara, na zona sul de São Paulo, em surto psicótico. O laudo falso também afirmava que o acompanhante do deputado do PSOL teria levado um exame toxicológico que apontaria a presença de cocaína.

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Na véspera da eleição, o juiz responsável pelo processo de natureza criminal negou pedido de prisão, que tinha sido feito por Boulos, mas determinou, ainda naquele dia, a suspensão por 48 horas de perfil de Marçal.

A filha do médico que aparecia na assinatura do laudo falso afirmou que ele nunca trabalhou na clínica e entrou com processo contra Marçal. O profissional morreu em 2022.

A atitude do então candidato do PRTB uniu em repúdio rivais da disputa eleitoral em São Paulo. Ricardo Nunes (MDB) disse que se tratou de um "ato criminoso", e Tabata Amaral (PSB) afirmou que o influenciador representava "um perigo".

Só no Instagram, a publicação falsa chegou a atingir mais de 7 milhões de visualizações no post original do candidato.

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O candidato do PRTB disse, em diferentes ocasiões, que não sabia que se tratava de um laudo falso. "Vocês podem falar com o Tássio Renam [advogado]. Ele que postou, na hora da postagem eu estava no [podcast] Inteligência Limitada. Ele mesmo postou. E a gente está 100% em paz", afirmou a jornalistas após votar no dia da eleição.

Sua defesa, em ação eleitoral, afirmou no dia seguinte ao primeiro turno que a divulgação do laudo estava "amparada pelo direito à livre manifestação do pensamento". "Se a propaganda veiculada tivesse causado danos ao equilíbrio do pleito, fatalmente o representante não teria avançado para o segundo turno", afirmou na ocasião.

Uma pessoa investigada passa à condição de indiciada quando o inquérito policial aponta indícios de que ela cometeu determinado crime.

A partir do indiciamento, o Ministério Público receberá o inquérito e avaliará se apresenta denúncia (acusação formal), se pede mais investigações ou se recomenda o arquivamento do caso. O indiciado vira réu apenas a partir do momento em que a Justiça receber eventual denúncia.

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A Justiça Eleitoral também investiga o caso do laudo falso. No dia do primeiro turno, o desembargador Silmar Fernandes, presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, disse que se Marçal for condenado pode ter os direitos políticos suspensos, o que deixaria o influenciador inelegível.

Também há outras acusações relacionadas à candidatura do PRTB sob apuração. Uma delas, apresentada pelo PSB, questiona a realização de sorteios e falas contra a Justiça Eleitoral, argumentando que teria havido uma "violação contínua, sistemática, reiterada e programada" de diversos pontos da legislação eleitoral.

Marçal foi derrotado na disputa pela Prefeitura de São Paulo no primeiro turno após registrar 28,14% dos votos válidos, contra 29,07% de Boulos e 29,48% de Nunes.

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Colaborou o UOL

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